sábado, 5 de outubro de 2013

Lição 1: O valor dos bons conselhos


Lição 1: O valor dos bons conselhos
6 de outubro de 2013

TEXTO ÁUREO
O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina(Pv 1.7). [Comentário:  O versículo 7 de Provérbios define o tema do livro: o temor do Senhor, que é a maneira bíblica hebraica original de se referir à plena, alegre e amorosa submissão do ser humano ao seu criador e Pai - YAHWEH - a quem, como súditos celestes, devemos honra e cuja Palavra devemos obediência. Em contraposição, temos a figura do “insensato”, expressão cujo sentido mais amplo e dramático refere-se ao “louco”, não exatamente ao doente mental, mas especialmente ao “tolo”, aquele que diante da verdade e da vida prefere a mentira e a morte].
VERDADE PRÁTICA
Provérbios e Eclesiastes são verdadeiras pérolas da sabedoria divina para o nosso bom viver.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Provérbios 1.1-6.
1 - Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel.
2 - Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência;
3 - para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade;
4 - para dar aos simples prudência, e aos jovens conhecimento e bom siso;
5 - para o sábio ouvir e crescer em sabedoria, e o instruído adquirir sábios conselhos;
6 - para entender provérbios e sua interpretação, como também as palavras dos sábios e suas adivinhações.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
          Conhecer o conceito geral dos livros de Provérbios e Eclesiastes.
          Identificar as fontes da sabedoria dos sábios antigos.
          Compreender o propósito da sabedoria ensinada em Provérbios e Eclesiastes.
PALAVRA-CHAVE
Sabedoria: Grande instrução; ciência, erudição, saber. (em grego Σοφία, "sofía") é o que detém o "sábio" (em grego σοφός, "sofós"). Desta palavra derivam várias outras, como por exemplo, φιλοσοφία -"amor à sabedoria" (filos/sofia).
COMENTÁRIO
introdução
[Comentário:  Caro leitor, entramos na reta final de 2013, e não poderia ser melhor do que estudar, neste último trimestre, a sabedoria divina para nós! Temos pela frente uma excelente oportunidade para fazer uma autoanálise e verificarmos se estamos crescendo na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo. Travaremos contato com parte da literatura sapiencial judaica e veremos o quanto eles são atuais e relevantes em seus ensinamentos. O comentarista deste trimestre é o pastor José Gonçalves, professor de Teologia, filósofo, escritor e vice-presidente da Comissão de Apologética da CGADB]. Lembro-me dos ditados populares que ouvia dos meus pais: “Águas passadas não movem moinhos”; “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”; “Quem espera sempre alcança”, e muitos outros. Essas pequenas expressões contêm conselhos de uma cultura popular impregnada de valores éticos, morais e sociais, que acabam por dirigir as regras da vida em sociedade. Mais do que qualquer outra fonte, a Bíblia está recheada dessas pérolas. São bons conselhos que revelam a sabedoria divina. Tais máximas bíblicas são expressas em linguagem figurada, das mais variadas formas (parábolas, fábulas, enigmas e provérbios). Por isso, neste trimestre, conheceremos o que a Bíblia revela sobre os conselhos divinos contidos nos livros de Provérbios e Eclesiastes. Veremos ainda como esses conselhos se revelam na vida dos que temem ao Senhor. [Comentário:  São considerados livros da sabedoria três dos livros poéticos: Jó, Provérbios e Eclesiastes, embora Jó seja realmente um livro de espécie única. Essa classificação é baseada no fato de tratarem esses três livros dos problemas que mais interessam à humanidade. Jó trata do problema do sofrimento, Provérbios, do problema do dever moral, e Eclesiastes, do problema da felicidade. O livro de Provérbios não é apenas uma coleção de provérbios, mas uma coleção de coleções. Seu pensamento ou tema unificador é “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”(9.10), aparecendo de outra maneira como: “O temor do Senhor é o princípio (ou parte principal) da ciência”(1.7). Já o livro de Eclesiastes apresenta todos os indícios de ser um ensaio literário cuidadosamente composto que precisa ser compreendido em sua totalidade antes de poder ser entendido em parte. O sentido do livro é definido em 1.3 - “o que dá genuíno valor à existência? Tal fator pode ser encontrado na vida presente?” O pregador apresenta uma resposta esclarecedora e explica por que tudo é inútil: não há nenhum ganho, nenhum proveito, nenhum valor permanente para as pessoas a partir de seu trabalho nesta vida. Mergulhemos então nesta deliciosa jornada e vamos ouvir as palavras dos sábios!]. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!
I. JOIAS DA LITERATURA SAPIENCIAL
1. O livro de Provérbios. A Bíblia diz que Salomão compôs “três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco” (1Rs 4.32). O texto sagrado identifica Salomão como o principal autor do livro de Provérbios (Pv 1.1), mas não o único. O próprio Salomão exorta a que se ouça “as palavras dos sábios” (Pv 22.17), e declara fazer uso de alguns dos provérbios desses sábios anônimos (Pv 24.23) [Comentário:  aqui há uma outra coleção breve de provérbio dos sábios, similar em estilo aos grupos citados antes deste capítulo.]. O livro revela que havia alguns provérbios de Salomão que circulavam nos dias do rei Ezequias, e que posteriormente foram compilados pelos homens deste piedoso rei (Pv 25.1) [Comentário:  isso deve ter sido feito em cerca de 720 a.C., quando o escrito já tinha sobrevivido por mais de 200 anos, mas não há informações quanto à fonte ou história do documento a partir do qual esses escribas copiaram.]. Por último, o livro de Provérbios revela que Agur, filho de Jaque, de Massá, é o autor do capítulo 30 [Comentário:  A identidade de Agur é desconhecida, mas aparentemente, ele era um sábio bem conhecido; mas seu estilo, frequentemente diferente do restante do livro traz igualmente verdades com imagens fortes e vívidas.]. Já o capítulo 31 é atribuído ao rei Lemuel de Massá[Comentário:  A exemplo de Agur, não se conhece a identidade do rei Lemuel. Ele não aparece entre os reis de Judá e de Israel.]. O livro pertence ao gênero literário hebreu conhecido como sapiencial, isto é, literatura da sabedoria. [Comentário:  Provérbios, mashal; Strong 04912: Provérbio, parábola, aforismo, adágio; uma símile ou alegoria; uma lição com finalidade ou ilustração. Este substantivo vem do verbo mashal, “comparar, ser semelhante”. Com base no livro de Provérbios, Tem-se a impressão de que um provérbio é uma frase curta que contém uma verdade. Mas há evidencia no Antigo Testamento que mostram que o provérbio tem usos mais amplos. O longo discurso de Balaão recebe o nome de mashal (Nm 23.7-24.24). Em outras referencias, mashal indica um escárnio, um adágio, ou uma ilustração. E ainda em outras referencias indica uma pessoa ou uma nação da qual Deus faz um exemplo. Comparar 1Rs 9.7 com Sl 69.11. No primeiro versículo do livro há ma identificação imediata com o seu autor principal. No entanto, o significado não é que todos os provérbios são originalmente de Salomão (filho de David com Bate-Seba, que teria se tornado o terceiro rei de Israel, governando durante cerca de quarenta anos (segundo algumas cronologias bíblicas, de 1009 a 922 a.C.). Ele era, ao mesmo tempo, antologista e autor. Em 1Rs 4.32, lemos que ele “disse” três mil provérbios. Em Eclesiastes ele chama a si mesmo de “pregador” (Ec 1.1). Como tal, ele certamente colecionou e citou expressões úteis - assim como um pregador moderno poderia citar um poema ou usar uma metáfora. Os provérbios são de Salomão, não porque ele os colecionou e usou. Shlomô (em hebraico:שלמה), deriva da palavra Shalom, que significa "paz" e tem o significado de "Pacifico". Também chamado de Jedidias (em árabe سليمان Sulayman) pelo profeta Natã, nome que em hebraico significa "Amado de Jeová". (II Samuel 12:24, 25)].
2. O livro de Edesiastes. Eclesiastes, juntamente com Cantares, Jó, Salmos e Provérbios, também faz parte do gênero literário conhecido como “Literatura Sapiencial”. Sua autoria é atribuída a Salomão (Ec 1.1). Embora escrito pelo filho de Davi e pertença ao mesmo gênero literário, o livro de Eclesiastes possui um estilo diferente de Provérbios. Ele se apresenta como um discurso usado em assembleias ou templos. Alguns intérpretes acreditam que se trata de uma coletânea utilizada por Salomão em seus discursos. Ao contrário do que muitos pensam, o livro de Eclesiastes não expõe uma espécie de ceticismo ou desencanto existencial. Salomão faz um balanço da vida do ponto de vista de alguém que teve o privilégio de vivê-la com intensidade, mas que descobre ser ela totalmente vazia se não vivida em Deus. A própria sabedoria, tão celebrada nos Provérbios, quando posta a serviço de interesses pessoais e objetivos mesquinhos é tida como tola. [Comentário:  O nome Qohellet, ou Eclesiastes deriva do termo hebraico qahal, em grego ekklesia (assembleia) e significa “aquele que fala a uma assembleia”. O termo hebraico Qohellet, como aparece na Bíblia hebraica, que significa “o homem da assembleia” ou “aquele que convoca uma assembleia”, recebendo muitas vezes a tradução de “Professor” ou “Pregador” em outras versões da Bíblia, sugere que Cohellet possa ser uma pessoa ou um título; no caso, mestre ou orador (12.9-10). Creditado a Salomão (cerca de 971 a 931 a.C.), foi escrito em sua velhice - para muitos interpretes de Eclesiastes, a linhagem (1.1), o reinado em Jerusalém (1.12), a grande sabedoria (1.16) e a riqueza inigualável (2.4-9) do autor indicam que Eclesiastes foi escrito por Salomão, que se autodenominou o “Pregador”. Nesse livro, busca-se dar uma resposta à pergunta: que proveito tem o homem no trabalho e na sabedoria? Assim, o trabalho e a sabedoria constituem os dois temas principais. o início do livro enfatiza a função de Salomão como aquele que convoca a comunidade da aliança, a fim de testemunhar e de celebrar a glória do Rei dos céus, que enche seu templo terrestre (1Rs 8)].
SINOPSE DO TÓPICO (I)
Provérbios e Eclesiastes são livros de sabedoria judaica que revelam os desígnios eternos para a vida.
II. A SABEDORIA DOS ANTIGOS
1. A inteligência dos sábios. Já observamos que pelo menos duas referências do livro de Provérbios fazem citação das “Palavras dos Sábios” (Pv 22.17; 24.23). Mas quem são esses sábios? O texto não os identifica. Todavia, o Primeiro Livro dos Reis fala acerca de outros sábios, igualmente famosos, e como Salomão os sobrepujou em sabedoria (1Rs 4.29-31). [Comentário:  Salomão não foi o único autor dos provérbios, embora ele tenha escrito uma grande parte (cf. 1.1; 10.1; 25.1). O próprio Salomão declara: “... também estes são provérbios dos sábios” (Pv 24.23). Provavelmente signifique um número de homens sábios cujos provérbios são citados, embora o uso da primeira pessoa (vs 19-21) dê um toque pessoal. A introdução em primeira pessoa pode ser do próprio Salomão ou de qualquer um dos sábios citados. Não podemos negar que Salomão foi um dos homens mais sábios do seu tempo e que proferiu 3 mil provérbios (1Rs 4.32), todavia há outros autores das citações, como Agur (Pv 30.1) e o rei Lemuel (Pv 31.1). É importante também observar que seus autores pertenceram a épocas distintas. Etã e Hemã eram músicos e, como sugerido nos títulos dos Salmos 88 e 89, cada um deles escreveu um Salmo.].
2. A sabedoria de Salomão. O escritor americano Eugene Peterson mostra a singularidade da sabedoria salomônica em diferentes áreas da vida. Mais especificamente nos Provérbios, há uma amostra de como honrar os pais, criar os filhos, lidar com o dinheiro, conduzir a sexualidade, trabalhar e exercitar liderança, usar bem as palavras, tratar os amigos com gentileza, comer e beber saudavelmente, bem como cultivar emoções e atitudes em relação aos outros de modo pacífico. Peterson ainda mostra que o princípio da sabedoria salomônica destaca que o nosso modo de pensar e corresponder-nos com Deus reflete a prática cotidiana de nossa existência. Isto significa que nada, em nossa vida, precede a Deus. Sem Ele nada podemos fazer. [Comentário:  Os provérbios têm a sua origem nos ditos populares. Todavia, os provérbios bíblicos são breves declarações que expressam os conselhos divinos para nós. Podemos afirmar que cada provérbio é uma parábola resumida e o livro todo é a Palavra de Deus. É Deus falando por intermédio das circunstâncias da vida. Expresso de várias maneiras, o temor do Senhor é o tema que se repete ao longo do livro como a chave, o meio, o segredo para se obter verdadeira sabedoria. Não é o terror diante de um tirano, mas o tipo de temor e respeito que levará à obediência a Ele, que é o mais sábio de todos. O propósito do livro é ensinar os leitores a viverem de forma justa, correta e ética. O objetivo é levar as pessoas a expressarem, no seu dia-a-dia, a sabedoria de Deus. Embora o livro também trate das questões corriqueiras da vida, ele é um convite à busca da sabedoria que vem do Alto, a sabedoria divina].
SINOPSE DO TÓPICO (II)
A sabedoria dos antigos, e particularmente a de Salomão, versava sobre diferentes áreas da vida humana.
III. AS FONTES DA SABEDORIA
1. A sabedoria popular. Os livros poéticos mostram, entre outras coisas como louvores e orações, muito da sabedoria do povo de Israel. Ciente dessa verdade, Salomão apresenta máximas populares para compor os seus Provérbios (Pv 22.17; 24.23). Podemos entender que Deus dá inteligência aos homens para que estes possam analisar as situações da vida e tirar delas conclusões que servirão para si mesmos e para outras pessoas, em forma de conselhos e advertências, como ocorre no livro de Provérbios. [Comentário:  Salomão apresenta uma seção com uma coletânea de ditos de sabedoria principalmente sob a forma de instruções (22.17-24.22). Há evidencias de que a primeira parte (22.17-23.11) aproveitou-se da sabedoria egípcia de Amenemope. Se este for o caso, esses discernimentos foram conscientemente apropriados como admoestações que ajudam a pessoa a sastifazer as obrigações da aliança de ter “confiança... no Senhor”(22.19). As tradições de sabedoria são compartilhadas por pessoas de diferentes culturas e religiões. Salomão discutia a sabedoria com pessoas provenientes de diversas nações (1Rs 4.29-34; 10.1-7), mostrando como certas características da sabedoria eram compartilhadas através de fronteiras nacionais e religiosas. O autor de Provérbios, tal como os historiadores da Bíblia, não foi impedido, em princípio, de usar os materiais existentes no processo de escrita daquilo que Deus inspirou].
2. A sabedoria divina. O texto bíblico destaca que Salomão “falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede; também falou dos animais, e das aves, e dos répteis, e dos peixes. E vinham de todos os povos a ouvir a sabedoria de Salomão e de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria” (1Rs 4.33,34). De onde vinha tanta sabedoria? O texto bíblico revela que Salomão orou pedindo a Deus sabedoria (1Rs 3.9), e que o Senhor respondeu-lhe integralmente (1Rs 3.10-14). Esta é a fonte da sabedoria de Salomão e explica o porquê de ninguém conseguir superá-la. [Comentário:  O hebraico hokmah (sabedoria) é encontrada repetidamente no livro de Provérbios. No Antigo Testamento, ela era usada para descrever a habilidade de artesãos, artistas e conselheiros (Êx 28.3; 31.3,6; 35.26; 36.1). A sabedoria de Salomão não tem comparação na história de Israel, evidenciada na pitoresca narrativa de 1Rs 3.16-28, numa vívida demonstração do dom de sabedoria que Deus tinha dado a Salomão, em cumprimento ao seu pedido feito em oração (1Rs 3.9-12). Salomão era um amante e incentivador da literatura de sabedoria e foi, pessoalmente, um autor produtivo. Também manifestou um interesse especial pela natureza. Ao escrever seus provérbios, Salomão ordenou as relações sociais; ao listar as questões da fauna e da flora, pôs em boa ordem os elementos do seu reino. Sua reputação transbordou as fronteiras do seu reino. Monarcas de várias nações enviavam emissários para aprender a erudição de Salomão. Os textos de Ebla, de cerca de 2350 a.C., mencionam homens letrados provenientes de muitas nações a fazerem “preleções” em Ebla, mostrando como essas viagens eram possíveis desde os tempos antigos (Ebla, uma  antiga cidade localizada no norte da Síria, a cerca de 55 km, a sudoeste de Alepo. Foi uma importante cidade-estado em dois períodos: em inícios do 3º milênio a.C., e novamente entre 1 800 a.C. e 1 650 a.C.].
SINOPSE DO TÓPICO (III)
A fonte de toda sabedoria do rei Salomão era o Senhor nosso Deus.
IV. O PROPÓSITO DA SABEDORIA
1. Valores éticos e morais. Na introdução do livro de Provérbios, encontramos um conjunto de valores éticos e morais que revelam o propósito desses conselhos. Ali, consta todo o objetivo proposto pelo livro: (1) Conhecer a sabedoria e a instrução; (2) entender as palavras da prudência; (3) receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade; (4) dar aos simples prudência e aos jovens conhecimento e sensatez; (5) ouvir e crescer em sabedoria; (6) adquirir sábios conselhos; (7) compreender provérbios e sua interpretação, bem como também as palavras dos sábios e suas metáforas (Pv 1.1-6). [Comentário:  O propósito do livro de Provérbios é guiar o leitor à sabedoria, vocábulo com muitas nuances. Está relacionado com o intelecto e com o controle do comportamento humano. É uma maneira de pensar sobre a realidade que capacita alguém a seguir o que é bom na vida. Através da sabedoria, Deus revela quais são os valores da vida e como podem ser alcançados.].
2. Valores espirituais. Além de apontar valores éticos e morais, ao afirmar que o “temor do Senhor é o princípio da ciência; [e que somente] os loucos desprezam a sabedoria e a instrução” (Pv 1.7), o cronista sacro abaliza os valores espirituais que sobressaem nas palavras de Provérbios. Da mesma forma, o livro de Eclesiastes aponta para Deus como a razão de toda a existência humana. Fora dele não há base segura para uma moral social. Os livros de Provérbios e Eclesiastes formam uma tessitura milenar no contexto religioso judaico que, adaptado à nossa realidade, apresentam conselhos práticos para a vida cotidiana de todos os homens. [Comentário:  O princípio controlador de Provérbios está afirmado no versículo 7: “O temor do Senhor”, e é uma antiga e decisiva contribuição israelita para a inquirição humana pelo conhecimento e pelo entendimento. O temor do Senhor é a única base do verdadeiro conhecimento. Esse temor não consiste num terror desconfiado de Deus, mas, antes, é a admiração reverente e a resposta em adoração da fé ao Deus que se revela como criador, Salvador e Juiz. Significa o ponto de partida do conhecimento com o seu princípio básico e normativo. Enquanto que na sua graça comum, Deus capacita os incrédulos a saberem muito sobre o mundo, somente o temor do Senhor capacita o homem a saber o que alguma coisa significa em última análise. Dependendo desse entendimento, a sabedoria persegue a tarefa de refletir sobre a experiência humana.].
SINOPSE DO TÓPICO (IV)
O propósito da sabedoria nos livros de Provérbios e Eclesiastes é constituir um conjunto de valores éticos, morais e espirituais para a vida.
CONCLUSÃO
A literatura sapiencial, representada neste trimestre pelos livros de Provérbios e Eclesiastes, revela que o temor do Senhor é o fundamento de todo o saber. Ninguém pode ser considerado sábio se os seus conselhos não revelarem princípios do saber divino. Segundo a Bíblia, um sábio não se caracteriza apenas por ter muita informação ou inteligência, mas é alguém que aprendeu o temor do Senhor como a base de toda sua vida e, por isso, sabe viver e conviver (Tg 3.13-18). [Comentário:  No mundo existem muitas pessoas inteligentes, há muitas mentes criativas que ajudam a melhorar nossa vida aqui. Os incrementos tecnológicos que nos permitem tantas facilidades são um exemplo disso; no entanto, considerando a sabedoria defendida pelas Escrituras, estas pessoas não podem ser consideradas sábias, se a base de seu pensamento não for o “temor do Senhor”. Esse fato fica evidenciado na leitura de Eclesiastes quando nos deparamos com o relato triste de um homem que, embora sábio, viveu parte da sua vida longe de Deus. O propósito é mostrar, e em especial aos jovens, que o sentido da vida não está nos bens materiais, no conhecimento, no prazer, na fama. O verdadeiro sentido da vida está em Deus, o Criador! Não que devamos negligenciar a sabedoria e conhecimento seculares, não devemos nos esquecer que nem tudo que o homem produz é totalmente mau e dissociado do Criador, porquanto Sua graça comum capacita o homem a adquirir e produzir conhecimento e sabedoria. Contudo, para nós que alcançamos uma tão grande salvação, só podemos considerar verdadeiramente sábio, alguém que aprendeu o temor do Senhor como a base de toda sua vida e, por isso, sabe viver e conviver (Tg 3.13-18)].
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere
Meu coração te ofereço, Senhor, pronto e sincero (Calvino)
Campina Grande-PB
Outubro de 2013.
VOCABULÁRIO
Desencanto Existencial: Desgosto ou decepção com a realidade vivida, isto é, com a vida.
Tessitura: Modo como estão interligadas as partes de um todo; organização, contextura.
Sétuplo: Numeral que vale sete vezes o outro.
Epítome: A síntese, o resumo.
EXERCÍCIOS
1. O que o livro de Provérbios revela acerca de Salomão?
R. O livro revela que havia alguns provérbios de Salomão que circulavam nos dias do rei Ezequias. Posteriormente, eles foram compilados pelos homens desse rei (Pv 25.1).
2. Embora pertença ao mesmo gênero literário de sabedoria judaica, qual a diferença entre Eclesiastes e Provérbios?
R. Diferentemente de Provérbios, Eclesiastes apresenta-se como um discurso usado em assembleias ou templos.
3. Além de louvores e orações, o que os livros poéticos mostram?
R. Muito da sabedoria do povo de Israel.
4. Cite pelo menos três objetivos propostos na introdução do livro de Provérbios.
R. Conhecer a sabedoria, a instrução; entender as palavras da prudência; adquirir sábios conselhos.
5. Os livros de Provérbios e Eclesiastes formam uma tessitura milenar no contexto religioso judaico. Para nós, o que eles falam hoje?
R. Adaptados a nossa realidade, eles apresentam conselhos práticos para a vida cotidiana.
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
OBRAS CONSULTADAS:
-. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos; Comentarista: Pr. Elienai Cabral; CPAD;
-. Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital);
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001, Dinâmica do Reino – Confissão de Fé; p. 1239;
 -. Bíblia de Estudo Defesa da Fé: Questões reais; Respostas precisas; Fé Solidificada. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.
-. MELO, J. L. Eclesiastes versículo por versículo. RJ: CPAD, 1999, p.12;
-. Dicionário Bíblico Wycliffe. 1 ed., RJ: CPAD, 2009, p.1712.
-. http://pt.wikipedia.org/wiki/Sabedoria

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto

sábado, 28 de setembro de 2013

Pré-aula Lição 13 - O Sacrifício que Agrada a Deus

Lição 13: O sacrifício que agrada a Deus


Lição 13: O sacrifício que agrada a Deus
29 de setembro de 2013
TEXTO ÁUREO
“Eu te oferecerei voluntariamente sacrifícios; louvarei o teu nome, ó Senhor, porque é bom” (Sl 54.6).
VERDADE PRÁTICA
Ajudando os nossos irmãos, contribuímos para a obra de Deus, e, ao Senhor, oferecemos a mais pura ação de graças.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 4.14-23.
14 - Todavia, fizestes bem em tomar parte na minha aflição.
15 - E bem sabeis também vós, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente.
16 - Porque também, uma e outra vez, me mandastes o necessário a Tessalônica.
17 - Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que aumente a vossa conta.
18 - Mas bastante tenho recebido e tenho abundância; cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus.
19 - O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.
20 - Ora, a nosso Deus e Pai seja dada a glória para todo o sempre. Amém.
21 - Saudai a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo vos saúdam.
22 - Todos os santos vos saúdam, mas principalmente os que são da casa de César.
23 - A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós todos. Amém!
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Compreender como foi a participação da igreja de Filipos nas tribulações de Paulo;
Explicar o ato de reminiscência entre Paulo e os filipenses, e
Analisar a oblação e a generosidade dos filipenses.
PALAVRA-CHAVE
Oblação: [Do lat. oblatione.]; 1. Ação pela qual se oferece qualquer coisa a Deus ou aos santos; 2.Oferenda feita a Deus ou aos santos; oblata; 3.Oferecimento a Deus do pão e do vinho, feito pelo sacerdote; 4.Qualquer oferta ou oferecimento. Nesta lição: Oferta sacrifical comestível; na lição é a oferta que os filipenses entregaram ao apóstolo Paulo.
COMENTÁRIO
introdução
[Comentário: Caro leitor, pela misericórdia divina, chegamos ao final de mais um abençoado trimestre. Por treze semanas, com certeza fomos edificados, exortados e consolados através do estudo da missiva paulina aos Filipenses. Vemos em Paulo um exemplo de alguém que entregou-se totalmente ao serviço do Mestre, que colocou sua chamada e ministério sempre em primeiro lugar. Somente com total entrega, pode enfrentar as dificuldades e sacrifícios para que o Evangelho fosse difundido pelo mundo da época. Até mesmo o cárcere serviu-lhe como propulsor para alcançar vidas que, de outra forma, não seriam alcançadas com as boas novas. Mesmo estando no cárcere, ele pregou, ensinou e fez muitos discípulos. Sem dúvida alguma, a vida de Paulo foi repleta de sacrifícios e sofrimentos, todavia ele legou para uma infinidade de crentes através dos séculos até nós a termos uma vida cristã coerente e feliz. Sejamos seus imitadores!] Além de apresentar assuntos de ordem doutrinária, a Epístola aos Filipenses destaca a gratidão e a alegria do apóstolo Paulo. Nela, temos uma das mais belas expressões de amor, confiança e contentamento de toda a Bíblia. Na última lição deste trimestre, veremos Paulo apresentando a assistência que recebera dos filipenses como oferta de amor e sacrifício agradável a Deus. O apóstolo descreve o quanto o seu coração se aqueceu com a demonstração de amor e carinho dos filipenses. No final da epístola, ele revela a sua total confiança na suficiência de Cristo, pois esta lhe concedeu força para desenvolver o seu ardoroso ministério. [Comentário: Na última lição deste trimestre, destacaremos o motivo principal pelo qual Paulo escreveu esta carta aos filipenses: GRATIDÃO. Neste trimestre entramos em contato com uma igreja que sabia adequadamente o significado da palavra sacrifício ou oblação. A Igreja Filipense encarnou exatamente o que Paulo escreveu para os crentes romanos: “Rogo-vos, pois irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12.1). Os filipenses encarnaram isso até a última consequência. Mente, coração e corpo estavam em plena sintonia para fazer o bem, pois quem faz o bem em Deus, ama, e “quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8). Aqui, não há sacrifício maior que amar. Deus não o rejeita. Que a igreja de Filipos nos ensine o verdadeiro significado de humildade, serviço e amor. Tenhamos todos uma excelente e abençoada aula!]
I. A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA NAS TRIBULAÇÕES DE PAULO (4.14)
1. Os filipenses tomam parte nas aflições do apóstolo. Paulo via a participação dos filipenses em suas tribulações como o agir de Deus para fortalecer o seu coração. A expressão “tomar parte” (v.14) sugere a ideia de “partilhar com, ou coparticipar de”. A igreja de Filipos estava participando das aflições e tribulações com o apóstolo. Ela sentia as agruras de sua prisão. Por outro lado, o apóstolo sentia-se abençoado por Deus pelo fato de ser lembrado com tamanho amor e ternura pela comunidade cristã filipense. [Comentário: aflições, thlipsis; Strong 2347: Pressão, opressão, estresse, angustia, tribulação, adversidade, aflição, espremer, esmagar, apertar, sofrimento. Imagine colocar sua mão em uma pilha de coisas soltas e comprimi-los manualmente. Isso é thlipsis, colocar muita pressão no que está livre e liberto. Thlipsis é como pressionar espiritualmente a bancada. A palavra é usada para o esmagamento de uvas ou azeitonas em uma prensa. Mesmo na perseguição, Paulo goza de uma paz alegre na certeza da vitória de Cristo (Jo 16.33). A versão de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada emprega o termo ‘associando-vos’ para ‘tomar parte’, termo que torna ainda mais clara a participação da Igreja Filipense no ministério de Paulo, como ele mesmo afirma no capítulo 1.7. Os filipenses são participantes da graça com Paulo pelo apoio ao seu ministério, Paulo e os filipenses estão unidos pelo compromisso comum com o evangelho (confira 1.5)].
2. O exemplo da igreja após o Pentecostes. A igreja de Filipos vivia a mesma dimensão de serviço da comunidade de Jerusalém nos dias de Pentecostes (At 2.45-47). Com o seu exemplo, os filipenses nos ensinam que “tomar parte”, ou “associar-se”, nas tribulações de nossos irmãos é mostrar-se amorosamente recíproco. Ou seja: devemos nos amar uns aos outros, pois assim também Cristo nos amou. [Comentário: Quando um crente ou a Igreja contribui com o sustento missionário, está participando ativamente das lutas e aflições de irmãos que entregaram suas vidas para levar as boas novas do Evangelho àqueles que, como nós, não tinham qualquer esperança (Hb 10.33). O crente “já passou da morte para a vida” (1Jo 3.14), portanto, vive em comunhão com seus irmãos, sem qualquer animosidade, como evidencia dessa nova vida em Cristo - aquele não ama seu irmão, “permanece na morte” (1Jo 3.14). Associar-se com os irmãos quando estes enfrentam thlipsis, é o exemplo que a Igreja filipense nos legou! Se não o fazemos, isso evidencia que ainda não nascemos de novo!].
3. O padrão de amor para a Igreja. O amor dos filipenses para com o apóstolo Paulo mostra-nos que esse deve ser o padrão de nosso cotidiano: a generosidade no repartir constitui-se em “sacrifícios que agradam a Deus” (Hb 13.16). [Comentário: Sacrifícios de palavras devem ser acompanhados por atos de amor fraternal (Tg 1.27). Em Fp 4.18 Paulo identifica estes atos materiais “como aroma suave, como sacrifício aceitável e aprazível”, isso produz frutos a nosso favor e é um agradável e aceitável sacrifício a Deus. A pressão do sofrimento pode afastar de nossas mentes as responsabilidades fundamentais do amor.].
SINOPSE DO TÓPICO (I)
A igreja de Filipos vivia a mesma dimensão de serviço da comunidade de Jerusalém nos dias de Pentecostes.
II. REMINISCÊNCIA: O ATO DE DAR E RECEBER (4.15-17)
1. Paulo relembra o apoio dos filipenses. O versículo 15 destaca a generosidade dos crentes filipenses em relação a Paulo. Mesmo sendo uma igreja iniciante e pobre, assim que tomou conhecimento das necessidades do apóstolo, a comunidade de fé de Filipos o apoiou integralmente (v.16). Com isso, os filipenses tornaram-se cooperadores do apóstolo na expansão do Reino de Deus até aos confins da terra. É por isso que Paulo não podia esquecer do amor que lhe demonstraram os crentes daquela igreja. [Comentário: O apóstolo mantém o tom de gratidão pelo carinho dispensado dos crentes de Filipos ao longo de toda a Epístola. Era uma recíproca permanente. Paulo tinha as suas necessidades materiais supridas pelos filipenses, enquanto estes achavam-se espiritualmente sanados pelo apóstolo dos gentios. Uma relação como esta é o que Deus requer para sua igreja. Um relacionamento baseado no amor, sem interesse egoísta, mas pelo fato de estarmos ligados com o outro irmão pelo amor do Pai. A igreja filipense era uma igreja missionária, que supria as necessidades de Paulo durante suas viagens (1.4,5; 4.15-17). Sustentar os missionários no seu trabalho em prol do evangelho, é obra dignificante e aceita por Deus, “como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível” a Ele (v. 18). Por isso, aquilo que damos para o sustento do missionário fiel, é considerado oferta apresentada a Deus. Tudo que é feito a um dos irmãos, por pequeno que seja, é feito como ao próprio Senhor (Mt 25.40). Essa igreja foi a única que se associou a Paulo desde o início para sustentá-lo (4.15). Enquanto Paulo esteve em Tessalônica, eles enviaram sustento para ele duas vezes (4.16). Enquanto Paulo esteve em Corinto, a igreja de Filipos o socorreu financeiramente (2Co 11.8,9). Quando Paulo foi para Jerusalém depois da sua terceira viagem missionária, aquela igreja levantou ofertas generosas e sacrificais para atender os pobres da Judéia (2Co 8.1-5). Quando Paulo esteve preso em Roma, a igreja de Filipos enviou a ele Epafrodito com donativos e para lhe prestar assistência na prisão (4.18)].
2. O necessário para viver. O versículo 16 revela-nos outro grande fato. Enquanto o apóstolo estava em Tessalônica, a igreja em Filipos continuava a enviar-lhe “o necessário” à sua subsistência. No ato de “dar e receber”, os filipenses participavam do ministério de Paulo, pois não tinham em mente os seus interesses, mas as urgências do Reino de Deus. Por outro lado, Paulo não se deixava cair na tentação do dinheiro. As ofertas que ele recebia eram aplicadas integralmente na Obra Missionária. O apóstolo bem sabia da relação perigosa que há entre o dinheiro e a religião (1Tm 6.10,11). Tal atitude leva-nos a desenvolver uma consciência mais nítida quanto às demandas do Reino. Fujamos, pois, das armadilhas das riquezas deste mundo, pois, como disse o sábio Salomão, “quem ama o dinheiro, jamais dele se farta” (Ec 5.10). [Comentário: Os obreiros do Senhor devem aprender com Paulo uma verdade pastoral: Todo ministro de Deus deve ser transparente, comedido e consciente quanto à economia do Reino. Assim como o Deus da graça chamou os fiéis da terra para serem irrepreensíveis, Ele igualmente comissionou homens para administrar o seu rebanho com lisura, amor e muita boa vontade (1Pe 5.2,3). Essas qualidades pastorais são indispensáveis na experiência ministerial dos líderes cristãos nos dias de hoje. A figura do pastor inspira cuidado, proteção, disciplina e orientação. Jesus retratou seu próprio cuidado pela Igreja (Jo 10.1-18) e o gracioso interesse de Deus pelos pecadores (Lc 15.3-7) como ações de pastoreio. Os apóstolos designaram sobre as igrejas locais tutores designados de presbíteros) At 14.23; Tt 1.5), que deviam cuidar do povo como os pastores cuidam das ovelhas (At 20.28-31; 1Pe 5.1-4), conduzindo-os mediante seu exemplo (1Pe 5.3) longe de tudo o que é nocivo para tudo o que é bom].
3. “Não procuro dádivas”. Para o apóstolo, a oferta que lhe enviara a igreja em Filipos tinha um caráter espiritual, pois ele não andava a procura de “dádivas” (v.17). Quem vive do ministério deve aprender este princípio áureo: o ministro de Deus não pode e não deve permitir que o dinheiro o escravize. No final de tudo, o autêntico despenseiro de Cristo deve falar com verdade: “Não procuro dádivas”! Sua real motivação tem de ser o benefício da igreja de Cristo. Assim agia Paulo. Ele dava oportunidade aos filipenses, a fim de que exercessem a generosidade, tornando-os seus cooperadores na expansão do Reino de Deus (v.17 cf. Hb 13.16). [Comentário: Em virtude de seu papel, Paulo trata os presbíteros também como “pastores” (Ef 4.11). O Pastor que serve fielmente será recompensado (Hb 13.17; 1Pe 5.4; 1Tm 4.7,8). Hoje, cruzamos uma tormenta na ética pastoral, fica evidente a falta de lideranças fortes, éticas, coerentes e que sejam réplicas do modelo de liderança pastoral de Paulo. Oremos para que o Eterno conceda à sua Igreja homens compromissados, com um caráter cristão maduro e estável e uma bem ordenada vida pessoal (1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9) e que realmente entendam o cuidado amoroso de Deus Pai pelos seus filhos, que somente Ele pode suprir todas as nossas necessidades (materiais e espirituais), à medida que as apresentarmos diante dEle. O suprimento das nossas necessidades vem "por Cristo Jesus". Somente em união com Cristo e na comunhão com Ele é que podemos experimentar o provimento da parte de Deus (Gn 28.15; 50.20; Êx 33.14; Dt 2.7; 32.7-14; 33.27; Js 1.9; 1 Sm 7.12; 1 Rs 17.6,16; 2 Cr 20.17; Sl 18.35; 23; 121; Is 25.4; 32.2; 40.11; 41.10; 43.1,2; 46.3,4; Jl 2.21-27; Ml 3.10; Mt 6.25-34; 14.20; 23.37; Lc 6.38; 12.7; 22.35; Jo 10.27,28; 17.11; Rm 8.28,31-39; 2 Tm 1.12; 4.18; 1 Pe 5.7)].
SINOPSE DO TÓPICO (II)
Paulo não caiu na tentação do dinheiro. As ofertas que ele recebia eram aplicadas integralmente na Obra Missionária.
III. A OBLAÇÃO DE AMOR E SAUDAÇÕES FINAIS (4.18-23)
1. A oblação no Antigo Testamento. A palavra “oblação” está relacionada à linguagem proveniente do sistema sacrifical levítico. O termo remete-nos a estas expressões: “cheiro de suavidade” e “sacrifício agradável e aprazível” (v.18). E estas, por sua vez, estão relacionadas às “ofertas de consagração” a Deus identificadas como “holocaustos” (Lv 1.3-17), “oferta de manjares” (Lv 2; 6.14-23), oferta de libação e oferta pacífica (Nm 15.1-10). Portanto, quando falamos de oblação, referimo-nos a uma oferta sacrifical comestível — azeite, flor de farinha etc. Uma parte era queimada para memorial e a outra direcionada ao consumo dos sacerdotes (Lv 2.1-3). [Comentário: Em relação à origem dos sacrifícios, existem duas opiniões: (1) que eles têm sua origem nos homens, e que Israel apenas reorganizou e adaptou os costumes de outras religiões, quando inaugurou, seu sistema sacrificial; e (2) que os sacrifícios foram instituídos por Adão e seus descendentes em resposta a uma revelação de Deus. É possível que o primeiro ato sacrificial em Gênesis tenha ocorrido quando Deus vestiu Adão e Eva com peles para cobrir sua nudez (Gn 3.21). O segundo sacrifício mencionado foi o de Caim, que veio com uma oferta do ‘fruto da terra’, isto é, daquilo que havia produzido, expressando sua satisfação e orgulho. Entretanto, seu irmão Abel ‘trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura’ como forma de expressar a contrição de seu coração, o arrependimento e a necessidade da expiação de seus pecados (Gn 4.3,4). [Também é possível que a razão do sacrifício de Abel ter sido agradável a Deus, em contraste com sua rejeição ao sacrifício de Caim, tenha sido o fato de Abel ter trazido o que tinha de melhor (‘primogênitos’ e ‘sua gordura’) enquanto Caim simplesmente obedeceu aos procedimentos estabelecidos — Ed.] Em Romanos 1.21, Paulo refere-se à revelação e ao conhecimento inicial que os patriarcas tinham a respeito de Deus, e explica a apostasia e o pecado dos homens do seguinte modo: ‘Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças’. Depois do Dilúvio, ‘edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa e ofereceu holocaustos sobre o altar’ (Gn 8.20). Muito tempo antes de Moisés, os patriarcas Abrão (Gn 12.8; 13.18; 15.9-17; 22.2ss), Isaque (Gn 26.25), e Jacó (Gn 33.20; 35.3) também ofereceram verdadeiros sacrifícios. Um grande avanço na organização e na diferenciação dos sacrifícios ocorreu com a entrega da lei no Monte Sinai. Um estudo dos diferentes sacrifícios indicados revela seu desenvolvimento final, visando atender às necessidades do indivíduo e da comunidade” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1 ed., RJ: CPAD, 2009, p.1723)].
2. A oblação e a generosidade dos filipenses. Paulo encara como verdadeira oblação a assistência que lhe ofereciam os filipenses. Tais ofertas eram-lhe como um “cheiro suave, como sacrifício agradável a Deus” (v.18). Assim, tendo em vista a generosidade praticada pelos filipenses, Paulo declara com plena convicção: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (v.19). A expressão “o meu Deus” aponta para aquEle que haveria de suprir não somente as suas necessidades, como também as dos filipenses e também as nossas. Aleluia! [Comentário: Como sacerdotes de Deus (Ap 1.6), os crentes oferecem sacrifício de louvor e serviço dedicado aos outros. O fruto dos lábios aponta para o fato de que, como o fruto de Deus traz a vida, o Espírito Santo criará uma nova e viva adoração a Deus, vinda de nossos lábios e de todo o nosso ser].
3. Doxologia. Os versículos 20 a 23 trazem a saudação final do apóstolo à igreja em Filipos. E, como podemos observar, Paulo não poderia concluir a sua carta de forma mais adequada: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós todos. Amém!” (v.23). Ele denota, assim, que todo o enfoque da carta é Cristo, e que nós, seus seguidores, temos de nos lembrar e viver por sua graça, pois “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados” (2Co 5.19). [Comentário: “Ora, a nosso Deus e Pai seja dada a glória para todo o sempre. Amém” (4.20) - Este hino de louvor é uma amostra da adoração dos santos. Os santos não são pessoas para serem adorados, são pessoas que adoram. Culto define os redimidos, e Paulo começou a parte final de Filipenses com uma doxologia. Duas palavras gregas, doxa (glória) e logos (palavra) traduzidas como doxologia, uma palavra sobre a glória, uma explosão de louvor e adoração que honra e atribui glória a Deus. Doxologias nas Escrituras são respostas ajustadas à verdade doutrinária. Este fluído da alegria exuberante de Paulo sobre as verdades magníficas que foram inspiradas por Deus e expostas nesta carta. A verdadeira adoração flui da verdade divina! Paulo identificou o objeto de sua doxologia primeiro como nosso Deus, o único Deus vivo e verdadeiro (Jo 5.44;17.3; Rm 16.27; 1Tm 1.17; Jd 25). É o ato habitual de adorar a Deus que define os crentes, pois eles Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne (Fp 3.3). Não devemos esquecer jamais que o objeto da redenção era fazer verdadeiros adoradores (Jo 4. 23; Ap 5.9; 7.9,10)].
SINOPSE DO TÓPICO (III)
O ministro de Deus não pode e não deve permitir que o dinheiro o escravize, pois sua real motivação tem de ser o benefício da igreja de Cristo.
CONCLUSÃO
Após estudarmos esta tão rica epístola, o nosso desejo é que você ame cada vez mais o Senhor Jesus, e dedique-se a ser uma “oblação de amor” a Ele. O Senhor é o meio providenciado pelo Pai, a fim de reconciliar o mundo com Deus. Exalte o Eterno, pois você foi reconciliado com Ele em Cristo Jesus. A exemplo da igreja em Filipos, não esqueça: “a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.10). [Comentário: Assim, chegamos ao fim da Epístola do apóstolo Paulo aos Filipenses. É importante recordar que o tema geral deste trimestre objetivou aprendermos a humildade de Jesus como exemplo para a igreja contemporânea. Em cada lição víamos a humildade do Meigo Nazareno desdobrando-se na comunidade cristã antiga. A nota dominante em toda a carta é a alegria triunfante. Paulo, embora privado de sua liberdade, estava muito feliz, e incentivava e ainda incentiva seus leitores para sempre se regozijarem em Cristo. A alegria apresentada em Filipenses envolve uma ardente expectativa da iminente volta de Cristo. Ao longo da carta, Paulo demonstra a importância dos relacionamentos que deve haver entre os irmãos, trazendo a visão dos efeitos que esta união vital dos membros traz à Igreja. Ao fim da epistola, Paulo diz: “Tudo posso naquele que me fortalece” (4.13). Não é uma declaração de pensamento positivo. O que Paulo estava dizendo é que foi capacitado por Deus para passar por qualquer situação, fosse de abundância ou escassez, de humilhação ou honra, de fartura ou fome. Certamente, o obreiro de Deus precisa estar pronto para tudo isso e não apenas alegrando-se com as riquezas ou abundância. Assim é a Carta aos Filipenses, uma carta ética e prática em sua ênfase e centrada em Jesus. Para Paulo, Cristo era mais do que um exemplo, Ele era a sua própria vida!].
NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere
Meu coração te ofereço, Senhor, pronto e sincero (Calvino)
Campina Grande-PB
Setembro de 2013.
EXERCÍCIOS
1. Como o apóstolo Paulo via a participação dos filipenses em suas tribulações?
R. Paulo via a participação dos filipenses em suas tribulações como o agir de Deus para fortalecer o seu coração.
2. O que sugere a expressão “tomar parte”?
R. A expressão “tomar parte” (v.14) sugere a ideia de “partilhar com, ou coparticipar de”.
3. Qual o conselho do sábio Salomão em relação ao dinheiro?
R. “Quem ama o dinheiro, jamais dele se farta” (Ec 5.10).
4. O que são ofertas de oblação?
R. Oferta sacrifical comestível — azeite, flor de farinha etc. Uma parte era queimada para memorial e a outra direcionada ao consumo dos sacerdotes (Lv 2.1-3).
5. Como Paulo conclui a Carta aos Filipenses?
R. “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós todos. Amém!” (v.23).
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
OBRAS CONSULTADAS:
-. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos; Comentarista: Pr. Elienai Cabral; CPAD;
-. Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital);
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001, Dinâmica do Reino – Confissão de Fé; p. 1239;
 -. Filipenses - Epístolas Paulinas - E.P. myer pearlman -
http://pt.scribd.com/doc/146430796/E-P-Myer-Pearlman
-. ZUCK, R. B. Teologia do Novo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD, 2008;
-. RICHARDS, L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1 ed., RJ: CPAD, 2007.
-. PEARLMAN, M. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1 ed., RJ: CPAD, 1998.
-. Stobaeus, Florilegium 5.43.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
Francisco de Assis Barbosa