quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Lição 8: O início do Governo Humano

16 DE NOVEMBRO DE 2015

Lição 8: O início do Governo Humano



Está chegando o dia! Ainda preciso de sua ajuda para o Projeto Avanço Missionário na cidade de Parari-PB, a cidade menos evangelizada do Estado. Vamos levar o Evangelho e ação social.
Com distribuição de Bíblias e de cestas básicas, por isso nossa insistência. Falta menos de um mês, e até o momento 12 cestas básicas foram recebidas... O Blog possui 3.272 seguidores, nossa comunidade no Face tem 1800 seguidores, são mais de 5.000 acessos  diários ao Blog... mas apenas 4 doadores... chega a ser desestimulante. Será que temos aprendido alguma coisa do Senhor na Escola Dominical? Caso se sensibilize, clique aqui e veja como ajudar.


Data: 22 de Novembro de 2015

TEXTO ÁUREO
 “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1).[Comentário: Paulo não sugere que Deus aprova uma autoridade corrupta, oficiais ímpios ou legislações injustas. Algumas vezes, entretanto, em punição aos pecados de uma pessoa ou por outros motivos conhecidos por Deus, ele permite que os governantes maus tenham autoridade por algum tempo, como os profetas do Antigo Testamento freqüentemente testemunham. Idealmente, Deus concede autoridade para fazer boas obras. A maneira como esta autoridade é exercida será responsabilidade de cada um a quem ela foi concedida. Os crentes têm uma base racional distinta para se submeterem, de modo apropriado, às autoridades: o reconhecimento de que o próprio Deus é a fonte do governo na sociedade humana (Pv 18.15-16; Dn 2.21).].

VERDADE PRÁTICA
Deus instituiu autoridades e leis, a fim de preservar a sociedade humana de uma depravação total e irreversível. [Comentário: O governo cível é um meio ordenado por Deus para reger e manter a ordem nas comunidades. Em nosso mundo decaído, essas autoridades são instituições da Graça comum de Deus, colocadas como anteparo contra a anarquia e contra a dissolução da sociedade ordenada.].

LEITURA DIÁRIA
Segunda — Gn 9.6 - O livro de Gênesis e a origem do governo humano
Terça — Rm 13.1 - O princípio do governo humano revelado na Palavra de Deus
Quarta — 1Pe 2.17 - A Palavra de Deus e a honra devida às autoridades
Quinta — 1Tm 2.1,2 - Orações devem ser feitas pelas autoridades
Sexta — 1Tm 1.9,10 - A Palavra de Deus e o objetivo da lei
Sábado — Ap 19.6 - Jesus Cristo, a suprema autoridade revelada à humanidade

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 9.1-13.
1 — E abençoou Deus a Noé e a seus filhos e disse-lhes: frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra.
2 — E será o vosso temor e o vosso pavor sobre todo animal da terra e sobre toda ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar na vossa mão são entregues.
3 — Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado, como a erva verde.
4 — A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.
5 — E certamente requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; da mão de todo animal o requererei, como também da mão do homem e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem.
6 — Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.
7 — Mas vós, frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra e multiplicai-vos nela.
8 — E falou Deus a Noé e a seus filhos com ele, dizendo:
9 — E eu, eis que estabeleço o meu concerto convosco, e com a vossa semente depois de vós,
10 — e com toda alma vivente, que convosco está, de aves, de reses, e de todo animal da terra convosco; desde todos que saíram da arca, até todo animal da terra.
11 — E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra.
12 — E disse Deus: Este é o sinal do concerto que ponho entre mim e vós e entre toda alma vivente, que está convosco, por gerações eternas.
13 — O meu arco tenho posto na nuvem; este será por sinal do concerto entre mim e a terra.

HINOS SUGERIDOS
531, 532 e 588 da Harpa Cristã.

OBJETIVO GERAL
Compreender que Deus instituiu autoridades e leis para preservar a humanidade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
·         I. Mostrar que Deus estabeleceu um novo começo a partir da família de Noé;
·         II. Analisar o arco de Deus como símbolo do seu novo pacto com a humanidade;
·         III. Explicar o princípio do governo humano.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
As águas do dilúvio foram baixando até que Noé e sua família puderam deixar a arca e iniciar uma nova vida em um mundo novo, purificado do pecado pelas águas do dilúvio. Noé e sua família deram início a nova vida com sacrifício e adoração a Deus, o grande Criador (8.1-22). O Senhor então decide introduzir o governo humano no novo mundo. O governo humano é uma forma de governo onde Deus delega ao homem a direção do planeta e a administração da justiça. Esta forma de governo foi confirmada pelo filho de Deus ao declarar: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12). Deus também fez um pacto com a humanidade, prometendo que nunca mais destruiria a vida humana por intermédio de dilúvio. A Terra havia sido purificada, porém Noé e seus descendentes carregavam a semente do pecado em seus corações.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Deus fez chover sobre a terra por quarenta dias e quarenta noites. As águas caíram e brotaram em tal quantidade, que vieram a prevalecer por quase um ano. Veio a perecer, assim, toda a primeira civilização humana. Enquanto isso, Noé e sua família, na grande arca, vagavam sobre as águas que, dia a dia, iam diminuindo até que o chão enxuto apareceu.
Já fora do grande barco, os sobreviventes empreendem uma nova obra civilizatória. E, para tanto, o patriarca recebe instruções específicas do Senhor, a fim de que ele e seus filhos cumpram-lhe fielmente a vontade: edificar uma sociedade baseada no amor a Deus e ao próximo. Uma sociedade que, distanciando-se daquela região, alcançasse os confins da terra.
Tinha início, naquele momento, o governo humano, que haveria de perdurar, apesar de tantos dramas e tragédias, até nossos dias. [Comentário: Posto que o dilúvio foi uma prefiguração do batismo cristão, conforme 1Pe3.20,21, a saída de Noé e sua família da Arca pode ser tida como seu surgimento das águas da morte para uma nova vida. Eles prefiguram a nova humanidade que prevalece sobre o mal (Ap 21.7). Nesta lição, vamos estudar a dispensação do governo humano. Dispensação é um período de tempo, longo ou curto, no qual, através de uma lei fixa, Deus prova a humanidade, sob a qual a humanidade deve ser fiel e obediente para que possa receber as bênçãos prometida. Este método não só é o mais antigo, más também o mais razoável. A palavra "dispensação", vem do latim "dispensatio", significando administração,economia ou mordomia. Isso nos leva a afirmar que em cada período bíblico Deus está administrando os tempos e as diferentes revelações manifestadas ao homem. Na Bíblia vamos encontrar sete dispensações:
1. Dispensação da INOCENCIA
2. Dispensação da CONSCIENCIA
3. Dispensação do GOVERNO HUMANO
4. Dispensação da PROMESSA
5. Dispensação da LEI
6. Dispensação da GRACA
7. Dispensação do REINO OU MILENIAL.
A dispensação da consciência terminou em fracasso porque a humanidade não obedeceu às determinações de sua consciência. Por desobedecê-la durante um longo período sua consciência se enfermou a tal ponto que não podia distinguir o bem do mal. Vimos que a raça humana, em virtude de sua maldade e desobediência, foi destruída pelo Dilúvio. Depois do Dilúvio Deus dá uma nova oportunidade à humanidade, através de Noé e sua família; esta é a terceira dispensação, o "Governo Humano", tinha a completa vontade e liberdade de Deus (Gn 9.1-7), isso incluía a permissão para formar um governo humano e governar-se a si mesmo. Começou no fim do Dilúvio, durando 427 anos, até o chamado de Abraão. A dispensação termina com a humanidade intoxicada com a sua importância (Gn 11.4). O resultado foi o juízo (vs. 8,9).].


PONTO CENTRAL
Deus estabeleceu o governo humano.

I. UM NOVO COMEÇO
Noé e sua família permanecem a bordo da arca por quase um ano (Gn 7.11; 8.13). Ao deixarem a embarcação, conscientizam-se de que, de agora em diante, terão de se deparar com uma realidade inteiramente nova. [Comentário: A capacitação dos seres humanos por Deus, com esta autoridade judicial, mostra que estes permanecem diante de Deus como dominadores (Gn 1.26) e lança fundamentos para o governo pelo Estado (Rm 13.1-7).].
1. Um novo relacionamento com a natureza. Se até aquele momento o homem havia convivido harmonicamente com a criação, a partir de agora, esse relacionamento será bastante traumático. Alerta o Senhor que os animais, por exemplo, terão medo e pavor do ser humano (Gn 9.2). Para combatê-los, haveriam de surgir grandes caçadores como Ninrode (Gn 10.9).
A natureza deveria ser domada a duras penas, a fim de que o habitat dos filhos de Noé se fizesse sustentável. Sobre o assunto, declara o apóstolo Paulo: “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.22 —ARA). No Milênio, porém, tal situação será revertida (Is 11.6). Por enquanto, todos jazemos sob um pesado cativeiro. [Comentário: Depois do Dilúvio, Deus deu uma nova chance para a raça humana, representada na família de Noé. Noé é o novo Adão. Em Gn 7 e 8 testemunhamos a destruição de toda vida na face da terra, com a exceção de Noé e sua família. Deus acabou com tudo e todos, para limpar sua terra do mal. Noé achou graça, obedeceu a Deus, e foi usado grandemente por Deus. O homem passou a ter medo dos animais (9.2). Gênesis 9.2 parece indicar que antes daquele momento a convivência entre o homem e os animais tenha sido diferentes do que conhecemos hoje. Alguns intérpretes se aproveitam da ideia de um possível relacionamento harmonioso entre o homem e os animais, para explicarem como Noé conseguiu controlá-los dentro da arca.].
2. Uma nova dieta. Se antes do Dilúvio todos dispunham de uma dieta vegetal rica e farta, agora teriam de complementá-la com nutrientes animais. Todavia, deveriam abster-se do sangue (Gn 9.4). Semelhante recomendação fariam os apóstolos em Jerusalém (At 15.19,20). [Comentário: Além de vegetais para comer, agora recebem a permissão de comer carne, com certa limitação. Eles não têm permissão de participar de carne na qual fique sangue. O sangue era símbolo da vida, e no homem particularmente não tinha de ser tratado de modo leviano. Deus fez o homem conforme a sua imagem e, por isso, tinha uma condição especial. Contra comer sangue, veja Gn 9.4. Deus nunca mudou essa determinação (At l5.29). O sangue sempre foi precioso aos olhos de Deus.].
3. A bênção divina. Reconstruir a sociedade humana era tarefa nada fácil. Noé e sua família teriam de recomeçar um processo civilizatório que, por causa da grande inundação, perdera quase dois mil anos de invenções, descobertas e avanços tecnológicos.
Nessa empreitada, o patriarca e seus filhos necessitariam da plenitude da bênção divina. Bem-aventurando-os, ordena-lhes o Senhor: “Mas vós, frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra e multiplicai-vos nela” (Gn 9.7). Não demoraria muito, conforme veremos nas próximas lições, para que o homem voltasse a progredir e a ocupar os mais remotos continentes. [Comentário: A terceira vez que Deus abençoou os seres humanos e lhes ordena serem frutíferos. As bênçãos de Deus para Noé, de ser fecundo e dominar, se constituem o ato culminante de Deus na renovação da criação.].
SÍNTESE DO TÓPICO (I)
A terra foi purificada pelas águas do dilúvio e Deus estabeleceu um novo começo a partir da família de Noé.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
Professor para a introdução do primeiro tópico da lição faça a seguinte indagação: “Quanto tempo durou o dilúvio?”. Ouça os alunos com atenção e incentive a participação de todos. Explique que “Gênesis 7 e 8 registra detalhes sobre isso. Os animais entraram na arca no dia 10 do mês dois (7.8,9). A chuva começou sete dias depois (v.11), e o volume de água foi aumentando até dia 27 do mês três (v.12). A arca não toca a terra até dia 17 do mês sete (8.4). O cume de montanhas é visto no dia 1º do décimo mês (v.4), e as portas da arca finalmente são abertas em 1º do mês um (v.13). A terra estava seca o suficiente para Noé e sua família saírem em 27 do mês dois (v.14), um ano e dez dias depois que o dilúvio começou” (RICHARDS, Lawrence O.Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.30).
“O relato do dilúvio fala-nos, tanto do julgamento do mal, como da salvação (Hb 11.7). (1) O dilúvio, trazendo a total destruição de toda a vida humana fora da arca, foi necessário para extirpar a extrema corrupção moral dos homens e mulheres e para dar à raça humana uma nova oportunidade de ter comunhão com Deus. (2) O apóstolo Pedro declara que a salvação de Noé em meio às águas do dilúvio, seu livramento da morte, figurava o batismo do cristão” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.42).


II. O ARCO DE DEUS

Antes do Dilúvio, não havia chuva. Um vapor regava a terra. A partir de agora, porém, haveria de cair regularmente sobre a terra, como sinal da bênção divina (Mt 5.45). A pergunta, todavia, era inevitável: “E se viesse outro dilúvio?”.[Comentário:Há toda uma série de palavras, frases e declarações que pessoas diversas, inclusive cultas, e até obreiros, citam como se fossem da Bíblia, quando na verdade não são. Devemos nos precaver para evitar esses "senões" e impropriedades para com a Palavra de Deus. Aafirmação de que até o dilúvio não havia chovido sobre a terra é uma destas citações sem lastro. Isto dizem, tomando por base Gn 2.5,6: “Porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra (...)”. Discordando do comentarista - e o leitorexamine as Escrituras e textos auxiliares - o texto de Gn 2.5 refere-se à terra quando ainda não existia as plantas nem o homem. Vemos aí neste texto que foi antes da criação do homem que a erva não brotava por não chover, embora havia ali um vapor que não resultava no crescimento das plantas. Isto posto, discordo da posição apresentada, pois, como sabemos, após a criação do homem, houve um jardim. Caim, filho de Adão, era lavrador e, em certo momento, ofereceu frutos em sacrifício a Deus. Noé fez a Arca de madeira. Vemos então que plantas nasceram sobre a terra. Lembremo-nos que haviam dois requisitos para que as plantas nascessem: lavrador e chuva. Também vamos nos lembrar que o vapor não tinha capacidade de fazer plantas crescerem. Dessa forma, está claro que teve de haver chuva antes do Dilúvio. Pura questão de interpretação de texto].

1. Um novo pacto com a humanidade. Visando acalmar-lhes o espírito, promete-lhes o Senhor: o mundo não voltará a ser destruído por uma nova inundação. Sem essa promessa, a descendência de Noé teria desperdiçado seus esforços na construção de arcas, torres e barragens.
Em sua misericórdia, o Senhor promete: “E eu convosco estabeleço o meu concerto, que não será mais destruída toda carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra” (Gn 9.11).[Comentário:O substantivo pacto significa, segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, “ajuste”, “convenção” ou “contrato”. Estes tres substantivos são também usados para definir o significado do substantivo aliança. Diferentes versões da Bíblia em português usam os substantivos pacto, aliança, acordo e concerto para traduzir o substantivo hebraico berith que aparece cerca de 290 vezes no Antigo Testamento. Para todos esses sinônimos a ideia básica que encontramos é a união entre duas partes, um pacto ou acordo bilateral.No verso 11, o Senhor diz: “Estabeleço uma aliança”,  aquilo que precisamos tem que vir do céu.A Aliança Noética foi uma aliança incondicional entre Deus e Noé (especificamente) e Deus e a humanidade (em geral). Depois do dilúvio, Deus prometeu à humanidade que nunca mais destruiria toda a vida na Terra com um dilúvio (ver Gênesis capítulo 9). Deus deu o arco-íris como sinal da aliança, a promessa de que toda a terra nunca mais teria um dilúvio e um lembrete de que Deus pode e vai julgar o pecado (2 Pedro 2:5).].
2. O sinal do pacto noético. A fim de que a humanidade se lembrasse da misericórdia de Deus, após cada chuva, o Senhor torna-lhes bem visível o seu pacto: “O meu arco tenho posto na nuvem; este será por sinal do concerto entre mim e a terra. E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, aparecerá o arco nas nuvens” (Gn 9.13,14).
O arco de Deus, seria um fenômeno tão novo como a chuva regular. Vendo-o a cada chuvarada, os descendentes de Noé poderiam repousar nos cuidados divinos.[Comentário:“Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações.” (9:12). Esta aliança permanecerá em vigor até a época em que nosso Senhor retornar à terra para purificá-la com fogo (II Pe. 3:10). Toda aliança tem um sinal que a acompanha. O sinal da aliança Abraâmica é a circuncisão (Gn 17.15-27); o da Mosaica é a observância do Sábado (Êx 20.8-11; 31.12-17). O “sinal” do arco-íris é bastante apropriado. Ele consiste nos reflexos dos raios de sol nas partículas de água das nuvens. A mesma água que destruiu a terra forma o arco-íris. O arco-íris também aparece no final de uma tempestade. Assim, este sinal assegura ao homem que a tempestade da ira de Deus (no dilúvio) terminou.].
SÍNTESE DO TÓPICO (II)
Deus, por sua infinita misericórdia, estabeleceu um novo pacto com o homem. Este pacto teve como símbolo um arco nos céus.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
Peça que os alunos leiam Gênesis 9.9-17. Depois explique que estes versículos “falam do concerto que Deus fez com a humanidade e com a natureza, pelo qual Ele prometeu que nunca mais destruiria a terra e todos os seres viventes com um dilúvio (vv.11,15). O arco-íris foi o sinal de Deus e o memorial perpétuo da sua promessa, no sentido de nunca mais Ele destruir todos os habitantes da terra com um dilúvio. O arco-íris deve nos lembrar da misericórdia de Deus e da sua fidelidade à sua palavra” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.45).

III. O PRINCÍPIO DO GOVERNO HUMANO
Uma nova civilização estava prestes a recomeçar. Mas, para que alcançasse plenamente os seus objetivos, era imperioso que ela se formasse sob o império das leis. Por esse motivo, Deus institui o governo humano.
1. O governo humano. Teologicamente, o governo humano é a instituição estabelecida por Deus, logo após o Dilúvio, através da qual o Senhor delega ao homem não somente a governança do planeta, como também a administração da justiça (Rm 13.1). Essa instituição, sem a qual a civilização humana seria inviável, pode ser sumariada nesta única sentença divina: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gn 9.6).
O Senhor Jesus, ao ratificar esse princípio, foi enfático ao realçar o lado benevolente e amoroso que deveria reger o governo humano: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12).[Comentário:Antes do Dilúvio já havia sobre a terra um sistema de governo -sugiro ao leitor diferenciar a dispensação do governo humano, que surgiu com Noé e foi até o chamado de Abraão, do governo civil exercido pelo Estado, que é o abrangido pelo texto áureo; notemos que Adão foi constituído governador do Éden, a ele cabia administrar, lavrar e guardar o jardim, logo depois, vemos surgir as primeiras cidades e povoados, e também de alguma forma existiam regras de conduta em relação a Deus, para que pudesse ser possível diferenciar os justos como Abel, Enoque e Noé dos injustos como Caim, Lameque e etc. Porém, somente após o Dilúvio é que encontramos Deus se pronunciando de forma direta sobre o relacionamento entre os homens. Deus agora deu a Noé determinadas leis para governar a raça por elas, e o homem passou a ser responsável pelo seu próprio governo - lembremos de Hamurabi e seu código (1.700 a.C.). Algumas dessas leis formaram a base das leis humanas em todas as eras desde então. Elas são necessárias para punir criminosos, sejam indivíduos ou nações (Rm 13.1-6; 1 Pe 2.13,14); consequentemente, a aplicação das leis é necessária bem como a guerra quando uma nação torna-se criminosa (Is 11.4-9; 65.20-25; Dn 2.21; 4.17-25; 5.21; 7.1-25; 8.20-25; 9.24-27;11.2-45; Zc 14; AP 19.11-21). Teologicamente falando, “Governo Humano” é a terceira dispensação e teve a duração de 427 anos. Iniciou-se logo após o dilúvio e estendeu-se até o chamado de Abraão quando ele tinha 75 anos de idade (Gn 8.15-16; 18-19; 9.18-19; 11.10-32; 12.1-3). Por conseguinte, não devemos confundir a terceira dispensação com o governo civil pelo Estado, este possui suas bases naquele, mas não é a continuidade daquela dispensação.].
2. O aperfeiçoamento do governo humano. Israel teve em vários períodos de sua história, alguns governos que chegaram a ser perfeitos. Haja vista o reinado de Ezequias (2Cr 29.1,2). Aliás, esses homens procuraram cumprir a Lei de Moisés, porque sabiam que nenhum reino poderá ser construído anarquicamente.
Dessa forma, Noé e seus descendentes, sob as novas regras baixadas pelo Senhor, puderam dar continuidade a história humana, apesar das lacunas deixadas pelo Dilúvio.[Comentário:Os governos humanos fazem parte de um governo moral de Deus e são necessários para a preservação da sociedade humana na terra (Rm13.1-2 Rm 13:5-7 I Pe 2:13-14).Os descendentes de Noé cresceram sobre a terra. Todas as civilizações e impérios que já existiram, partiram do “multiplicai-vos” ordenado por Deus a Noé e seus filhos. Ao longo da história, a humanidade já testemunhou ótimos governos, que agiram conforme o padrão moral ordenado por Deus, como também já foi testemunhado governos tiranos, corruptos e totalmente manchados pelo pecado e agindo com influências malignas.].
SÍNTESE DO TÓPICO (III)
O princípio do governo humano se deu a partir de Noé e seus descendentes.
SUBSÍDIO DIDÁTICO
“A Instituição do Governo Humano
No século antediluviano não havia nenhum governo humano. Todo homem tinha liberdade para seguir ou rejeitar qualquer caminho. Mesmo rejeitando o Caminho, não havia refreio contra o pecado. O primeiro homicida, Caim, foi protegido contra um vingador (Gn 4.15). Sucessivos homicidas (Lameque, por exemplo) exigiram semelhante proteção (Gn 4.23,24). Durante séculos os homens haviam abusado do amor e da graça de Deus, e gastaram seu tempo entregues a toda qualidade de pecado e vício. Após o dilúvio, o caminho, o único Caminho para a vida eterna, ainda permaneceria aberto diante deles, e cabia-lhes o direito de aceitar ou rejeitá-lo. Mas se o rejeitassem, continuando desobedientes às leis divinas, eram passíveis de punição imediata por parte dos seus contemporâneos, pois Deus instituiu um governo terrestre que serviria de freio sobre os delitos dos ímpios. A ordem divina foi esta: ‘Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu’ (Gn 9.6). A pena capital é a função de maior seriedade do governo humano, e uma vez que Deus concedeu ao homem essa responsabilidade judicial, automaticamente todas as demais funções de governo foram também conferidas. O governo humano, assim construído, exercendo a prerrogativa da pena capital, foi e é sancionada pelo próprio Deus como um meio de deter os desobedientes (Rm 13.1-7; 1Tm 1.8-10). A investidura dessa autoridade e responsabilidade no homem foi uma novidade do novo pacto de Deus ao homem após o dilúvio.
Em comparação com a aliança adâmica, notamos que há: 1) maior domínio sobre o reino animal; 2) uma dieta mais ampla; 3) a promessa de Deus que não mais destruirá toda a carne; 4) e maior repressão sobre os ímpios, incluindo a prerrogativa da pena capital, que seria ao mesmo tempo uma ilustração do governo divino” (OLSON, Lawrence N. O Plano Divino Através dos Séculos:As dispensações que Deus estabeleceu para Israel, a Igreja e para o mundo. 26ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.69-71).
CONCLUSÃO
O governo humano é uma instituição divina. Foi deixado pelo Senhor, objetivando levar a civilização a cumprir os seus objetivos, até que o seu Reino seja instaurado entre nós através de Jesus Cristo, seu Filho.
Enquanto isso, todos somos exortados a obedecer aos mandatários e governantes, desde que estes não baixem leis que contrariem a Palavra de Deus, que está acima de todas as legislações humanas. Por isso, eis o nosso texto áureo: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).[Comentário:Deus, o Senhor supremo e Rei de todo o mundo, para a sua própria glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis, a ele sujeitos, e para este fim os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores. Os magistrados civis não podem tomar sobre si a administração da Palavra e dos Sacramentos ou o poder das chaves do Reino de Deus (Confissão de Westminster, capítulo XXIII. 1,3). Pelo fato de o governo civil existir para o bem de toda a sociedade, Deus lhe confere o “poder da espada”, o uso legal da força para aplicar as leis justas (Rm 13.4). Os crentes devem reconhecer isso como parte da ordem de Deus. Porém, se o governo civil proíbe aquilo que Deus exige ou exige aquilo que Deus proíbe, os crentes não devem submeter-se, e alguma forma de desobediência civil se torna inevitável (At 4.18-31;5.17-29). Temos, ainda, a responsabilidade de exigir que os governos civis cumpram o seu devido papel. Devemos orar pelos governantes, obedecer-lhes e estar atentos com relação a eles (1Tm 2.1-4; 1Pe 2.13-14), lembrando-os de que Deus os estabeleceu para governar, proteger e manter a ordem.]. “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,


PARA REFLETIR
A respeito do livro de Gênesis:

Após o Dilúvio, como seria o relacionamento do ser humano com a natureza?
Se até aquele momento, o homem havia convivido harmonicamente com a criação, a partir de agora, esse relacionamento será bastante traumático. Alerta o Senhor que os animais, por exemplo, terão medo e pavor do ser humano (Gn 9.2). Para combatê-los, haveriam de surgir grandes caçadores como Ninrode (Gn 10.9).
A dieta humana foi alterada com o Dilúvio?
Se antes do Dilúvio, todos dispunham de uma dieta vegetal rica e farta, doravante teriam de complementá-la com nutrientes animais, pois a terra já não era tão fértil como antes. Eis a razão por que Deus autoriza-os a enriquecer suas refeições com carne.
Qual a simbologia do arco de Deus?
Era um sinal do pacto de Deus de jamais destruir a humanidade novamente pelo dilúvio.
O que é o governo humano?
Teologicamente, o governo humano é a instituição estabelecida por Deus, logo após o Dilúvio, através da qual o Senhor delega ao homem não somente a governança do planeta, como também a administração da justiça (Rm 13.1).
Até que ponto devemos obedecer o governo humano?
Desde que estes não baixem leis que contrariem a Palavra de Deus, que está acima de todas as legislações humanas.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
O início do Governo Humano
“A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos” — frase atribuída a Winston Churchill. Dizem alguns filósofos que a história da humanidade pode se resumir na luta pelo poder. Ou como disse Karl Marx: “A história de toda a sociedade até aos nossos dias nada mais é do que a história da luta de classes”. Se Churchil e Marx estão certos, esta não é a discussão que desejamos levantar aqui — é bom lembrar que Churchil e Marx são cosmovisões completamente distintas uma da outra, conservadorismo x socialismo.
Entretanto, desde Noé e sua descendência, quando se começou a estabelecer um governo humano, até os dias contemporâneos, muita coisa aconteceu. Reinos se levantaram e reinos foram abatidos. Imperadores chegaram ao poder e imperadores foram retirados do poder. Os governos deixaram de ser uma pessoa para ser uma Carta Magna, com o advento das constituições federais. O Estado não é mais o indivíduo, como disse Luis XV da França (“O Estado sou eu”).
Tudo isso faz parte do plano de Deus para o governo humano. Nosso Senhor disse: “Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado” (Jo 19.11a). Nosso Senhor deixa claro que todo poder que existe no mundo foi estabelecido por Deus. O apóstolo Paulo escreveu: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1).
A ideia bíblica de que a autoridade foi ordenada por Deus para garantir a ordem e o bom funcionamento para a sociedade é apresentada nas Escrituras desde a família de Noé, quando do novo começo da humanidade, passando pela história de toda civilização humana.
Essa é uma boa oportunidade para refletirmos sobre os governos atuais que flertam com a ditadura, com a falta de interesse de desenvolver a educação da nação e a prioridade de proteger o cidadão com estratégias de segurança pública. São questões atuais e necessárias para serem refletidas. Ainda em Romanos, o apóstolo Paulo diz: “Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela” (13.3). Neste texto, está implícito que o governo, segundo a perspectiva de Deus e das Escrituras, é para fazer o bem, proteger as pessoas de bem e fazer justiça a quem for vítima de um algoz que praticar o mal.
Todo poder estabelecido no mundo provém de Deus e prestará contas a Ele!

domingo, 15 de novembro de 2015

Lição 8: O início do governo humano

PORTAL ESCOLA DOMINICAL
QUARTO TRIMESTRE DE 2015
ADULTOS – O COMEÇO DE TODAS AS COISAS  Estudos sobre o livro de Gênesis
COMENTARISTA : CLAUDIONOR CORREA DE ANDRADE

Lição 8: O início do governo humano

O INÍCIO DO GOVERNO HUMANO No recomeço da humanidade, Deus entregou ao homem a administração da justiça.
INTRODUÇÃO - Na sequência do estudo do livro do Gênesis, analisaremos hoje o estudo da primeira parte do capítulo 9, quando se institui a dispensação do governo humano. - No recomeço da humanidade, Deus entregou ao homem a administração da justiça.
I – O PACTO NOAICO - Deus havia destruído a humanidade com o dilúvio, mas havia poupado Noé e sua família, porque ele havia sido achado justo aos olhos do Senhor (Gn.7:1).
- Quando o Senhor autorizou Noé e sua família a sair da arca, mais de um ano depois do início do dilúvio, Noé tomou a iniciativa de adorar a Deus, sacrificando animais limpos em gratidão pelo livramento de que fora alvo (Gn.8:20). Por causa desta iniciativa, o Senhor tomou a deliberação de nunca mais destruir a Terra com um dilúvio, tendo, então, Noé se tornado uma bênção para toda a humanidade (Gn.8:21,22).
- Quando o Senhor avisou a Noé a respeito da destruição da Terra com o dilúvio, Ele já havia dito ao patriarca que se estabeleceria um pacto entre Deus e ele (Gn.6:18). - Tal afirmação divina mostra-nos que Deus tem sempre interesse em estabelecer um relacionamento com o homem, visando sempre o bem da humanidade, tendo por objetivo a salvação, o restabelecimento da comunhão perdida com a entrada do pecado no mundo.
- Ao mesmo tempo em que anunciava a destruição da geração rebelde que vivia no período antediluviano, o Senhor, ao dizer a Noé que estabeleceria com ele um pacto, estava mantendo de pé a promessa da redenção feita ao primeiro casal, como também indicando que se mudaria a dispensação, ou seja, a partir do dilúvio, Deus, no Seu imutável propósito de redimir o homem, passaria a tratar com o homem de um outro modo, de uma outra forma, de uma outra maneira.
- Cyrus Scofield (1843-1921) conceitua dispensação como “um período de tempo durante o qual o homem é provado quanto à obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus”. Diz ainda o grande divulgador do dispensacionalismo: “cada dispensação pode ser considerada uma nova prova do homem natural, e cada uma termina em juízo, evidenciando o completo fracasso do ser humano.”
- Segundo esta linha de pensamento, portanto, temos que Deus, no Seu plano para a salvação do homem, vai progressivamente Se revelando ao homem, apresentando ao homem, ao longo da história, o Seu amor e o Seu interesse em que haja o restabelecimento da comunhão perdida com o pecado.
- Esta revelação progressiva de Deus ao homem faz com que o homem, seguidamente, verifique o seu fracasso em se manter fiel a Deus, até que se encontra o ponto culminante deste processo, em que Deus Se faz homem e alcança para a humanidade a eterna redenção.
A dispensação, portanto, é uma forma de Deus administrar o Seu plano de salvação para a humanidade, dentro da Sua revelação progressiva ao homem, que encontra sua culminância no instante em que Ele mesmo Se revela aos homens na pessoa de Cristo Jesus, na “plenitude dos tempos” (Gl.4:4).
- Depois de ter decidido não mais destruir o homem com um dilúvio, o Senhor abençoou a Noé e a seus filhos, reafirmando-lhes o propósito divino para o ser humano, dado ao primeiro casal, qual seja, o propósito de frutificação, multiplicação e enchimento da terra (Gn.9:1).
- Observamos, portanto, que, embora tenha havido a modificação da dispensação, Deus continuou sendo o mesmo, pois Ele não muda (Ml.3:6; Tg.1:17), tanto que tudo quanto fez ao primeiro casal, à primeira família no Éden, também voltava a fazer para Noé e sua família, trazendo a bênção e determinando que eles frutificassem, multiplicassem e enchessem a Terra.
- Por isso, não podemos, de modo algum, querer “contextualizar” a Palavra de Deus, no sentido de entender que devam as Escrituras Sagradas adquirir novos significados e novos parâmetros por causa da “mudança dos tempos”. A Palavra de Deus não se altera por causa da passagem do tempo, pois ela permanece para sempre (I Pe.1:25).
- Noé tinha o encargo de repovoar a terra, de recomeçar a humanidade, juntamente com a sua família, e, portanto, deveria atender a todos os propósitos divinos, que permaneciam os mesmos.
- No entanto, se Deus não muda, isto não ocorre com o homem. Noé agora estava numa terra diferente, que, por causa do dilúvio, havia sofrido importantes alterações. A primeira é de que, doravante, haveria diversidade de climas, como também as estações do ano, já que a camada de águas que havia na atmosfera não mais existia, derramada que havia sido perante a superfície da Terra.
- Por isso, o Senhor indica a Noé que, doravante, por parte da criação terrena pavor e temor em relação ao homem, uma vez que o homem permaneceria tendo o domínio sobre a criação terrena (Gn.9:2). Tem-se aqui, na verdade, mais um distanciamento entre o homem e a natureza, consequência da intensificação do pecado que levara ao juízo do dilúvio. Deus deixava de agir somente pela consciência do homem, mas se estabelecia um terror e pavor das criaturas terrenas em relação ao ser humano precisamente para se dar ao homem mais um sinal, agora objetivo, de que o pecado trazia uma profunda desintegração e que, por isso, se deveria buscar ao Senhor e se aguardar a promessa da vinda da “semente da mulher” que restabeleceria esta comunhão perdida.
- Além deste pavor e temor, Deus, também, passava a autorizar o consumo de carne. O homem e outros animais (e até alguns vegetais) deixavam de ser herbívoros, para serem carnívoros ou onívoros. A partir do dilúvio, diante das mudanças climáticas, foi alterada a dieta alimentar de algumas criaturas, passando o homem a poder ingerir carne (Gn.9:3,4).
- No entanto, nesta modificação de dieta, o Senhor proibiu o consumo de sangue, onde estava a “vida” dos animais. Com efeito, vemos aqui que o sangue era o elemento que permitia a manutenção da vida nos animais, o que se demonstrou posteriormente pela ciência, que mostra ser o sangue o elemento que leva o oxigênio a todas as células do corpo, possibilitando a mantença da vida.
- Esta proibição de ingestão de sangue nada tem que ver com a consideração do sangue como “alma” do corpo, como ensinam equivocadamente as Testemunhas de Jeová. A alma do homem é imaterial e, portanto, não se confunde com o sangue. A vedação diz respeito à alimentação, não havendo, também, nesta determinação divina, qualquer proibição para a transfusão de sangue, até porque tudo quanto represente a manutenção da vida é algo que deva ser prestigiado e defendido pelos servos do Senhor.
- Além disto, a proibição do consumo do sangue era um indicador de como se daria a redenção da humanidade, pelo derramamento do sangue inocente da “semente da mulher”, que daria a sua vida pelo
homem. Desde o Éden, quando o Senhor havia derramado sangue de um animal para dar túnicas de peles ao primeiro casal (Gn.3:21), havia uma sacralidade no derramamento do sangue, o que era de pleno conhecimento de Noé, que havia sacrificado animais em gratidão ao Senhor (Gn.8:20). Era, pois, uma ação de reverência a Deus, o reconhecimento de que Deus era o dono da vida e que, portanto, não se poderia profanar este elemento representativo da vida.
- E, por falar em vida, o Senhor reafirmou o Seu senhorio sobre a vida dizendo a Noé que requereria o sangue de cada ser humano da mão de todo o animal como também da mão de todo de homem e da mão do irmão de cada um (Gn.9:5).
- O Senhor retomava aqui o gérmen que havia levado toda a humanidade à destruição, que tinha sido o homicídio praticado por Caim, oportunidade em que ele disse que não se sentia “guardador do seu irmão” (Gn.4:9), atitude que havia permitido que, ao longo dos anos, toda a terra se enchesse de violência (Gn.6:11).
- O Senhor apresenta-Se como o dono da vida, dizendo que o ser humano jamais poderia derramar o sangue de outro ser humano. Se o fizesse, o Senhor requereria este sangue da mão do homem, pois todo ser humano deveria verificar que todo homem é irmão do seu próximo.
- O Senhor ainda disse que quem derramasse o sangue do homem, pelo homem o seu sangue seria derramado, porque o homem era imagem de Deus e, portanto, não poderia qualquer ser humano ceifar a vida de outro (Gn.9:6).
- Esta passagem deste pacto que Deus estava estabelecendo com Noé, pacto que é chamado pelos estudiosos das Escrituras de “pacto noaico”, é fonte de grandes discussões, pois alguns veem aqui o estabelecimento da pena de morte, enquanto que outros veem aqui precisamente a proibição da pena de morte.
- Entendem alguns que quando o Senhor disse que quem derramasse o sangue do homem pelo homem o seu sangue seria derramado estava a permitir que o homem aplicasse a pena de morte ao homicida. Teria havido aqui a delegação ao homem da aplicação da justiça, inclusive com a morte daquele que matasse alguém.
- Outros, no entanto, veem aqui que o Senhor toma para Si a aplicação desta “pena de morte”. Ao dizer que o sangue do homicida seria derramado pelo homem, o Senhor não estaria a delegar aos homens a possibilidade de matar o homicida, mas, sim, uma vez que o homem é “imagem de Deus”, estaria dizendo que Ele próprio, dentro da lei da semeadura, Se incumbiria de aplicar a morte ao homicida, usando o ser humano para isso, mas não delegando aos homens a aplicação da pena de morte.
- Parece-nos que esta última posição é a correta, pois o Senhor diz que requereria Ele próprio o sangue do homem, ou seja, não daria ao ser humano o poder de ceifar a vida do homicida, pois o homem é “imagem de Deus”, a vida é algo dado pelo próprio Senhor (I Sm.2:6) e, deste modo, não é algo que possa ser impunemente retirado pelo homem de seu próximo. O texto é bem claro ao dizer que o homem foi feito por Deus e, portanto, só Ele pode retirar a vida de um ser humano.
- O texto mostra, ademais, que Deus, ao excluir a vida do domínio humano, estava pondo os limites daquilo que viria a ser o “governo humano”, ou seja, a delegação ao homem da administração da justiça, que será o grande diferencial desta nova dispensação. - O homem não poderia ceifar a vida do seu próximo, não lhe era isto delegado, pois o único dono da vida é o Senhor, mas deveria cumprir o propósito divino estabelecido ao ser humano, frutificando, multiplicando e povoando abundantemente a terra, multiplicando-se nela (Gn.9:7).
- A frutificação tem a ver com o estabelecimento de uma comunhão com Deus, com a construção de uma vida agradável a Deus. Trata-se de produção do fruto do Espírito (Gl.5:22), de frutos de justiça (Fp.1:11).A multiplicação tem a ver com a reprodução. A terra estava desabitada, depois da destruição de toda carne sobre a face da Terra com o dilúvio, e havia, então, a necessidade de se repovoar a Terra, terra que deveria ser abundantemente povoada. O Senhor reafirma que a humanidade deveria se dispersar por todo o planeta, algo que não tinha sido feito, ao menos em grande escala, pela geração anterior e que, apesar da ordem reafirmada, somente se daria após o término da dispensação do governo humano.
- Vemos aqui, mais uma vez, a necessidade que Deus dá a que as famílias tenham filhos, o dever da procriação, algo que tem sido profundamente negligenciado em nossos dias, onde a mentalidade de controle da natalidade, que tem raízes no “espírito do anticristo”, tem dominado inclusive a mente de muitos que cristãos se dizem ser.
- O “pacto noaico” é chamado pelos doutores da lei judeus de “os sete preceitos dos descendentes de Noé”, onde estariam as bases e os parâmetros estabelecidos por Deus a toda a humanidade, as bases da ética e da moralidade. Tanto assim é que, quando do concílio de Jerusalém, tais preceitos foram reafirmados e ditos que deveriam ser seguidos por todos os cristãos gentios (At.15:28,29).
- Este pacto, segundo estes doutores da lei, continham as mesmas disposições que Deus havia dado ao primeiro casal no Éden, com a inclusão da proibição do consumo de carne, a nos mostrar, uma vez mais, a imutabilidade da Palavra de Deus. OBS: “…Rabi Johanan respondeu: O escrito diz: ‘E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás’ [Gn.2:16,17] E [Ele] ordenou refere-se às leis sociais e, por isso, está escrito: ‘Porque Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para obrarem com justiça e juízo [Gn.18:19](…) Deus é [uma injunção] contra a idolatria, pois está escrito: ‘Não terás outros deuses diante de Mim’ [Ex.20:3] (…) Quando veio o Rabi Isaac, ele trouxe uma interpretação contrária. E ele ordenou – refere-se à idolatria. Deus [Elohim] para as leis sociais. Agora ‘Deus’ pode corretamente se referir às leis sociais, como está escrito: ‘…o dono da casa será levado diante dos juízes… (elohim) [Ex.22:8]…” (TALMUDE da Babilônia. Tratado Sanhedrin 56b. Disponível em: http://www.come-and-hear.com/sanhedrin/sanhedrin_56.html Acesso em 19 nov. 2014) (tradução nossa de texto em inglês) (destaques originais)
- Os rabinos viram em Gn.2:16,17 os preceitos morais, os elementos do mundo moral, chamados de “sete preceitos dos descendentes de Noé”, já que tudo foi repetido e reafirmado para Noé após o dilúvio. OBS: ““…Nossos mestres ensinam: sete preceitos foram ordenados aos filhos de Noé: leis sociais, para refrear da blasfêmia, idolatria, adultério, derramamento de sangue, roubo e de comer carne de um animal vivo…" (TALMUDE DA BABILÔNIA. Sanhedrin, 56a. Disponível em: http://www.come-and-hear.com/sanhedrin/sanhedrin_56.html Acesso em 04 nov. 2014) (tradução nossa de texto em inglês).
- Primeiro preceito (Avodah zarah) – Proibição da idolatria – “ordenou” ou “Deus” – Se Deus ordena, é porque Ele é o Senhor, não havendo pois outros deuses, sendo impossível se submeter a outrem que não o próprio Deus. Se Ele é “Deus”, não há outro. – Dt.6:4; Is.43:10,11. A idolatria é proibida a todas as nações, a todos os homens – Rm.1:18-23. Outras nações que não Israel foram punidas por causa de sua idolatria – Gn.11:7-9; 15:16. - Segundo preceito (Birkat Hashem) – Proibição de blasfêmia – ‘Senhor” – Se Deus é Senhor, deve ser obedecido, não pode ser contrariado, não pode ser ofendido, não pode ser menosprezado, desprezado, considerado algo vil – Lv.24:16; II Cr.32:17; Sl.14:1-3; I Pe.3:16; Ap.2:9.
- Terceiro preceito (Shefichat damim) – Proibição do assassinato – “homem” – Só Deus é o dono da vida (I Sm.2:6) e todo homem é imagem e semelhança de Deus e, portanto, só Deus pode retirar-lhe a vida (Gn.9:5,6). - Quarto preceito (Gilul arayot) – Proibição da imoralidade sexual – “dizendo” – Somente se pode comunicar e estabelecer comunhão com o cônjuge, com quem se faz um só diante de Deus (Gn.2:24). – ‘Dizendo” leva-nos a Jr.3:1,2.
- Quinto preceito (Gezel) – Proibição do roubo – “toda árvore”. Se temos de ter autorização de Deus para comer das árvores do jardim do Éden, isto é sinal de que não podemos usar das coisas sem autorização do seu dono. - Sexto preceito (Ever min ha-chai) – Proibição de comer com sangue – “comerás livremente”. Somente podemos comer daquilo que já está pronto para comer, ou seja, daquilo que já está devidamente morto, sem sangue, que representa a “vida” (Gn.9:4) - Sétimo preceito (Dinim) – Estabelecimento de leis de honestidade e justiça – “ordenou”, “Deus” – Deus quer que o homem viva de acordo com a Sua vontade e, portanto, é preciso estabelecer regras de convivência que estejam em conformidade com a vontade do Senhor e um sistema judicial que aplique a vontade do Senhor na sociedade – Ex.18:21-23; Rm.13:1-7.
- Este último preceito dá ideia propriamente do que se denomina “governo humano”. O Senhor não iria mais aplicar diretamente a justiça sobre a humanidade, pois não iria mais destruir a Terra com água, não iria mais fazer um novo dilúvio (Gn.9:9-11). Com exceção da vida, tudo o mais deveria ser tratado pelo homem, que deveria administrar a justiça, criando um sistema de leis pelos quais se disciplinaria a convivência entre os homens e o próprio relacionamento do homem com a natureza.
- Ao determinar que o homem administrasse a justiça, estava mandando que o ser humano tomasse as devidas providências para que, na sociedade, fossem observados os parâmetros estabelecidos por Deus para a convivência humana. É por isso que esta dispensação é chamada de “governo humano”, pois o Senhor mandou que o homem “governasse” as relações entre si, logicamente sob os princípios estatuídos por Deus.
- Por que o Senhor determinou que o homem passasse a administrar a justiça sobre a face da Terra? Precisamente porque não haveria mais de lançar um dilúvio sobre a Terra. Quando o Senhor viu que o homem era continuamente mau, determinou a destruição do homem pelo dilúvio. Para que isto não mais ocorresse, reconhecendo a falibilidade ínsita ao homem concebido no pecado (Sl.51:5), cuja imaginação do coração é má desde a meninice (Gn.8:21), mandou que o homem mesmo cuidasse da administração da justiça, algo que seria falível e que não traria a destruição total.
- Ao delegar a administração da justiça ao homem, o Senhor mostra toda a Sua misericórdia e graça, abstendo-se de destruir toda a carne sobre a face da Terra, abrindo um tempo para que o homem tivesse a oportunidade de servir a Deus. A partir deste pacto, Deus somente atuaria pontualmente, quando a Sua longanimidade chega ao limite, como, por exemplo, ocorreu nas cidades da planície (Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim).
- Por isso, não devemos nos surpreender com a insuficiência da chamada “justiça dos homens”, insuficiência que é cada vez maior em virtude da multiplicação do pecado (Mt.24:12). O estabelecimento do governo humano foi um ato de misericórdia e graça divinas para impedir a imediata aplicação da justiça a todos os homens, como se fez no dilúvio, para dar tempo ao homem para se arrepender, para garantir a existência da humanidade até a vinda da redenção por intermédio de Cristo Jesus.
- Neste pacto noaico, vemos o devido lugar do poder político e seu relacionamento com Deus. Ao determinar o Senhor que se deveria criar um sistema de administração da justiça pelos próprios homens, Deus estava a criar o governo, que é, assim, constituído por Deus (Cf. Rm.13:1), mas com propósitos bem determinados.
- As autoridades são constituídas por Deus com o propósito primeiro de administrar a justiça, de castigar os maus (Rm.13:3,4). É este o primeiro papel de um governo, impedir a impunidade, não permitir que as pessoas que vivam em desacordo com os princípios divinos estabelecidos para a convivência entre os homens fiquem impunes e tenham vantagem.
- Por isso, o “espírito do anticristo” tem instituído em todas as nações do mundo, neste período imediatamente anterior ao arrebatamento da Igreja, uma cultura da impunidade, uma permissividade cada vez mais crescente, fazendo com que se tenha um ambiente de grande injustiça e de vazio governamental, preparando, assim, uma sede pelo estabelecimento de um poder, que será suprida pelo Anticristo, em que, entretanto, em vez de se ter um governo consoante os parâmetros divinos, haverá a deificação do homem e a indevida assunção do lugar de Deus pelo homem.
- A correta posição do governo é a de ser “ministro de Deus”, ou seja, “servo do Senhor”, ou seja, deve tão somente implementar leis que estejam de acordo com os princípios estabelecidos por Deus, pois Deus é o Senhor, Deus é o soberano.
- O poder político foi criado para servir aos propósitos divinos, não para dominar sobre os homens como se Deus não existisse, como acontece no sistema gentílico que seria estabelecido precisamente na dispensação do governo humano, um sistema de rebeldia contra Deus e que poria fim a esta dispensação.
- Por isso, devemos, sim, obedecer às autoridades, pois quem não o faz estará a resistir ao próprio Deus (Rm.13:2), mas jamais devemos, nesta obediência, consentir com o “abuso de autoridade”, ou seja, o momento em que a autoridade deixa de servir aos propósitos divinos para querer colocar-se no lugar do próprio Deus, como, aliás, os apóstolos deixaram claro ao dizer aos membros do Sinédrio, o órgão máximo do poder político-religioso judeu nos tempos da dominação romana, que mais importava obedecer a Deus que aos homens (At.5:29).
- Deste modo, como servos de Deus, devemos, sim, obedecer às autoridades, interceder diante de Deus por elas (Cf. I Tm.2:1-3), mas, jamais poderemos compactuar com medidas delas provenientes que afrontem a Palavra de Deus, que contrariem os princípios bíblicos, devendo, neste caso, manter nossa obediência ao Senhor, nem que isto signifique uma desobediência civil, que deverá sempre se fazer mediante a resistência pacífica e a denúncia dos desmandos e desvios proferidos pelos governantes que se rebelarem contra a sã doutrina.
II – O SINAL DO PACTO NOAICO - Como demonstração de que, doravante, Deus não iria falar com o homem apenas através da consciência, mas que se incluíam agora elementos objetivos, situados fora do ser humano, como a própria administração da justiça, foi dado um sinal cósmico para este pacto, a saber, o arco-íris, “o arco do Senhor posto na nuvem” (Gn.9:13).
- Esta afirmação bíblica mostra toda a confluência e harmonia que há entre a revelação divina e a ciência. Por primeiro, fala-se em “nuvem”, uma realidade que somente exsurgiu na Terra depois do dilúvio, com o fim daquela uniformidade climática, ante a extinção daquela camada de águas que antes havia na atmosfera, pois a nuvem nada mais é que “um conjunto visível de partículas diminutas de gelo ou água em seu estado líquido ou ainda de ambos ao mesmo tempo (mistas), que se encontram em suspensão na atmosfera, após terem se condensado ou liquefeito em virtude de fenômenos atmosféricos. A nuvem pode também conter partículas de água líquida ou de gelo em maiores dimensões e partículas procedentes, por exemplo, de vapores industriais, de fumaças ou de poeiras…” (Nuvem. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuvem Acesso em 08 set. 2015).
- Bem se vê, portanto, que, após o dilúvio, passou a existir um diferente ciclo da água no planeta, com o estabelecimento das estações do ano e de um sistema de chuvas, até então inexistente sobre a face da Terra. As nuvens passaram, assim, a ser uma nova paisagem na atmosfera e, nestas nuvens, que eram decorrência do juízo divino, o Senhor estabelece um sinal para lembrar ao homem que jamais iria novamente destruir a Terra com água.
- Este sinal era o arco-íris. Mas o que é o arco-íris? “Um arco-íris (também chamado arco-celeste, arco-daaliança, arco-da-chuva, arco-da-velha) é um fenômeno óptico e meteorológico que separa a luz do sol em seu espectro (aproximadamente) contínuo quando o sol brilha sobre gotas de chuva. É um arco multicolorido com o vermelho no seu exterior e o violeta em seu interior; a ordem completa é vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil (ou índigo) e violeta” (Arco-íris. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Arco-%C3%ADris Acesso em 08 set. 2015).
- Vemos, pela própria definição científica do arco-íris, que ele somente foi possível depois do dilúvio, vez que se trata de um fenômeno óptico e meteorológico que separa a luz do sol das gotas de chuva, ou seja, algo somente possível depois da modificação relativa ao ciclo da água ocasionado pelo dilúvio, com a extinção da camada de águas que havia na parte superior da atmosfera e que mantinha a Terra sob uma uniformidade climática.
- Isto serve para mostrar, uma vez mais, que não qualquer divergência entre as Escrituras Sagradas e a ciência, pois enquanto a Bíblia revela a verdade, sendo ela própria a verdade (Jo.17:17), a ciência é um esforço humano para se descobrir a verdade através do uso da razão, dentro daquilo que Deus deu a cada ser humano (Ec.1:13) e, como a verdade é uma só, evidentemente a ciência tende a chegar à mesma conclusão da revelação.
- Por isso, não tem sentido algum o chamado “anti-intelectualismo”, que é a postura, infelizmente seguida por muitos que cristãos se dizem ser, de que o servo de Jesus Cristo não deve estudar nem se enfronhar na ciência, pois isto conduziria a um “desvio da fé”, como se a ciência se opusesse à verdade bíblica, mentira que tem sido contada ao longo dos últimos dois séculos.
- O que existe é uma “falsa ciência”, cujo objetivo não é trazer conhecimentos nem tampouco encontrar a verdade, mas, sim e tão somente, opor-se à Bíblia Sagrada, como já nos dava conta o apóstolo Paulo em I Tm.6:20, Paulo, aliás, um erudito no seu tempo.
- Como já dizia o saudoso irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu, fundador do Portal Escola Dominical, não nos impressionemos quando Bíblia e ciência divergem, pois, um dia, a ciência chegará à verdade e concluirá no mesmo sentido da revelação divina.
- Quando o homem visse o arco-íris, deveria se lembrar de que Deus havia prometido de que nunca mais destruiria a terra com água, de que havia um compromisso firmado com o homem de que, doravante, nunca mais ocorreria um dilúvio, prova de que, como já dissemos na lição anterior, o dilúvio foi universal, visto que ainda ocorrem grandes inundações sobre a face da Terra, como foi o caso do “tsunami” que abrangeu diversos países da Ásia em 2005, com mais de 200 mil mortes, mas que não abrangeram toda a Terra como ocorreu com o dilúvio presenciado por Noé e sua família.
- O arco-íris é um eloquente sinal, situado fora da consciência do homem, fora do seu interior, que está a demonstrar toda a graça e misericórdia divina. Toda vez que vemos o arco-íris, devemos nos lembrar da solene promessa de que Deus não iria destruir a humanidade com o dilúvio, apesar de o homem continuar tendo uma natureza pecaminosa, da imaginação do seu coração ser má continuamente (Gn.8:20).
- O homem não havia mudado, era incapaz de, por si só, modificar a sua maneira de ser, mas o Senhor, fiel à Sua promessa de que, da semente da mulher, viria alguém que restabeleceria esta comunhão com Ele, suportaria toda a maldade humana, toleraria a presença do pecado até a “plenitude dos tempos”, para mostrar que amava o homem e queria o seu bem.
- Deus não estaria a consentir com o pecado, mas estaria a dar uma real oportunidade de salvação ao pecador. Tanto não toleraria o pecado que determinou ao homem que elaborasse um sistema de administração da justiça, criando leis que levassem os homens, na sua convivência com o próximo, a obedecer aos preceitos estabelecidos pelo próprio Deus e constantes do “pacto noaico”, como também que respeitasse a vida do próximo, intervindo o próprio Senhor diretamente quando o postulado da defesa da vida não fosse observado.
- No entanto, mesmo diante desta maldade ínsita ao homem, o Senhor, por graça e misericórdia, Se absteria de tornar a mandar um novo dilúvio sobre a face da Terra, deixando a marca nas nuvens, o arco-íris, para que o homem, diante desta dupla face de Deus, a justiça e a misericórdia, se esforçasse para fazer a vontade divina, para cumprir os preceitos por Ele estabelecidos, confiando e esperança o cumprimento da promessa da redenção por meio da “semente da mulher”.
- O arco-íris representava a longanimidade divina, a paciência de Deus para com o homem, pois Noé não deveria se esquecer do que havia profetizado Enoque, o sétimo depois de Adão, de que todos os ímpios haveriam de ser devidamente punidos pelo Senhor no tempo oportuno (Jd.14,15), profecia, aliás, na qual o patriarca havia crido e, por isso, sido um varão reto e justo em suas gerações, o que fez com que fosse agraciado pelo Senhor com o seu livramento do dilúvio (Gn.6:8,9; 7:1).
- Deus disse que toda vez que houvesse nuvens no céu, prenunciando uma grande chuva, Ele Se lembraria do Seu concerto com a humanidade e o arco-íris apareceria como lembrança da promessa divina, como sinal de Sua fidelidade, sinal que diria que nunca mais haveria um dilúvio sobre a face da Terra.
- “…O efeito do arco-íris pode ser observado sempre que existirem gotas de água suspensas no ar e a luz do sol estiver brilhando acima do observador em uma baixa altitude ou ângulo. O mais espetacular arco-íris aparece quando metade do céu ainda está escuro com nuvens de chuva e o observador está em um local com céu claro. Outro local propício à apreciação do arco-íris é perto de cachoeiras.…” (Arco-íris. In: WIKIPÉDIA. end.cit.). Nesta descrição, vemos como o arco-íris exsurge com maior vigor quando metade do céu ainda está escuro, ou seja, quando há um quadro veemente de chuva, uma aparência de destruição pela água.
- Após o estabelecimento do pacto, é dito que Noé e sua família, cumprindo o propósito divino, fez o recomeço da vida sobre a face da Terra, buscando frutificar, multiplicar e encher a Terra como determinado, pois todas as nações existentes sobre a face da Terra descendem dos filhos de Noé, a saber: Sem, Cão e Jafé, pois, como diz Gn.9:19, “…destes se povoou toda a terra”.
- No entanto, como sói ocorrer com relação ao homem em todos os pactos firmados por Deus, não duraria muito e o homem haveria novamente de fracassar, a começar no seio da família do próprio Noé, como haveremos de ver na próxima lição.


Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco