segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Lição 1 - Escatologia, o Estudo das Últimas Coisas

AUXÍLIO AO ALUNO EBD

PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2016
ADULTOS - O FINAL DE TODAS AS COISAS - Esperança e glória para os salvos
COMENTARISTA: ELINALDO RENOVATO DE LIMA
COMENTÁRIO: EV. CARAMURU AFONSO FRANCISCO

INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE

 Estamos dando início a mais um ano letivo da Escola Bíblica Dominical, agradecendo ao Senhor por ter mantido, em nosso país, a liberdade de culto e de crença e, assim, podermos estudar, sem restrições, a Sua Palavra.
 Neste primeiro trimestre, teremos um “trimestre temático”, ou seja, estudaremos um tema nas Escrituras Sagradas, mais precisamente a Escatologia, que é a doutrina das últimas coisas.
 Se terminamos o ano de 2015 estudando o começo de todas as coisas, haveremos de, no início de 2016, estudar o final de todas as coisas.
 O estudo da escatologia é extremamente importante para o nosso crescimento espiritual, pois demonstra que a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, porquanto o estudo da Escatologia mostra que Deus está no pleno controle de todas as coisas e que, por isso, podemos n’Ele confiar plenamente.
Quando os crentes ficaram perplexos, olhando para o céu, após a ocultação da figura física de Jesus, de imediato o Senhor mandou dois anjos para lembrar àqueles discípulos que aquele Jesus, que havia acabado de retornar aos céus, haveria de voltar da mesma forma que havia subido para a glória (At.1:11).
 Esta prontidão divina em fazer os discípulos relembrarem as promessas de Jesus a respeito da Sua volta revela-nos quão importante é o estudo das profecias bíblicas ainda não cumpridas, daquilo que brevemente há de acontecer, para a vida espiritual de cada cristão.
Com o impacto daquelas palavras, os discípulos encontraram disposição para saírem do monte das Oliveira e iniciar um período de oração de dez dias no cenáculo, dando início, assim, ao trabalho evangelístico que perdura até hoje, quase dois mil anos depois, um trabalho feito sob a perspectiva da volta de Cristo.
 Como diz conhecido hino da Harpa Cristã, “nossa esperança é Sua vinda”. Sem a perspectiva da volta de Cristo, não há esperança para o crente, não há sentido em nossa vida espiritual, a nossa adoração a Deus perde a razão de ser.
 Não é, pois, por outro motivo, que o nosso adversário tem procurado, de todas as formas, retirar dos púlpitos as mensagens em torno destes assuntos, como também levantado um sem número de seitas e heresias cujo intento é, de modo prioritário, alterar e distorcer a verdade a respeito da doutrina das últimas coisas, visando, assim, estabelecer um ambiente de confusão e de desesperança entre os crentes.
 Este trimestre assume, assim, uma grande relevância para a Igreja, sendo uma rara oportunidade para reavivarmos entre os crentes o interesse pelas coisas que brevemente hão de acontecer, impedirmos que se apague a chama da esperança da volta de Cristo e, com isso, impulsionarmos os crentes a realizarem a obra deste tempo do fim e se prepararem para encontrar com o seu Senhor nos ares.
O trimestre pode ser dividido em quatro blocos. O primeiro, uma introdução ao tema, com o estudo dos aspectos gerais da doutrina das últimas coisas, que abrange a lição 1.
O segundo bloco diz respeito aos eventos escatológicos concernentes à dispensação da graça e à Igreja, abrangendo os fatos que estão profetizados ainda durante a presença da Igreja na Terra e os eventos que ocorrerão com a Igreja após o arrebatamento, Este bloco contém as lições 2 a 7, onde estudaremos os sinais da volta de Cristo, a necessidade da esperança do retorno de Cristo e da vigilância por parte dos salvos, o arrebatamento, as bodas do Cordeiro e o Tribunal de Cristo.
O terceiro bloco diz respeito aos eventos escatológicos que não dizem respeito à Igreja mas que envolvem tanto judeus quanto gentios, abarcando as lições 8 a 11, quando estudaremos a respeito da Grande Tribulação, da vinda de Jesus em glória, do Milênio e do juízo final.
Por fim, no quarto bloco, que abrange as lições 12 e 13, estudaremos sobre a consumação de todas as coisas, falando dos novos céus e da nova terra e do destino final dos mortos.
A capa deste trimestre apresenta-nos um relógio, que está se aproximando da hora cheia, a nos lembrar o que nos fala o apóstolo João em sua primeira epístola, em I Jo.2:18, quando o “apóstolo do amor” nos alerta que já estamos na última hora, ou seja, que a volta de Cristo é iminente, que todos os salvos precisam estar preparados, pois os sinais apontados pelo Senhor Jesus estão se cumprindo, a nos mostrar que, muito breve, o Senhor virá buscar a Sua Igreja desencadeando os últimos eventos preditos nas Escrituras Sagradas.
 Ao mesmo tempo, esta ilustração faz-nos lembrar da advertência feita pelo apóstolo Pedro, em sua segunda epístola, em II Pe.3:3,4, quando o apóstolo nos predisse que a descrença na volta de Cristo e no cumprimento das profecias a respeito dos últimos dias é obra de escarnecedores, de pessoas que vivem no pecado e, como agentes do diabo, querem nos fazer crer que Cristo não mais virá e que, portanto, podemos viver em dissoluções e em desobediência ao Senhor.
O comentarista desta lição é o pastor Elinaldo Renovato de Lima, presidente das Assembleia de Deus em Parnamirim/RN.
Que o estudo da doutrina das últimas coisas possa nos fazer aumentar a nossa esperança na volta de Cristo e nos levar a uma santificação ainda mais intensa, pois somente aqueles que vigiarem e se mantiverem fiéis ao Senhor poderá ver a face gloriosa do Senhor nas nuvens no dia do arrebatamento.
B) LIÇÃO Nº 1 – ESCATOLOGIA, O ESTUDO DAS ÚLTIMAS COISAS
A promessa da volta de Cristo e as profecias escatológicas são a razão de ser da esperança da igreja.
INTRODUÇÃO
- Estudaremos nesta lição a doutrina das últimas coisas, a Escatologia, que são os ensinos bíblicos a respeito dos “últimos dias”, entendidos estes como o tempo que se passa a partir da vitória de Cristo sobre a morte e o pecado.
- A promessa da volta de Cristo e o fim do atual período da dispensação da graça é a profecia mais repetida em o Novo Testamento e, por isso, não deve nos surpreender o fato de que se trata de uma das doutrinas contra as quais o adversário tem lutado duramente, buscando, assim, iludir os incautos e roubar-lhes a esperança da glória futura.
 I – A DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS: ESCATOLOGIA
– Uma das doutrinas bíblicas diz respeito ao ensino do que Deus nos revelou a respeito das profecias relacionadas com o término da dispensação da Igreja e os fatos subsequentes até o final da história humana, ou seja, a chamada “doutrina das últimas coisas”, isto é, o ensino a respeito dos últimos fatos que acontecerão na história da humanidade, doutrina esta que recebeu o nome grego de “Escatologia”, palavra que significa literalmente “estudo das últimas coisas”, pois vem do grego “escata”, que significa, as últimas coisas, e “logos”, estudo.
- Antes de dar início ao estudo da doutrina das últimas coisas, devemos entender, primeiramente, porque e para que Deus quis deixar revelado ao homem o que iria acontecer, que é, precisamente, o objeto desta doutrina bíblica. Ao mostrar as coisas que ainda iriam ocorrer, Deus quis não saciar uma natural curiosidade do homem a respeito do futuro, que poderíamos, inclusive, dizer que se trata de uma nota da própria natureza humana, mas, sobretudo, mostrar, com isso, pelo menos três coisas, a saber:
a) Deus é soberano e, portanto, O Senhor de todas as coisas, inclusive da história, a ponto de poder dizer, com antecedência, o que irá acontecer.
b) O homem que decide servir a Deus não precisa ficar atônito com relação ao futuro, pois sabe o que irá acontecer, porque certas coisas têm acontecido, diante da revelação divina.
c) O homem que decide servir a Deus, por saber o que, porque e para que as coisas à sua volta estão acontecendo, tem renovada a sua fé, aumentada a sua esperança bem como o seu ânimo em servir ao Senhor enquanto aqui viver.
- Devemos, portanto, ao estudar a doutrina das últimas coisas, não nos deixar levar pela curiosidade pura e simples, nem enxergá-la como um exercício de futurismo ou de adivinhação, mas, sobretudo, como um eficaz e necessário instrumento para que venhamos a servir a Deus com mais fé, esperança e disposição.
- A Escatologia é, portanto, o estudo das coisas que foram reveladas por Deus e que se encontram na Sua Palavra a respeito daquilo que ocorrerá no final dos tempos, no final da história humana. Daí porque muitos relacionarem os estudos escatológicos ao “fim do mundo”, expressão que não é errada, mas que é uma simplificação muito grande que pode levar a erros. Os crentes sabem que este mundo em que nós vivemos irá ser substituído por um novo céu e uma nova terra e que, portanto, terá um fim, mas o crente não pode se iludir com discursos que surgem a respeito do “fim do mundo”, como se isto fosse acontecer de forma repentina, através de uma catástrofe, como se dizia no tempo da chamada “guerra fria” (período entre 1947 a 1989, quando Estados Unidos e União Soviética se enfrentaram, sem uma guerra direta, pelo controle do planeta). Os cristãos devem aprender, pela revelação constante na Bíblia Sagrada, o que ocorrerá antes deste final dos tempos e, no cumprimento das profecias, ter ainda mais alicerçada a sua fé no Senhor.
- Parte considerável das Escrituras Sagradas é formada de textos proféticos, mensagens de Deus aos homens em que, não poucas vezes, o Senhor mostra todo o Seu controle sobre a história da humanidade, revelando, com antecedência de séculos e milênios, fatos que ainda iriam acontecer. O Senhor mostra, assim, que para Ele o tempo simplesmente não existe, tudo é um eterno presente e que, por isso, é necessário que n’Ele confiemos e Lhe obedeçamos, pois só assim teremos condição de participar da eternidade na Sua companhia, pois nada Lhe foge ao controle.
- Alguns estudiosos da Bíblia, inclusive, dizem que a Escatologia não abrange apenas os fatos históricos que ainda estão por acontecer, dentro de nossa atual dispensação, mas abrange toda a atividade profética constante das Escrituras, pois, as profecias a respeito da primeira vinda de Jesus, por exemplo, são tão escatológicas quanto as profecias que se referem à Sua segunda vinda, uma vez que, nos dois casos, o fato de Jesus já ter vindo a este mundo uma vez não altera a circunstância de que Deus fez as revelações antes que os fatos tenham acontecido, sendo, pois, uma ação divina de igual natureza tanto num caso quanto noutro.
- Embora até concordemos com este ponto-de-vista, temos que o objeto do estudo desta lição diz respeito aos fatos que ocorrerão a partir do instante em que a Igreja se constitui no povo de Deus aqui na Terra, este período de tempo na história humana em que Cristo concluiu a Sua obra de reconciliação entre Deus e o homem e esta boa nova é anunciada a todas as nações, com a plena e livre ação do Espírito Santo sobre a humanidade, pronta a convencê-la dos seus pecados e a fazer prosperar a pregação do Evangelho, que é levada a efeito pela Igreja.
- Dentro desta perspectiva, vemos que a doutrina das últimas coisas tem como profecia-chave, como elemento de base, a revelação feita por Deus, através do anjo Gabriel, ao profeta e grande estadista Daniel, conhecida como a “profecia das setenta semanas”, que se encontra em Dn.9:24-27. É a partir desta revelação que se deve estruturar todo o estudo das últimas coisas.
- O profeta Daniel, como sabemos, estava cativo desde a sua adolescência na corte babilônica. Fiel a Deus, prosperou naquela corte, chegando, mesmo, a atingir o ápice da carreira administrativa, tendo sido o único homem que, em toda a história da humanidade, serviu a três civilizações proeminentes distintas (Babilônia Média e Pérsia). Apesar de toda esta proeminência, Daniel jamais se esqueceu de sua condição de judeu, de integrante do povo escolhido por Deus e, até por causa da sua visão de estadista (o estadista é aquela pessoa que, dentro de suas habilidades políticas, enxerga as próximas gerações e não apenas a próxima eleição, como costuma ocorrer com os políticos em geral), ao perceber que se completavam os setenta anos profetizados por Jeremias para a duração do cativeiro, passou a indagar o Senhor a respeito do futuro do seu povo, do futuro de Israel, já que não via como, humanamente, no limiar do domínio persa sobre o Oriente, poderia haver a restauração de Israel e o cumprimento das profecias até então existentes a respeito de uma aliança perpétua entre Deus e o Seu povo.
- Em resposta a esta oração sincera de Daniel, Deus, então, enviou o anjo Gabriel, que veio transmitir a mensagem divina relativa às setenta semanas, mensagem esta que só foi entregue após uma luta espiritual entre anjos, a demonstrar que o inimigo tentou (e sempre tentará) impedir que houvesse esta revelação, porquanto o conhecimento a respeito do que vai acontecer traz benefícios espirituais importantíssimos para os servos do Senhor. Não é por acaso, portanto, que os falsos ensinos têm tido a escatologia sempre como um dos alvos preferenciais, seja com distorções doutrinária, seja com o relegar deste estudo ao último plano.
- Não é nosso objetivo aqui, até porque não é este o tema de nosso estudo nesta lição, dissecarmos a profecia das setenta semanas de Daniel, mas, sim, de demonstrar que é a partir do que está nesta profecia que devemos compreender as profecias bíblicas ainda não cumpridas naquele tempo e, em especial, as que ainda não se cumpriram no nosso tempo, ao mesmo tempo em que destacamos alguns elementos presentes nesta profecia e que são a chave para uma compreensão correta da escatologia bíblica.
- Em primeiro lugar, como vimos, a profecia veio em resposta a um pedido do profeta Daniel, um servo de Deus, sobre o futuro do povo de Deus, vez que se estavam cumprindo os setenta anos anunciados por Jeremias para a duração do cativeiro. Portanto, a escatologia está sempre relacionada com o futuro de Israel depois do cativeiro da Babilônia. A relação, pois, entre a escatologia e o povo de Israel é inevitável e sempre deve estar na mente dos crentes.
- Em segundo lugar, na profecia das setenta semanas, vemos uma revelação destinada a um estadista experimentado, como era o profeta Daniel, e a quem Deus já havia revelado o futuro da humanidade através da revelação e interpretação de sonhos. Assim, um outro elemento que deve nos chamar a atenção é que a escatologia bíblica se relaciona, também, com o movimento do poder político entre as nações sobre a face da Terra. Assim sendo, é impossível falarmos em termos escatológicos sem avaliarmos o movimento do poder político entre as nações, ou, para usarmos uma expressão muito em voga nos nossos dias, o cenário político internacional.
- Em terceiro lugar, na profecia das setenta semanas, vemos qual é o objetivo de todos os fatos que ocorrerão no período final da história. O anjo Gabriel disse ao profeta que “…setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos santos…” (Dn.9:24), ou seja, a finalidade de todo este movimento histórico outro não é senão pôr fim ao pecado que separa Deus do homem e, com isto, reinstituir aquela comunhão plena que havia entre Deus e o homem antes que os nossos primeiros pais pecassem. A história nada mais é do que o período em que Deus e homem viveram separados um do outro por causa do pecado cometido pelo homem e o fim da história será o fim desta separação, com o retorno da comunhão entre Deus e o Seu povo, de forma absoluta, como se descreve em Ap.21:3. Só então, quando o homem desfrutar desta comunhão plena com o seu Senhor e Criador, não haverá mais necessidade de profecia ou de visão, passando o homem a habitar plenamente no “Santo dos santos”, ou seja, na intimidade com o Senhor, por intermédio do sangue de Jesus que já foi derramado no Calvário.
II – AS LINHAS DE PENSAMENTO DA ESCATOLOGIA NA HISTÓRIA DA IGREJA
- A partir da profecia das setenta semanas, podemos elaborar uma espécie de cronograma dos acontecimentos escatológicos, uma espécie de calendário dos últimos dias, cujos eventos seriam estudados, à luz da Bíblia, na doutrina das últimas coisas, considerando, logicamente, a versão restrita de somente estudarmos aquilo que ainda não aconteceu a partir do nosso momento histórico.
- A profecia das setenta semanas inicia, como não poderia deixar de ser, com o término do cativeiro de Babilônia, que era o objeto da preocupação do profeta Daniel, indagação a que se respondia com esta revelação (cfr. Dn.9:2). Assim, a revelação dada ao profeta estabeleceu que haveria uma ordem para a restauração e edificação de Jerusalém e que, a partir desta ordem, haveria um tempo de sete semanas para o término da obra. Efetivamente, da ordem dada por Ciro para a reconstrução de Jerusalém (II Cr.36:22,23 e Ed.1:1) até o término da obra por Neemias (Ne.6:15), houve um período de 49 anos, ou seja, sete semanas de anos.
- Em seguida, a profecia fala de “sessenta e duas semanas” até a vinda do Messias, que era a grande promessa escatológica da época de Daniel, conforme havia sido profetizado desde Moisés, mas, de uma forma direta, através dos ministérios de Isaías e Miquéias. Quando verificamos os episódios históricos, vemos que, entre a reconstrução de Jerusalém, terminada por Neemias, e a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, passaram-se 434 anos, ou seja, 62 semanas de anos.
- A profecia, então, diz que Messias seria tirado e não seria mais (Dn.9:25). Isto se cumpriu literalmente, pois, realmente, os judeus rejeitaram Jesus, mandando-o à crucificação (Mt.27:23-26), tendo, então, havido a interrupção do relacionamento entre Deus e o povo judeu, que Paulo, em sua carta aos Romanos, figura como sendo a quebra dos ramos naturais da oliveira e o enxerto do zambujeiro (Rm.11:17-32). Há, então, uma parada na profecia das setenta semanas, pois surge aí um período de tempo que não se refere ao povo de Israel (a profecia das setenta semanas diz respeito ao povo de Daniel, ou seja, a Israel, como se vê de Dn.9:24), que é o período chamado de “dispensação da Igreja” ou “dispensação da graça”.
- Até este ponto, como se trata de fatos já acontecidos ao tempo do surgimento da Igreja como o novo povo de Deus na Terra, não há discussão. A polêmica aparece quando se trata de perguntar quando haverá o cumprimento da última semana de Daniel e o que está para acontecer.
- Ao longo da história da Igreja, surgiram diferentes linhas de pensamento a respeito destes dois assuntos, o que faz com que tenhamos, necessariamente, diferentes escatologias, sendo necessário apresentarmos as diversas linhas de pensamento e nos posicionarmos, para que venhamos a ter um estudo profícuo e sem confusões.
- Com relação ao período da última semana de Daniel, tem sido ele conhecido pelo nome de “Grande Tribulação”, expressão tirada de Ap.7:14, qualificada como um “tempo de angústia que nunca houve” (Dn.12:1). Basicamente, três têm sido os pensamentos a respeito de quando ocorrerá este período, a saber:
a) o pré-tribulacionismo – é a linha de pensamento que entende que a Grande Tribulação ocorrerá imediatamente após o arrebatamento da Igreja, ou seja, a Igreja não passará pela Grande Tribulação. É a posição oficial das Assembléias de Deus.
b) o mídi-tribulacionismo – é a linha de pensamento que entende que metade da Grande Tribulação ocorrerá antes do arrebatamento da Igreja, ou seja, a Igreja não passará pela segunda metade da Grande Tribulação. É a posição que tem sido assumida no período recente por diversos estudiosos da Bíblia, inclusive ensinadores vinculados às Assembléias de Deus.
c) o pós-tribulacionismo – é a linha de pensamento que entende que a Igreja sofrerá toda a Grande Tribulação, negando até a existência do arrebatamento da Igreja como um evento separado da vinda de Jesus em glória. É a posição oficial dos movimentos adventistas.
- Com relação aos fatos que ainda irão acontecer, independentemente do cumprimento da última semana de Daniel, há, ainda, uma discussão a respeito do reino milenial de Cristo. Como já dissemos, um elemento central da escatologia do Antigo Testamento era o estabelecimento do reino do Messias em Israel, algo que, até hoje, é aguardado com ansiedade pelos judeus. Esta esperança messiânica está patente na própria profecia das setenta semanas, onde o Messias é citado nominalmente. Nesta mesma profecia, entretanto, é dito que o Messias seria tirado e não seria mais, como a indicar que, na sua primeira aparição, o Messias não cumpriria todas as profecias a respeito de um reino que terá sobre as nações.
- Não foi difícil aos cristãos, então, ante os próprios ensinamentos do Senhor, compreenderem que haveria um reinado de Cristo sobre a Terra, algo que o Senhor deixou claramente para o futuro, quando indagado a respeito pelos discípulos, pouco antes de Sua ascensão (At.1:6,7), e que foi confirmado depois pelos anjos mandados após o desaparecimento físico do Senhor (At.1:11). Este reino, inclusive, foi revelado à Igreja, duraria mil anos (Ap.20:4), daí, então, passar a ser conhecido como o “reino milenial de Cristo” ou, simplesmente, de “milênio”. - Pois bem, ao longo da história da Igreja, surgiram, também, três linhas de pensamento a respeito do milênio, correntes estas que também influenciam decisivamente o estudo da doutrina das últimas coisas, a saber:
a) o pré-milenismo – é a linha de pensamento segundo a qual o reino milenial de Cristo é anterior ao julgamento final e ao fim da história humana, ou seja, antes do fim deste mundo, Cristo ainda reinará mil anos sobre a Terra. É a posição oficial das Assembléias de Deus.
b) o pós-milenismo – é a linha de pensamento segundo a qual o reino milenial de Cristo é posterior ao julgamento final e ao fim da história humana, ou seja, o milênio, na verdade, é o estado eterno, o novo céu e a nova terra onde habita a justiça, sendo a expressão “mil anos”, pois, metafórica, que significa a eternidade. É a posição dos movimentos adventistas.
c) o amilenismo – é a linha de pensamento segundo a qual o reino milenial de Cristo é a própria dispensação da Igreja, ou seja, o reino de Cristo é o domínio da Igreja sobre o mundo, o triunfo da evangelização. Quando todos os homens se converterem, virá o fim da história. É a posição oficial da Igreja Romana.
- Percebe-se, de pronto, que o estudo da doutrina das últimas coisas é difícil e exige muito cuidado por parte do cristão. Conforme nos posicionamos nesta ou naquela linha de pensamento, a respeito destes dois assuntos que advêm da profecia das setenta semanas, teremos conclusões diferentes e, muitas vezes, contraditórias entre si. A verdade, sabemos, é única, é uma só e, por isso, não podemos admitir interpretações conflitantes. Admitimos, entretanto, que, em certos pontos absolutamente secundários, poderemos até considerar pontos-de-vista nascidos em linhas de pensamento diferentes, dentro da máxima cunhada por Agostinho, segundo a qual, em teologia, devemos ter unidade nas coisas essenciais; liberdade, nas coisas secundárias e caridade (isto é, o amor “agape”), em todas elas. As Assembleias de Deus adotaram oficialmente as linhas pré-tribulacionista e pré-milenista. OBS: O item 11 do Cremos das Assembleias de Deus é bem claro a este respeito, “in verbis”: “Cremos: Na Segunda premilenial de Cristo, em duas fases distintas. Primeira - invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação; segunda - visível e corporal, com sua Igreja glorificada, para reinar sobre o mundo durante mil anos. (1Ts 4.16. 17; 1Co 15.51-54; Ap 20.4; Zc 14.5 e Jd 14)”.
III – A NECESSIDADE DO ESTUDO DA DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS
- Mas é necessário estudarmos a “doutrina das últimas coisas”? Em que isto contribui para a vida espiritual do cristão. Não bastaria a ele saber que Jesus vai voltar e se manter preparado para esse grande dia?
- Em primeiro lugar, devemos observar que este estudo é necessário porque Deus não faz coisa alguma sem qualquer propósito ou finalidade. Se parte considerável das Escrituras está relacionada com a doutrina das últimas coisas, é sinal de que há necessidade de o homem saber as coisas que irão acontecer, pois, se assim não fosse, Deus não “perderia tempo” em revelá-las e em tanta quantidade.
- Em segundo lugar, temos de ter a consciência de que, quando Deus diz ao homem o que irá acontecer, está, sem dúvida alguma, mostrando ao homem que é o Senhor de todas as coisas, que tudo está sob o Seu controle, inclusive a história humana. A palavra profética mostra ao homem, ser racional e moral, que Deus é, realmente, o Senhor da história e que está no controle de todas as coisas, tanto que, com antecedência, diz o que irá acontecer. Através do estudo da Escatologia, portanto, vemos que Deus é onisciente, porque sabe todas as coisas; onipotente, porque tem poder para realizar aquilo que foi prometido e predito e onipresente, pois está presente tanto no momento da profecia quanto no de seu cumprimento. OBS: “…O primeiro motivo e mui principal por que Deus costuma revelar as cousas futuras (ou sejam benefícios ou castigos) muito tempo antes de sucederem, é para que conheçam clara e firmemente os homens, que todas vêm dispensadas por sua mão. Arma-se assim a sabedoria eterna contra a natureza humana, sempre soberba, rebelde e ingrata, ou porque se não levante a maiores com os benefícios divinos, e se beije as mãos a si mesma, como dizia Job, ou porque não atribua a cousas naturais (e muito menos ao caso) os efeitos que vêm sentenciados como castigo por sua justiça, ou ordenados para mais altos e ocultos fins por sua providência.…” (Antonio VIEIRA. História do futuro. Cap. IV, § II. http://www.google.com/search?q=cache:5PnmW3PGbLYJ:www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/futuro1.html+%22hist%C3%B3ria+do+futuro%2 2,+Vieira&hl=pt-BR Acesso em 16 set. 2004)
- Em terceiro lugar, ao anunciar o que vai acontecer, Deus permite ao homem que tome uma decisão consciente a respeito de seu destino eterno. Deus sabe que o homem não tem condições de, por si só, vislumbrar o futuro e, como ser racional que é, poderia, muito bem, questionar o que viria a ocorrer e, inclusive, de modo legítimo, indagar sobre a justiça divina, uma vez que seria obrigado a confiar em Deus e em Sua Palavra para ter a salvação, sem que Deus desse qualquer garantia de que é, efetivamente, o Senhor de todas as coisas, o Criador do homem. Através da palavra profética, entretanto, Deus mostra, claramente ao homem, que a Sua soberania atual, que é verificada pelo homem com a sua razão, não é algo passageiro ou pontual, mas é eterna, tanto que profecias têm sido cumpridas infalivelmente e outras estão se cumprindo e outras ainda se cumprirão. Deus, através da palavra profética, mostra a Sua justiça para com o homem e não lhe permite rejeitá-l’O ou aceitá-l’O inconscientemente.
- Em quarto lugar, Deus revela, nas profecias, os Seus propósitos, os Seus objetivos e para onde deve o homem caminhar se quiser agradá-l’O. Tudo o que acontece tem como objetivo extinguir a transgressão, dar fim aos pecados, expiar a iniquidade e trazer a justiça eterna. Deus tem um plano para o homem e é um plano de bênção, um plano de salvação. Nada acontece por acaso e Deus já tem revelado ao homem o caminho que percorrerá para tornar a restabelecer a plena comunhão com o homem. A palavra profética, estudada pela Escatologia, mostra-nos este trabalhar de Deus, o Seu imenso amor e misericórdia para com os homens pecadores e Seus propósitos de nos beneficiar imensamente.
- Em quinto lugar, ao revelar o que vai acontecer, Deus nos faz ter discernimento a respeito dos fatos que ocorrem à nossa volta. O cristão, conhecendo os propósitos divinos constantes das profecias escatológicas, tem condições para ver em cada fato noticiado, neste mundo onde o efeito dos acontecimentos é cada vez mais imediato, praticamente em tempo real, a mão de Deus e o cumprimento das profecias. Ao contrário dos demais homens, que não conhecem a Palavra, o crente saberá bem definir o significado deste ou daquele evento, o seu papel dentro do plano divino estabelecido pelo homem e, assim, fazer com que este acontecimento venha a ser assimilado de forma a que se aproxime mais do Senhor e se prepare para a iminente vinda para arrebatar a Sua Igreja. Através da Escatologia, o homem terá condições de ser, do ponto-de-vista espiritual, tão vigilante e consciente quanto o agricultor em relação ao tempo, uma situação cuja ausência foi criticada por parte de nosso Senhor (cfr. Lc.12:54-56).
- Em sexto lugar, vemos o próprio exemplo das Escrituras, que nos indicam a necessidade do ensino desta doutrina à Igreja. O maior sermão do ministério de Jesus não é, como alguns pensam, o sermão do monte ou, mesmo, a Sua oração sacerdotal, mas o chamado “sermão escatológico”, presente nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), onde Jesus trata das coisas que ainda iriam acontecer e do fim do mundo (Mt.24:1-3). Não bastasse isso, a mensagem mais repetida no Novo Testamento a respeito de Cristo não é a que Ele é Senhor ou Salvador, mas, sim, a de que Ele voltará, o que é reproduzido “…em 318 vezes em 260 capítulos, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira.” (Cf. ESTUDO 6. A maior festa da humanidade. pequenosgrupos.com.br /Downloads/ESTUDO%206.doc).
- Todos os apóstolos, em seus ensinos à Igreja, sempre fizeram questão de alertar sobre o estudo da doutrina das últimas coisas, como revelam as epístolas de Paulo, Pedro, João, Tiago e Judas, sem se falar no livro do Apocalipse, que é todo ele dedicado “ às coisas que brevemente devem acontecer” (Ap.1:1). Os escritos dos chamados “pais da Igreja”, ou seja, os grandes líderes e ensinadores dos dois primeiros séculos da Igreja, depois dos apóstolos, contêm sempre referências, quando não se trata do próprio assunto do escrito, à palavra profética e à Escatologia, que, certamente, era um dos fatores que maior ânimo davam aos milhares e milhares de mártires daquele tempo.
- Em sétimo lugar, por fim, vemos que o ensino da Escatologia é necessário para que o crente não deixe de dar prioridade às coisas celestiais, para que o crente não seja iludido pelas coisas desta vida. Com efeito, a partir do momento que o crente tem descortinado o plano divino para o homem, o que está por vir, percebe que não tem tempo para desperdiçar com as coisas do mundo, muito menos de se prender por elas. É por isso, aliás, que a pregação da “teologia da prosperidade” dos nossos dias só tem lugar depois da omissão da pregação da doutrina das últimas coisas em nossos púlpitos. Jesus bem mostrou isto, ao dar o Seu sermão escatológico, precisamente quando os discípulos ameaçaram se deixar deslumbrar com o templo de Jerusalém(Mt.24:1-3). Imediatamente após perceber que Seus discípulos poderiam dar valor às coisas desta vida, às coisas passageiras, Jesus lançou da palavra profética e, assim, impediu que o foco dos discípulos se perdesse. Assim devemos fazer nos dias em que vivemos: ensinar e pregar a doutrina das últimas coisas, como forma de impedir que os crentes se percam nas coisas desta vida.
- Sem que estudemos a doutrina das últimas coisas, pois, não teremos como conhecer verdadeiramente o Senhor. Não teremos condição de visualizar este Deus amoroso, misericordioso, interessado em que o pecado tenha fim e que vivamos com Ele para sempre. Não teremos como chegar à conclusão de que Deus é o Senhor eterno de todas as coisas e que tem o controle de tudo. Não poderemos servi-l’O de forma correta e segundo a Sua vontade, vez que não teremos como saber os Seus propósitos e objetivos, já que desconheceremos o Seu plano. Sem a Escatologia, corremos sério risco de não termos qualquer discernimento dos fatos que acontecem à nossa volta e de sermos surpreendidos despercebidos quando da vinda de Jesus.
IV – O CONFORTO ADVINDO DO ENSINO DA DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS
- Já vimos a necessidade de estudarmos a doutrina das últimas coisas, mas há um fator que deve ser destacado dentro desta necessidade, que é o relativo ao conforto, ao consolo que a doutrina das últimas coisas traz ao crente.
- Como já dissemos mais de uma vez neste estudo, ao estudarmos a doutrina das últimas coisas, compreendemos a soberania divina e, mais até do que isto, vemos que Deus, realmente, não é só o Senhor de todas as coisas, mas é o Senhor eterno de todas as coisas, ou seja, não só tem o controle de tudo nas Suas mãos, mas este controle não teve princípio nem terá fim.
- Ora, ao percebermos que o nosso Deus é o Senhor eterno de tudo, isto, naturalmente, nos serve de grande conforto, pois temos a clara noção e consciência de que estamos a servir a um Deus poderoso e que tem tudo sob Seu controle. Assim, apesar das lutas e dificuldades que estamos a passar, a despeito de todos os fracassos e revezes que experimentamos aqui e ali (e dos quais, frisemos, não estamos livres, sendo mentiroso o ensinamento em contrário, como o propalado pela chamada “teologia da prosperidade” ou “doutrina da confissão positiva”), temos a plena convicção, que é sobremodo potencializada e intensificada quando nos propomos a estudar a Escatologia, de que tudo que acontece conosco está de acordo com a vontade de Deus e não poderá nos abalar no nosso relacionamento com o Senhor, se Lhe formos fiéis e obedientes.
- A palavra profética tem, assim, uma finalidade de consolar o crente, de lhe dar conforto, alívio espiritual e de lhe renovar a fé e a esperança no seu Senhor. Não foi por acaso que a palavra profética sempre foi pronunciada em ocasiões em que se fazia necessário trazer consolo, edificação, exortação e ânimo para os servos do Senhor.
- Na profecia-chave da Escatologia, ou seja, nas setenta semanas de Daniel, a revelação profética foi trazida a Daniel para que ele tivesse renovado o seu ânimo e a sua esperança em Deus e completasse o seu ministério, ainda que em terra estranha. Tendo dedicado sua vida a administrar um povo estrangeiro com sucesso e tendo tido a oportunidade de participar do máximo poder político de seu tempo, Daniel, ao compreender que estava terminando o tempo do cativeiro, não vislumbrou como Israel poderia ter o destaque profetizado por Isaías, Miquéias e outros, dentro da ordem mundial então existente. Assim, foi buscar a Deus, para que pudesse ter um rumo na sua vida, para que pudesse compreender o que deveria fazer para agradar a Deus e contribuir para o cumprimento das profecias, para o bem de seu povo, sem deixar de fazer o que estava fazendo no lugar que havia sido posto por Deus. O Senhor, então, para consolar e animar o Seu servo, fez-lhe a revelação das setenta semanas, mostrando, assim, que um dos objetivos da palavra profética, da Escatologia é, precisamente, o de animar o crente a cumprir o seu ministério. Graças à palavra profética, pôde Daniel ir até o fim (Dn.12:13).
- Quando Jesus foi ocultado dos olhos dos discípulos, que ficaram impactados com este “sumiço”, de imediato o Senhor mandou que dois anjos renovassem aos discípulos a promessa da volta de Cristo (At.1:11), renovação esta que foi suficiente para que mais ou menos 120 discípulos deixassem o monte das Oliveiras e partissem para um período indeterminado de oração no cenáculo, para cumprir a ordem de Jesus. Foi a palavra profética o fator que os animou a fazê-lo e que permitiu que toda a obra de evangelização do mundo, que prossegue até hoje, tivesse início. O papel da mensagem escatológica, portanto, como se pode bem ver neste exemplo, é dar a necessária esperança, o ânimo indispensável, para que a obra de Deus tenha seguimento até a volta do Senhor. Por isso, a ceia do Senhor não só nos faz recordar o sacrifício de Cristo no Calvário, não só atesta a nossa comunhão uns com os outros e com o Senhor, como também aponta para a vinda do Senhor, a fonte de nossa esperança (I Co.11:26).
- Ao escrever para os tessalonicenses, Paulo deixa explícito este papel da palavra profética, da doutrina das últimas coisas para a Igreja. Ao saber do desespero que tomara conta dos crentes de Tessalônica em virtude da morte de alguns irmãos antes do retorno de Cristo, Paulo, na carta que lhes escreveu, faz uma recapitulação dos seus ensinos anteriores a respeito das últimas coisas (I Ts.1:9,10), dizendo, nesta “revisão”, que aqueles ensinos deveriam servir-lhes de consolação (I Ts.4:13-18). Aliás, não é à toa que, nos cultos fúnebres, via de regra, estas palavras de Paulo sempre sejam repetidas e pregadas, pois não há maior consolo para uma família cristã enlutada do que a certeza de que esta separação do ente querido será passageira, se todos se mantiverem fiéis até o dia do arrebatamento da Igreja !
- A palavra profética, ou seja, a doutrina das últimas coisas dá sentido e razão de ser para os sofrimentos e perseguições sofridas pelos cristãos. Diz-nos o escritor aos hebreus que Jesus suportou a cruz porque via o gozo que Lhe estava proposto (Hb.12:2). Assim também, o crente que conhece o que vai acontecer no futuro, sabe o que está reservado para quem se manter fiel e, por isso, pode agir como os mártires do passado, como, por exemplo, o apóstolo Paulo que, em sua última epístola, podia dizer que “…desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda.” (II Tm.4:8). Como um crente pode ter esta confiança, se não tiver aprendido a doutrina das últimas coisas ?
- A doutrina das últimas coisas, por fim, dá ao crente o que Pedro denominou de “ânimo sincero” (II Pe.3:1). Quando o crente tem consciência das coisas que devem acontecer, não há como deixar de o crente ter ânimo, pois sabe que o Senhor é o dono de todas as coisas para todo o sempre. Como diz Pedro, quando lembramos dos ensinos a respeito da vinda do Senhor, compreendemos quem são os apóstatas e não nos deixamos levar por eles, tendo nossa confiança apenas em Deus. Suportamos as afrontas, os sofrimentos e as perseguições e caminhamos, com muita esperança e alegria, ao encontro do Senhor. Por isso, a palavra do crente que conhece Escatologia só pode ser a veiculada por Paulo: “maranata”, ou seja, ora vem, Senhor Jesus!

Fonte: http://www.portalebd.org.br/index.php/adultos/14-adultos-liccoes/737-licao-1-escatologia-o-estudo-das-ultimas-coisas-i



Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

JUVENIS Lição 13: Tema ao Senhor

Professoras e professores, observem estas orientações: 1 - Antes de abordar o tema da aula, é interessante que vocês mantenham uma conversa informal e rápida com os alunos: - Cumprimentem os alunos.
AUXÍLIO AO ALUNO EBD 
QUARTO TRIMESTRE DE 2015
JUVENIS - TEMA - BONS CONSELHOS
COMENTARISTAS:MARCELO ROBERTO, TELMA BUENO, THIAGO SANTOS e VERÔNICA ARAÚJO
COMENTÁRIO: PROF.ª SULAMITA MACEDO

Lição 13: Tema ao Senhor

Professoras e professores, observem estas orientações:
1 - Antes de abordar o tema da aula, é interessante que vocês mantenham uma conversa informal e rápida com os alunos:
- Cumprimentem os alunos.
- Dirijam-se aos alunos, chamando-os pelo nome, para tanto é importante uma lista nominal para que vocês possam memorizar.
- Perguntem como passaram a semana.
- Escutem atentamente o que eles falam.
- Observem se há alguém necessitando de uma conversa e/ou oração.
- Verifiquem se há alunos novatos e/ou visitantes e apresentem cada um.
2 - Este momento não é uma mera formalidade, mas uma necessidade. Ao escutá-los, vocês estão criando vínculo com os alunos, eles entendem que vocês também se importam com eles.
Outro fator importante para estabelecer vínculos com os alunos é através das redes sociais, adicionem os alunos e mantenham comunicação com eles.
3 - Após a chamada, solicitem ao secretário da classe a relação dos alunos ausentes e procurem manter contato com eles durante a semana, através de telefone ou email ou pelas redes sociais, deixando uma mensagem “in box” dizendo que sentiu falta dele(a) na EBD).
Os alunos se sentirão queridos, cuidados, perceberão que vocês sentem falta deles. Dessa forma, vocês estarão estabelecendo vínculos afetivos com seus alunos.
4 – Escolham um momento da aula, para mencionar os nomes dos alunos aniversariantes, parabenizando-os, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo.
5 – Fazendo o que foi exposto acima, somando-se a um professor motivado, associando a uma boa preparação de aula, com participação dos alunos, vocês terão bons resultados! Experimentem!
6 – Agora, trabalhem o conteúdo da lição. Vejam as sugestões abaixo:
- Apresentem o título da lição: Tema ao Senhor.
- Em seguida, utilizem a dinâmica “Dois caminhos, uma escolha!”
- Em seguida, trabalhem o conteúdo da lição. Lembrem-se de que vocês devem oportunizar a participação do aluno, envolvendo-o através de exemplos e situações próprias de sua idade. Dessa forma, vocês estão contextualizando o tema com a vida do aluno, além de promover uma aprendizagem mais significativa.
Tenham uma excelente e produtiva aula!

Dinâmica: Dois caminhos, uma escolha!
Objetivos:
Refletir sobre a escolha entre dois caminhos: o da vida e da morte.
Apontar que Jesus é o caminho, a verdade e a vida.

Material:
Cadeiras
Figuras de homem e mulher
Palavra DEUS
02 envelopes:
Nome “Conhecimento de Deus” escrito para colocar dentro do envelope 01
Palavra “Humanismo” escrita para colocar dentro do envelope 02.
Procedimento:
Antes da aula:
Organizem as cadeiras de forma que formem 02 caminhos
No final de cada caminho coloquem 01 cadeira
Em 01 cadeira, fixem uma figura de um homem e de uma mulher. Deixem também um envelope e coloquem dentro dele o nome Humanismo.
Na outra cadeira, coloquem 01 folha com o nome DEUS. Também coloquem um envelope e dentro dele o nome “Conhecimento de Deus”.
Durante a aula:
- Organizem os alunos em 02 grupos.
- Falem: A humanidade, aqui representa por vocês, tem dois caminhos para seguir.
- Peçam para um grupo andar pelo caminho que conduz a Deus.
- Peçam para o outro grupo andar pelo caminho representado pelas figuras do homem e da mulher.
- Depois, solicitem que eles abram os envelopes e leiam o conteúdo.
- Falem: Muitas pessoas possuem conhecimento sobre quem é Deus, sua criação, seu poder, que enviou seu filho para morrer pelos pecadores e seguem este caminho e têm Deus como centro de suas vidas.
Mas, há um outro grupo de pessoas que mesmo conhecendo Deus decidiram seguir o caminho do Humanismo, rejeitando Deus.
- Perguntem: Qual o caminho que devemos escolher?
- Depois, leiam: “Disse-lhes Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao pai senão por mim”(Jo 14.06).
- Falem: É sobre o caminho do conhecimento de Deus e o temor a Ele que a lição de hoje vai se fundamentar.
Agora iniciem o estudo do tema.
Por Sulamita Macedo.
Fonte: http://atitudedeaprendiz.blogspot.com.br/2015/12/juvenis-curriculo-do-ano-1-bons_21.html Acesso em 22 dez. 2015.

Pré-aula LIÇÃO Nº 13 – JOSÉ, A REALIDADE DE UM SONHO

LIÇÃO Nº 13 – JOSÉ, A REALIDADE DE UM SONHO

AUXÍLIO AO ALUNO EBD 
QUARTO TRIMESTRE DE 2015
ADULTOS - O COMEÇO DE TODAS AS COISAS - Estudos sobre o livro de Gênesis
COMENTARISTA:CLAUDIONOR CORREA DE ANDRADE
COMENTÁRIO: EV. CARAMURU AFONSO FRANCISCO
Com José, Deus inicia a transformação do clã de Jacó em nação.
INTRODUÇÃO
- Terminando o estudo do livro de Gênesis, estudaremos hoje o chamado “ciclo de Jose”, que ocupa os capítulos 37 a 50.
- Com José, Deus inicia a transformação do clã de Jacó em nação.

I – A PREDILEÇÃO DE JACÓ POR JOSÉ E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS
- Estamos a terminar não só mais um trimestre letivo, mas o próprio ano letivo de 2015 da Escola Bíblica Dominical, agradecendo a Deus pela oportunidade de termos tido a liberdade de poder estudar a Sua Palavra.
- Finalizando o estudo do tema “O começo de todas as coisas: estudos sobre o livro de Gênesis”, estaremos a analisar o chamado “ciclo de José”, que é a parte final do livro de Gênesis, em que a personagem principal passa a ser José, o décimo segundo filho de Jacó, o primeiro filho de Raquel, que foi o instrumento nas mãos do Senhor para que se iniciasse a transformação do clã de Jacó, que tinha setenta pessoas (Cf. Ex.1:5), em uma nação que, quando saiu do Egito, tinha seiscentos mil homens em condições de ir à guerra, fora as mulheres e crianças (Cf. Ex.12:37).
- Como temos salientado nestas três últimas lições, em que o comentarista optou por dar apenas algumas “pinceladas” na segunda grande parte do livro de Gênesis, que trata da origem do povo de Israel, narrando a vida dos patriarcas, faremos uma sucinta análise do tema proposto, que, no presente caso, abarca treze capítulos, convidando os irmãos a assistirem aos vídeos que o Portal Escola Dominical disponibilizou ao longo do trimestre onde, em doze estudos, procura dar maior profundidade à análise dos capítulos 12 a 50 do livro de Gênesis.
- Consoante vimos no apêndice ao trimestre, que tratou do “ciclo de Jacó”, tema que foi desconsiderado pelo comentarista neste trimestre, depois de ter finalmente entrado no centro da vontade de Deus, Jacó teve a ocorrência de dois fatos que marcariam o seu comportamento dali para a frente, quais sejam, a morte de Raquel no parto do seu último filho Benjamim (Gn.35:16-21) e a desonra sofrida por parte de seu primogênito, Rúben, que se deitou com a concubina de seu pai, Bila (Gn.35:22).
- Jacó, diante desta circunstância, passou a demonstrar uma predileção pelo seu filho José. O ato de Rúben, extremamente grave, gerou no velho patriarca a convicção de que não era ele aquele a quem se transferiria a bênção de Abraão. Os seus dois outros filhos mais velhos, Simeão e Levi, também haviam cometido horrendo pecado, matando os siquemitas (Gn.34), de sorte que o patriarca, lembrando do que ocorrera com ele mesmo, passou a acalentar a ideia de que a bênção de Abraão haveria de ser transferida a José, o primogênito de Raquel, que, afinal de contas, era a mulher amada por Jacó.
- Dentro desta ideia (equivocada, porquanto não era mais plano de Deus postergar a multiplicação do clã para a sua transformação em uma nação), bem como como consequência de seu grande amor por Raquel, Jacó repete o erro de seus pais e passa a manifestar uma predileção por seu filho José em detrimento dos outros doze filhos que possuía.
- José era um rapaz muito correto e, por ser mais novo que seus irmãos, com exceção de Benjamim, sofreu muito menos as nefastas consequências da má educação que a família de Jacó tinha tido enquanto esteve em Padã-Arã. Ele e Benjamim, certamente, foram os que mais se beneficiaram com a purificação da família ocorrida antes de irem a Betel, ainda em Siquém (Gn.35:1-7), purificação esta que foi consolidada com a morte de Débora, a ama de Rebeca e que tinha sido a pessoa responsável pela adoção, por parte dos filhos de Jacó, da cultura arameia.
- José, diante desta formação mais intensa na doutrina e admoestação do Senhor, trazia ao seu pai Jacó informações da conduta nada agradável de seus irmãos (Gn.37:2) e, como Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos (Gn.37:3), tais notícias fizeram com que a predileção por José se aguçasse ainda mais, a ponto de Jacó, imprudentemente, ter confeccionado uma túnica de várias cores e a presenteado a seu filho predileto.
- Jacó repetia, assim, o erro de seus pais Isaque e Rebeca, tratando com parcialidade os seus filhos. Isto jamais deve acontecer num lar. Os pais devem se conscientizar que seu papel é de participantes com Deus da criação de novas vidas e que os filhos, sem exceção, são herança do Senhor (Sl.127:3) e, como representantes do próprio Deus em relação aos filhos, devem os pais se portar como o próprio Senhor, ou seja, sem parcialidade, sem fazer acepção de pessoas (Dt.10:17; At.10:34).
- Jacó, no entanto, não observou isto e seu comportamento, que alcançou seu auge ao presentar seu filho com uma túnica de muitas cores, acabou por gerar nos irmãos de José um ódio de tal maneira que seus irmãos já não podiam mais falar pacificamente com ele (Gn.37:4).
- Esta situação deteriorou-se ainda mais porque José teve um sonho e o contou a seus irmãos. Neste sonho, José se via e a seus irmãos atando molhos no meio do campo e o molho de José se levantava e também ficava em pé e os molhos de seus irmãos se inclinavam ao seu molho (Gn.37:6,7). Todos interpretaram este sonho como sendo a previsão de que José dominaria sobre os seus irmãos e isto fez com que seus irmãos aumentassem ainda mais o ódio contra José.
- Como se isto fosse pouco, José ainda teve outro sonho e, neste sonho, sol, lua e onze estrelas se inclinavam diante de José. José, de tenra idade, ainda sem experiência da vida, contou este sonho também a seu pai e a seus irmãos. O próprio Jacó, que, de algum modo, já estava a notar o ambiente hostil contra seu filho predileto, repreendeu José após ter sabido de sonho, também indagando José se ele haveria de dominar inclusive sobre o próprio Jacó (Gn.37:10).
- Diante destes sonhos, a inveja e o ódio dos irmãos de José alcançaram níveis muito intensos. Jacó, ainda que tivesse repreendido seu filho, verificou que se tratava de sonhos proféticos e, por isso, guardou este assunto em seu coração, ainda que, sabidamente, não entendia como poderia José dominar até sobre ele próprio.
- Jacó, então, mandou que José fosse até junto de Siquém, onde seus irmãos estavam a apascentar o rebanho, mas lá chegando, não os achou, sendo informado de que tinham ido a Dotã. Quando José se aproximava de seus irmãos, estes viram uma ocasião para se livrar daquele irmão que tanto odiavam e invejavam e resolveram matá-lo (Gn.37:14-18).
- Neste episódio, vemos a realidade que seria explicitada pelo Senhor Jesus no sermão do monte, qual seja, a de que quem odeia seu irmão é um homicida (Mt.5:21,22), ensino que seria repetido anos mais tarde pelo apóstolo João (I Jo.3:15). O ódio está por detrás de todo derramamento de sangue e muitos não derramam o sangue por falta de oportunidade tão somente. Foi o que ocorreu com os irmãos de José. Eles já o odiavam há muito e, agora, longe dos olhos de seu pai, tiveram a oportunidade para transformar seu ódio em derramamento de sangue.
- O ódio que tinham pelo seu irmão era tão grande que o chamaram de “sonhador mor” (Gn.37:19), a mostrar, claramente, que os sonhos contados por José haviam sido a “gota d’água” do ódio já acalentado pelos irmãos diante da predileção de Jacó pelo primogênito de Raquel.
- José foi, então, aprisionado por seus irmãos, que queriam matá-lo, jogá-lo numa cova e, depois, diriam que uma besta-fera o havia comido e, assim, queriam invalidar os sonhos tidos pelo irmão (Gn.37:20). Vemos aqui como aqueles homens estavam movidos pelo inimigo de nossas almas que procurava, de toda maneira, impedir que a nação de Israel se formasse.
- Por primeiro, estavam todos animados com uma intenção homicida e o diabo é homicida desde o princípio (Jo.8:44). Por segundo, já haviam arquitetado a mentira que contariam, dizendo que uma besta-fera o comera e não podemos nos esquecer que o diabo é o pai da mentira (Jo.8:44). Por fim, queriam eles desfazer dos sonhos de José, sonhos proféticos, a mostrar, deste modo, toda uma rebeldia contra o que seria a suposta vontade de Deus, uma manifestação de soberba e de rebelião contra o Senhor, mais uma característica típica do diabo (Is.14:13,14; Ez.28:6).
- No entanto, Rúben, o primogênito de Jacó (ainda que só biologicamente a esta altura dos acontecimentos), tomou a frente de seus irmãos, impedindo que fosse derramado o sangue de José e consentindo apenas que fosse ele lançado na cova, mandando, inclusive, que deveria ele tornar a seu pai. Isto foi feito, mas, como prova da inveja e ódio que tinham seus irmãos, tiraram dele a túnica de várias cores que recebera de presente de seu pai (Gn.37:21-24).
- Enquanto José estava na cova, seus irmãos foram comer, demonstrando toda a sua insensibilidade e falta de amor. Enquanto comiam, viram a aproximação de uma companhia de ismaelitas, comerciantes ambulantes que faziam o comércio entre o Egito e as demais nações do Oriente Médio. Judá, então, teve a ideia de vender José para estes mercadores, tirando assim proveito de o ter lançado na cova, evitando, deste modo, que, segundo o conselho de Rúben, se deixasse que retornasse a Jacó, onde, certamente, contaria tudo o que havia se passado com ele.
- Judá convenceu a todos os irmãos e assim se fez, sendo José vendido por vinte moedas de prata e levado para o Egito pelos ismaelitas. Rúben estava ausente neste momento e, quando retornou, ao ver a cova vazia, rasgou seus vestidos, pensando que ele havia sido morto, mas seus irmãos lhe contaram o que acontecera e forjaram uma mentira, tomando a túnica de José, tingindo-a com sangue de um cabrito e a levando até Jacó, enganando seu pai, dizendo que uma besta-fera havia comido o seu filho predileto (Gn.37:29-34).
- Jacó era mais uma vez enganado na sua vida, agora pelos seus próprios filhos, passando a crer que seu filho predileto José havia morrido. Verdade é que Jacó não compreendia este fato, máxime ante os sonhos tidos e contados por José. Mas por que Jacó era assim enganado uma vez mais, mesmo depois de ter entrado no centro da vontade de Deus? Basicamente por dois motivos: primeiro, porque, mesmo após sua transformação, havia mentido para seu irmão Esaú (Gn.33:12-17) e tinha de se submeter à lei da ceifa, máxime sendo, agora, um fiel servo do Senhor (Cf. Mt.5:23-26); segundo, porque tinha uma visão equivocada a respeito do prosseguimento do plano divino para a formação da nação de onde viria o Redentor e a “saída de cena” de José propiciaria ter ele o correto entendimento sobre isto, inclusive de que a primogenitura passaria a Judá e não a José.
- Já neste início de vida de José, vemos como este filho de Jacó se apresenta como um tipo de Cristo Jesus. Assim como José, o Senhor Jesus foi alvo do ódio e da inveja de Seus irmãos, não apenas dos Seus irmãos carnais (Cf. Jo.7:3-4), mas dos israelitas como um todo, que eram seus irmãos, já que eram todos descendentes de Jacó (Cf. Jo.1:11; 8:39-59); assim como José, o ódio foi tanto que os judeus, por inveja, resolveram matar o Senhor Jesus (Cf. Mt.12:14; 26:4; 27:1,18; Mc.15:10; Jo.11:53); assim como José, o Senhor Jesus também foi vendido, só que por trinta moedas de prata e não apenas vinte moedas como o primogênito de Raquel (Mt. 26:15; 27:3).

II – JOSÉ NO EGITO
- Os ismaelitas foram para o Egito e levaram José consigo, após tê-lo adquirido por vinte moedas de prata e, no Egito, o puseram à venda e José foi comprado por Potifar, capitão da guarda de Faraó (Gn.38:36; 39:1). O texto diz que Potifar era “eunuco”, palavra que poderia tanto significar um alto funcionário quanto a própria circunstância de ser uma pessoa castrada (normalmente, os altos funcionários dos reis eram castrados para evitar que tivessem relacionamento íntimo com as mulheres e concubinas do rei).
- Antes de prosseguirmos na análise da vida de José, é interessante notar que, no livro de Gênesis, há uma interrupção em a narrativa da biografia deste filho de Jacó para se tratar da história de Judá e Tamar, no capítulo 38. Tal interrupção não deve ser considerada como um erro de algum copista ou uma incongruência do próprio autor, mas, consoante já dissemos supra, a primogenitura havia passado a Judá, ante os descalabros cometidos por Rúben, Simeão e Levi e o texto, então, foca em Judá, para mostrar que, apesar dos erros cometidos (e foi Judá quem instigou os seus irmãos a vender José), Judá teve a capacidade de reconhecer seu erro (e isto será mostrado mais adiante em relação ao próprio José) e, por ter se arrependido, Judá, ao contrário de seus outros irmãos, não perdeu esta primogenitura e será, por isso mesmo, de sua linhagem que virá o Salvador, o Messias.
- Mas, retornando à vida de José, vemos que, apesar de abandonado por seus irmãos e vendido como escravo numa terra estranha, o texto bíblico é claro ao afirmar que o Senhor estava com ele (Gn.39:2).
- Apesar de toda aquela situação tão adversa e inexplicável, José não deixou de ter comunhão com Deus e, mesmo sendo um escravo, mesmo tendo sido traído por seus irmãos, José se manteve fiel a Deus e o Senhor era com ele, de tal modo que prosperou na casa de Potifar e tudo quanto José fazia o Senhor prosperava na sua mão (Gn.39:2). Lembramos aqui do que diz o salmista no Sl.1, dizendo que aquele que medita de dia e de noite na Palavra do Senhor e tem prazer na Sua lei será bem-aventurado e tudo quanto fizer prosperará (Sl.1:1-3).
- Muitos triunfalistas irresponsáveis têm tomado a história de José para apregoar as mentiras da confissão positiva, fazendo questão de usar a vida de José como uma prova de que “os sonhos se tornarão realidade”, que não podemos “abrir mão dos nossos sonhos”, que “Deus há de cumprir nos nossos sonhos”. No entanto, deixam de dizer ao povo o que realmente a Bíblia diz: José teve, sim, sonhos proféticos, mas viveu agruras imensas, mas, seja como filho predileto na casa de seu pai, seja como escravo na casa de Potifar, ele se mantinha o mesmo, fiel ao Senhor e observador da Sua lei. Havia comunhão entre o Senhor e José, independentemente das circunstâncias vividas por José sobre a face da Terra.
- Deus fez José prosperar na casa de Potifar, pois o objetivo divino não era que José permanecesse naquela casa, mas, sim, que viesse a governar o Egito para, por seu intermédio, levar o clã de Jacó para se tornar a grande nação que prometera a Abraão. Mas, se esta era a vontade de Deus, algo que José ainda não sabia, o fato é que, por ser fiel a Deus, José passou a fazer o que lhe era mandado na casa de Potifar. Deus fez prosperar José, mas José também sempre fez o que lhe era mandado. Deus prosperava o que José fazia. Temos feito algo para que o Senhor possa prosperar? Não nos esqueçamos do que diz o pregador: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma” (Ec.9:10).
- O resultado do trabalho fiel e dedicado de José, com as bênçãos do Senhor, foi que Potifar percebeu o valor daquele jovem, que contava com apenas 17 anos quando foi para o Egito, e o acabou constituindo como seu mordomo, ou seja, como o principal servo, entregando na sua mão tudo quanto tinha (Gn.39:4).
- José era formoso de parecer e formoso à vista e seu progresso logo aguçou a mulher de Potifar, que passou a desejá-lo, iniciando um assédio ao mordomo de seu marido. José, no entanto, fiel ao Senhor, não aceitou as ofertas trazidas por aquela mulher. Não era fácil para um jovem, cheio de virilidade, resistir a este assédio, até porque tudo indica que aquela mulher, pela própria posição social que ocupava e por se tratar de uma egípcia, com acesso a todas as formas de embelezamento existentes naquela época, deveria ser extremamente atraente.
- José, porém, tinha um firme propósito de servir a Deus, de Lhe ser fiel, como também a seu senhor. A mulher de Potifar, que a tradição judaica diz que se chamava Zuleica, então urdiu um plano para ficar a sós com José. Estando só com José, quis força-lo a manter relações sexuais com ela, mas José fugiu dela, não aceitando trair o seu senhor e mantendo a sua castidade. A mulher de Potifar ficou apenas com o vestido de José e, diante do malogro de seu plano, acabou por mentir, dizendo a Potifar que José a havia tentado abusar, mostrando o vestido de José como prova (Gn.39:7-18).
- José traz-nos uma importante lição neste episódio, máxime para os jovens. Devemos manter a castidade, ou seja, a pureza sexual, jamais praticando o sexo antes ou fora do casamento. José tinha tudo, humanamente falando, para ceder aos encantos da mulher de Potifar, mas preferiu ser fiel ao Senhor. José fugiu da tentação sexual, pois de tal pecado, que é contra o próprio corpo, devemos fugir. Por isso, aliás, o apóstolo Paulo nos manda fugir da prostituição (I Co.6:18).
- Nos dias difíceis em que estamos a viver, quando aumenta consideravelmente a imoralidade sexual, devem os jovens cristãos fugir disto, evitando, assim, ambientes e situações que favoreçam a sensualidade e levem à queda por descontrole da libido, dos instintos sexuais, já que há um verdadeiro bombardeio satânico para estimular e incentivar tais práticas. José ensina-nos que só fugindo de tais situações poderemos nos manter puros para que vivamos a vida sexual nos limites e parâmetros determinados pelo Senhor à humanidade.
- Ao saber da história, Potifar poderia ter simplesmente mandado matar José. Ele se encheu de ira (Gn.39:19), mas o capitão da guarda de Faraó devia bem conhecer a mulher que tinha e, por isso, em vez de mandar matar José, preferiu entregá-lo na casa do cárcere, no lugar onde os presos do rei estavam presos (Gn.39:20).
- Ficamos a imaginar como estava a mente de José nesta situação. Depois de vendido por seus irmãos como escravo, agora tinha novo infortúnio. Acusado falsamente pela mulher de seu senhor, agora se via no cárcere, preso por um crime que não havia cometido. Como deixar de fazer o cotejo entre os sonhos que tivera e sua miserável situação? Entretanto, mesmo no cárcere, mesmo injustiçado, o texto bíblico diz que o Senhor estava com José e estendeu a Sua benignidade, a ponto de, a exemplo do que havia ocorrido na casa de Potifar, ter achado graça aos olhos do carcereiro-mor. José tornava-se, assim, um mordomo do carcereiro-mor, passando José a fazer tudo o que se fazia ali na casa do cárcere, tendo, nas suas mãos, todos os presos do rei. Mais uma vez o Senhor prosperava o que José estava a fazer (Gn.39:21-23).
- Os anos se passaram e José já contava com vinte e oito anos de idade, onze anos no Egito. Um dia, estava a fazer o seu serviço, quando dois altos oficiais de Faraó que ali estavam aprisionados, o padeiro-mor e o copeiro-mor de Faraó, tiveram um sonho, que os deixou perturbados. José notou que estavam atribulados e lhes perguntou o porquê daquela perturbação. Nesta pergunta de José, vemos como o jovem era uma pessoa que se compadecia dos outros, tendo aqui mais um traço que põe José como figura de Cristo Jesus.
- Os dois prisioneiros, então, contaram o sonho para José. O copeiro-mor foi o primeiro que contou o sonho, dizendo que sonhara com três sarmentos numa vide, que brotavam, davam flores e frutos e os cachos madureciam e que o copo de Faraó estava n sua mão e tomava as uvas e as espremia no copo de Faraó e dava aquele copo a Faraó. José, então, interpretou o sonho dizendo que, dentro de três dias, o copeiro-mor seria restaurado à sua função (Gn.40:9-13).
- Animado com a interpretação do sonho do copeiro-mor, o padeiro-mor também contou o seu sonho, que eram três cestos brancos que estavam sobre a sua cabeça, sendo que no cesto mais alto havia os manjares de Faraó e as aves do céu comiam do cesto sobre a sua cabeça. José, então, interpretou o sonho dizendo que, dentro de três dias, o padeiro-mor seria morto por ordem de Faraó e as aves do céu comeriam da sua carne (Gn.40:17-19).
- Assim como José havia interpretado, aconteceu, pois, três dias depois, dia do aniversário de Faraó, o copeiro-mor foi restituído ao seu posto e o padeiro-mor, executado.
- José havia pedido ao copeiro-mor que, uma vez restituído na sua função, intercedesse por José, para o retirar da prisão, já que estava ali injustamente (Gn.40:14,15), mas o copeiro-mor se esqueceu de José (Gn.40:23).
- Dois anos se passaram e parecia que José não teria como sair daquela prisão. No entanto, no tempo de Deus, Faraó teve um sonho que muito o perturbou, Faraó vira sete vacas que subiam do rio Nilo, formosas à vista e gordas de carne, que pastavam no prado e, depois, surgiam outras sete vacas, feias à vista e magras de carne que vinham e engoliam as sete primeiras vacas, mantendo-se feias e magras. Faraó, então, teve outro sonho, em que via sete espigas cheias e boas, mas, depois, delas brotavam sete espigas miúdas, que devoravam as espigas grandes e cheias (Gn.41:1-6).
- Faraó, perturbado com estes sonhos, chamou todos os sábios de sua corte para que houvesse a interpretação, mas ninguém pôde fazê-lo. Em meio àquela perplexidade no palácio de Faraó, o copeiro-mor lembrou-se de José e falou a respeito dele para Faraó, que mandou que José fosse chamado até a sua presença. José foi, então, à presença de Faraó e interpretou o sonho dizendo que os dois sonhos eram um só e que havia sido repetido porque aquilo era algo que vinha de Deus, era um sonho profético. O Senhor estava a dizer a Faraó que haveria sete anos de fartura sem igual no Egito, mas, depois dos sete anos, sobreviria uma grande fome também por sete anos, que aniquilaria toda a fartura anterior e que, por isso, deveria Faraó se cercar de alguém que, durante os sete anos de fartura, auferisse provisões para que o povo pudesse suportar os sete anos de fome (Gn.41:7-37).
- Diante de tal interpretação precisa, acompanhada de solução para o problema, Faraó não teve dúvidas de que a pessoa mais preparada para lidar com aquela situação era o próprio José e, em razão disto, o constituiu como governador do Egito, como a segunda autoridade no reino, inferior somente a Faraó. Retirou seu anel do seu dedo e o pôs na mão de José, fê-lo vestir de vestidos de linho e pôs um colar de ouro no seu pescoço, determinando que todos se prostrassem diante de José, tendo, ademais, dado a José o nome de Zafenate-Paneia, cuja tradução é o “salvador do mundo” (Gn.41:38-45).
- Depois de treze anos de agruras e sofrimentos, José era guindado da casa do cárcere à condição de governador do Egito. Era tão somente
e apenas o começo do cumprimento dos sonhos proféticos que José tivera.
- Neste episódio, também, vemos aqui mais uma demonstração de que José é tipo de Jesus Cristo. Assim como José foi guindado da casa do cárcere para ficar junto ao trono de Faraó, o Senhor Jesus da mansão dos mortos foi guindado até o trono do Pai nos céus (Cf. At.3:18,20,21); assim como José recebeu toda a autoridade da parte de Faraó, o Senhor Jesus também recebeu todo o poder nos céus e na terra (Cf.Mt.28:18); José recebeu o nome de Zafenate-Paneia, ou seja, “o salvador do mundo”, prefigurando Aquele que seria o Salvador da humanidade, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

III – JOSÉ, O GOVERNADOR DO EGITO
- Faraó deu Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om para esposa a José que, assim, pôde constituir família, tendo tido a dois filhos: o primogênito, Manassés, nome cujo significado é “que faz esquecer”, porquanto Deus o havia feito esquecer de todo o seu sofrimento e da casa do seu pai; o segundo, Efraim, cujo significado é “duplamente frutífero”, porque Deus o fizera crescer na terra da sua aflição (Gn.41:50-52).
- Nestes nomes dados por José a seus filhos, notamos que o governador do Egito ainda não compreendera o que estava a se passar. Ao ter Manassés, demonstra que havia entendido que o tempo do sofrimento havia passado, mas que deveria se esquecer da casa do seu pai. Havia, também, esquecido dos sonhos proféticos que tivera, achava que nada mais tinha que realizar em prol da realização das promessas de Abraão a seu pai Jacó. Quando teve Efraim, veio-lhe, ainda, com maior intensidade este sentimento, porquanto tinha entendido que a bênção divina estava tão somente relacionada a sua estada no Egito, que seria a terra da sua bênção. Como José estava equivocado...
- Assim como José havia dito, o Egito teve sete anos de fartura e, durante este tempo, José se encarregou de armazenar o mantimento para os sete anos de fome que haveriam de vir. No entanto, findos os sete anos, sobreveio a fome, conforme a interpretação do sonho dado a José e, então, forma abertos os armazéns e José começou a vender mantimento para os egípcios e não só para os egípcios, mas também dos povos em volta, pois a fome prevalecia em todas as terras.
- Esta fome também atingiu Canaã e Jacó, então, mandou que seus filhos fossem ao Egito, pois havia notícia de que ali havia comida para ser adquirida. José era encarregado da venda dos mantimentos e, ao ver seus irmãos, reconheceu-os e, como todos os que vinham ao seu encontro, também eles se inclinaram ante ele com a face na terra. José via, assim, o cumprimento do sonho profético que tivera muitos anos antes.
- José reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram (Gn.42:8). Temos aqui mais uma demonstração de José como figura de Cristo Jesus. Quando o Senhor Jesus veio para os judeus, estes também não O reconheceram como o Messias (Cf. Jo.1:11).
- José os tratou asperamente, mostrando-se estranho para com eles e lhes perguntou de onde vinham, tendo eles dito que tinham vindo de Canaã, o que confirmou a José que se tratava de seus irmãos. José fê-los contar toda a sua história e, então, disse deles desconfiar, considerando-os espiões e determinou que não saíssem do Egito enquanto o seu irmão mais novo não fosse levado até o Egito. José prendeu seus irmãos e, três dias depois, mudou de parecer, dizendo para que um só ficasse preso e o restante levasse mantimento para a casa do seu pai.
- José agia sob direção de Deus e esta aspereza nada mais era que a retribuição pelo que seus irmãos haviam feito com ele. Entendamos bem isto: não se tratava, em absoluto, de uma vingança de José, mas, sim, de circunstâncias criadas por Deus para que os irmãos de José reavaliassem o que haviam feito e dissipassem o ódio que haviam tido para com José.
- Tanto assim é que, ante a ordem de José para que um dos irmãos ficasse preso, de imediato veio à consciência de seus irmãos o que haviam feito com José. Reconheceram a culpa no episódio, lembrando de quando haviam sido insensíveis ao clamor de José. Rúben, inclusive, fez questão de afirmar que, naquele instante, o sangue de José era requerido. José tudo ouviu e saiu dali para chorar, numa prova de que não estava a se vingar de seus irmãos, mas via a mão de Deus atuando naquelas circunstâncias. Escolheu, pois, Simeão para ficar preso no Egito e os mandou de volta para Canaã, não antes de determinar que, quando voltassem, deveriam trazer o seu irmão mais novo e mandar devolver o dinheiro que eles haviam levado para adquirir a comida, algo que foi feito sorrateiramente, com a colocação do numerário nos sacos de mantimento. José tomava, assim, o preço do mantimento de sua família, em mais um gesto que o faz ser tipo de Cristo Jesus, que também tomou o preço dos nossos pecados sobre Si (Gn.42:25-34).
- Ao chegar a Canaã, os irmãos de José tudo relataram a Jacó, que se sentiu desfilhado, já que, depois de ter perdido José, agora via Simeão mantido preso no Egito e, mais, com a obrigação de, ao tornar ao Egito, deverem os seus filhos levar Benjamim, o outro filho de Raquel (Gn.42:36). Jacó também não estava entendendo o que lhe acontecia, diante da promessa divina dada a Abraão e a ele próprio. Diante disto, Jacó resolveu não permitir a ida de Benjamim para o Egito (Gn.42:38).
- O que aconteceu com Jacó também acontece conosco. Há circunstâncias em nossa vida tão adversas, tão terríveis que, se olharmos para elas, certamente desfaleceremos em nossa fé. Ao fazermos um cotejo entre as promessas de Deus e a o que estamos a passar, não vemos como vislumbrarmos o cumprimento daquilo que foi dito pelo Senhor. No entanto, devemos andar por fé e não por vista (Cf. II Co.5:7) e, nestes instantes, temos de pedir ao Senhor que acrescente a nossa fé, não se deixando abalar, pedindo a Deus que sejamos como os montes de Sião (Sl.125:1).
- A fome era gravíssima na terra e a situação da família de Jacó se tornou insustentável. Jacó mandou que seus filhos fossem ao Egito comprar mantimento, mas Judá lembrou seu pai que não poderiam ir até lá sem que levassem Benjamim. Judá, então, pôs-se como fiador de Benjamim, repetindo, assim, o que já dissera Rúben anteriormente. Ante a situação premente, Jacó aquiesceu e mandou que Benjamim fosse com os seus irmãos, como também fossem levados presentes ao governador do Egito bem assim o dinheiro que havia sido devolvido (Gn.43:1-14).
- Ao ver novamente seus irmãos, que estavam acompanhados de Benjamim (e, assim, José teve certeza de que seus irmãos nenhum mal haviam feito a Benjamim, que, por ser também filho de Raquel, poderia ter sido tratado com predileção por Jacó, que, no entanto, não repetira o erro anteriormente cometido com José), mandou que se preparasse um jantar, mandando que seus irmãos fossem conduzidos à sua casa. Tal gesto fez com que seus irmãos ficassem temerosos, achando que seriam punidos pelo governador por causa do dinheiro do mantimento anteriormente adquirido. Por isso mesmo, assim que se apresentaram a José, contaram-lhe a respeito do dinheiro, querendo, com isto, evitar qualquer punição. Os irmãos de José estavam mudados, agora mudavam de comportamento, mostrando-se honestos e verdadeiros.
- José tranquilizou-os, dizendo que não estava preocupado com qualquer dinheiro, levou-os para comer com ele e perguntou a respeito de seu pai, bem como contemplou a Benjamim. Levantou-se, então, e saiu a chorar, tendo, depois de se recompor, voltado e participado da refeição com eles.
- José, a esta altura, já tinha entendido o plano de Deus para a sua vida e da sua família. Sabia que deveria sustentar a sua família e dar os meios para que a bênção de Abraão se realizasse (Cf. Gn.45:5-8; 50:20,21) e, assim, arquitetou um plano para que seus irmãos pudessem com ele ficar no Egito, garantindo, deste modo, a sobrevivência do seu clã, que haveria de se tornar a grande nação como Deus havia prometido a Abraão, seu bisavô.
- José, então, mandou que se devolvesse novamente o dinheiro aos seus irmãos, pondo-os nos sacos de mantimento, mas que pusesse um copo de prata seu no saco de Benjamim. Quando eles foram embora, José mandou que fossem eles perseguidos e que se denunciasse o furto do referido copo e que se buscasse o referido copo e o copo foi achado no saco de Benjamim.
- Quando o copo foi achado, todos os irmãos de José rasgaram os seus vestidos e foram todos até à casa de José e lá chegando, prostraram-se diante de José (Gn.44:14), confirmando-se, assim, o segundo sonho profético de José. Judá, então, confessou a José todo o pecado cometido quando da prisão e venda do próprio José, bem como a promessa que fizera a seu pai Jacó, pondo-se à disposição para ocupar o lugar de Benjamim (Gn.44).
- Vemos aqui, aliás, como Judá havia se arrependido de tudo quanto fizera de errado e, por isso, a primogenitura não lhe foi tirada, precisamente porque, apesar de ter pecado, arrependeu-se. Será por esta causa que, na sua bênção final, Jacó confirmará que o cetro não se arredaria de Judá nem o legislador dentre seus pés até que viesse Siló e a ele se congregassem todos os povos (Gn.49:10), predizendo, assim, que o Salvador do mundo viria da tribo de Judá.
- Ante tal confissão e gesto de Judá, José não mais suporta e se dá a conhecer a seus irmãos e lhes explica o plano de Deus para as suas vidas, dizendo que ainda haveria mais cinco anos de fome e que todos deveriam vir para o Egito, habitando na terra de Gósen, para serem conservados em vida e, desta maneira, continuassem a se formar como nação segundo o projeto divino iniciado com Abraão (Gn.45:1-14).
- Mais uma tipologia de Cristo Jesus na vida de José. Assim como José se fez reconhecer a seus irmãos somente depois que Judá confessou seus pecados, Jesus somente Se fará conhecido do povo judeu quando ele, acossado pelo Anticristo, clamar pelo Senhor e reconhecer que Jesus é o Messias, na iminência da batalha do Armagedom (Cf. Zc.12).
- Faraó, ao saber da existência dos irmãos de José, aquiesceu com o plano de José e autorizou a vinda de sua família para o Egito. Os irmãos de José voltaram para Canaã e tudo contaram para Jacó, que, assim, passou a entender tudo, teve seu espírito revivido e ansiou por ver novamente o seu filho predileto (Gn.45:26-28).
- Ao saber desta notícia, Jacó mostrou que era realmente um homem de Deus, totalmente transformado. Foi até Berseba e lá ofereceu sacrifícios a Deus e o Senhor, então, em visões de noite, disse a Jacó para que descesse ao Egito, porque ali ele faria do clã de Israel uma grande nação (Gn.46:1-4). Só depois de Deus autorizar sua ida ao Egito é que Israel resolveu mudar-se para lá, apesar de toda a vontade que tinha de rever a José. Que grande lição nos dá Israel: devemos agir não segundo nossa vontade, mas sempre de acordo com a vontade de Deus!
- José encontrou-se com seu pai e este encontro deve ter sido maravilhoso, um encontro depois de vinte e dois anos, em que tanto Jacó achava ter perdido seu filho José para sempre, como José achava ter perdido o convívio de sua família para sempre. Entretanto, ambos entenderam o plano de Deus e podiam ver um ao outro, tendo a oportunidade de se fortificar na fé e compreender que o propósito do Senhor se mantinha firme e que Deus estava a cumprir à risca o que havia prometido a Abraão.
- Este episódio faz-nos pensar como deve ter sido o encontro do Senhor Jesus com o Pai, quando vitorioso, entrou novamente diante do trono da graça de forma solene como nos mostra o Sl.24:7,8. Vemos mais uma tipologia de Jesus Cristo em José, pois, assim como José se encontrou sozinho com seu pai Jacó, Jesus, também, pela vez primeira, apresentou-Se solitário diante do Pai, mas, como mostra o próprio salmista, voltará para nos levar com Ele para nos apresentar ao Pai após ter vindo buscar a Sua Igreja (Sl.24:9,10; Hb.2:13).
- Jacó é levado à presença de Faraó e, instruído por José, diz que era pastor de ovelhas e, por causa disso, como tal atividade era abominável aos egípcios, foi determinado que morasse na terra de Gósen, que era propícia para a criação de ovelhas, tudo conforme o plano arquitetado pelo próprio José. Deus dava ao clã de Israel a melhor terra para a criação de ovelhas, o ambiente propício para a grande multiplicação que se seguiria e que tornaria setenta pessoas numa nação de seiscentos mil homens prontos para a guerra, fora as mulheres e crianças, num espaço de apenas 215 anos.
- Jacó viveu ainda dezessete anos na terra do Egito (Gn.47:28). Já velho e cansado, adoeceu e, pressentindo a morte, chamou José e pediu para abençoar os filhos de José, que tomou como seus próprios filhos, tendo abençoado Efraim como se fosse o primogênito de José, profetizando que Efraim seria maior que Manassés. Também abençoou seus filhos, também sendo usado pelo Espírito Santo para descrever o futuro de cada uma das tribos de Israel, vindo a falecer, tendo sido sepultado na sepultura da família na terra de Canaã.
- Depois de sua morte, os irmãos de José, temerosos de que o governador do Egito aproveitasse a morte do seu pai para se vingar deles, mentiram para José, dizendo que, antes de morrer, Jacó havia determinado que José não lhes fizesse mal, mas José lhes mostrou que tinha plena consciência de que não lhes poderia fazer mal, que ele havia sido o “salvador” do seu clã, o instrumento para que o povo se multiplicasse no Egito e se tornasse uma grande nação.
- José mostra-se perdoador, sem qualquer rancor ou ressentimento, como também tinha, na sua comunhão com Deus, bem entendido o plano divino para Israel. Por isso mesmo, disse aos seus irmãos que eles seriam conservados em vida e multiplicados no Egito, mas que seu destino não era o Egito e, sim, a terra de Canaã, que havia sido prometida a Abraão pelo Senhor.
- Tamanha era a confiança de José a este respeito que fez seus irmãos jurarem que não deixariam o seu corpo no Egito, mas que, quando de lá saíssem para Canaã, deveriam levar os seus restos mortais, para que eles fossem sepultados na terra que Deus prometera dar a Abraão. Seus irmãos assim juraram e, com efeito, tendo José morrido na idade de cento e dez anos (Gn.50:26), seu corpo não foi sepultado, como ocorria com os governadores do Egito, mas foi mantido num caixão, caixão que seria levado por Moisés, cerca de 144 anos depois, para Canaã (Ex.13:19), restos mortais que, finalmente, seriam sepultados, muito provavelmente por Josué, ele próprio um descendente de José, cerca de 185 anos depois da morte do próprio José (Js.24:32). Quase dois séculos depois, José viu realizada a sua última profecia, porque, a exemplo de seus pais, morreu na fé, sem ter recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo-as, e abraçando-as, confessou que era estrangeiro e peregrino na terra (Hb.11:13).
- Também nesta afirmação de José, vemos mais uma demonstração da tipologia de Jesus Cristo. Assim como José não ficou na terra do Egito, Jesus também não ficou neste mundo; assim como José pediu para ser sepultado em Canaã, a terra prometida por Deus, Jesus foi levado aos céus, à Canaã celestial; assim como José acompanhou o povo de Israel na sua ida a Canaã, Jesus também nos acompanha em nossa ida aos céus, jamais nos deixando (Cf. Mt.28:20).
- Assim termina o livro de Gênesis, com a morte de José, mas não somente a sua morte, mas a fé e a esperança do governador do Egito de que a promessa feita por Abraão se cumpriria e que estava a nascer a nação da qual viria Aquele que tornaria todas as famílias da terra benditas. Gênesis termina com a certeza de que Deus haveria de redimir a humanidade e que o plano original de Deus, aparentemente transtornado com a entrada do pecado no mundo, haveria de prevalecer.

Feliz 2016!

Caramuru Afonso Francisco