quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Fé & Sinais

Jorge Fernandes
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Algo evidente, e por demais evidente no evangelicalismo atual, são os sinais, ou melhor, a necessidade deles para se crer, para se ter fé. O pragmatismo tem-se difundido tanto em nosso meio que tudo o que não se pode ver, tocar, apropriar-se e exibir não funciona, logo deve ser descartado. Vivemos a época em que o material dita o espiritual, de tal forma que a vida neste mundo tem de ser uma prévia do sucesso a ser alcançado na eternidade. O imediato vira infinito; o temporal, eterno; o carnal, espiritual; assim como a dúvida se torna certeza; a tolice, sabedoria; o não-bíblico ganha contornos bíblicos, nem que seja na marra! Porém, fica a pergunta: isso é o Evangelho ou não passa de uma distorção do Evangelho, o contra-evangelho? A mensagem cristã travestida, corrompida, distorcida e rotulada pela mente humanista e seus valores decaídos?

Um rápido "passeio" pelas igrejas e ficará evidenciado o culto utilitarista; cuja motivação está fincada, estabelecida, nas ações, ou melhor, na eficácia delas, no sentido prático em que a fé resultará em benefícios objetivos, em ações visíveis pelas quais se conhecerá a verdade. Em outras palavras, a verdade é conhecida somente se for útil naquele momento ao indivíduo; a verdade somente pode ser conhecida pela experiência, sem a qual, não há o menor sentido [empirismo]. A coisa funciona mais ou menos assim: o indivíduo vai à igreja para buscar duas coisas: a primeira, que Deus satisfaça os seus desejos; a segunda, que seja rápido em satisfazê-los. O seu valor supremo resume-se na capacidade de Deus suprir e proporcionar prazer ao homem, e de evitar que ele sofra. Sempre tendo como ponto de partida a fé do homem, aquela em que o vitorioso a exibirá como um troféu, uma medalha pendurada no pescoço, a refletir os seus feitos. Nada a ver com a fé que nos foi entregue por Deus [Ef 2.8], e que foi uma vez dada aos santos [Jd 3].

Mas, o que vem a ser fé?

Segundo o Priberam: (latim fides, -ei) s. f. 1. Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro. 2. Fidelidade 3. Prova. 4. Crença.
Segundo o Michaelis: sf (lat fide) 1 Crença, crédito; convicção da existência de algum fato ou da veracidade de alguma asserção. 2 Crença nas doutrinas da religião cristã. 3 A primeira das três virtudes teologais. 4 Fidelidade a compromissos e promessas; confiança.

E, segundo a Bíblia? "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" [Hb 11.1].

As três definições não parecem harmônicas entre si? Paulo não está, de certa forma, corroborando a definição semântica que os lingüistas atribuem à palavra fé? E de que ela tem um valor pragmático-utilitarista? Implicando na legitimidade dos cultos e da vida cristã praticados atualmente pelos evangélicos? Será? O mesmo Paulo diz: "Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas" [2Co 4.18]. E agora, o que lhe parece? Ele continua: "(Porque andamos por fé, e não por vista)" [2Co 5.7].

A questão é que muitos usam "e a prova das coisas que se não vêem" como a necessidade da fé produzir resultados, de tal forma que se eles não aparecem, não há fé. Mas, o que Paulo está a dizer é: a fé é a prova das coisas que não se vêem, porque andamos pela fé, não por vista. A fé é a prova, o testemunho da vida cristã, e a vida cristã é a prova da nossa fé; porque "todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as, abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra... em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos" [Hb 11.13; Rm 8.24-25].

Pois bem, o ponto é: tenho fé para ver, ou tenho fé para não ver? Se não ver, não tenho fé, ou mesmo não vendo, mantenho intacta a minha fé? Há uma velha onda que diz: posso tudo naquele que me fortalece, distorcendo a mensagem bíblica a fim de atender aos interesses escusos do coração. Com isso, querem dizer que, se tenho fé suficiente, posso tudo [e há de se definir o que venha a ser fé suficiente; e muitos dirão que ela será suficiente dependendo daquilo que se quer e se alcança, ou seja, o tamanho do objeto e consegui-lo é que definirá o tamanho da fé]. Mas vejamos o verso em que se baseiam: "Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece" [Fp 4.13]. Parece uma carta-branca dada por Deus para se ter o que quiser. Bastando escrever o que mais for aprazível, agradável. Porém, o que nos fala Paulo um pouco antes? "Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade... todavia fizestes bem, em tomar parte na minha aflição" [Fp 4.12, 14]. Alguém se candidata a subir no púlpito e defender que posso todas as coisas em Cristo, mesmo que seja na fome e a padecer necessidade? Ou a estar abatido? Ou a participar da aflição alheia? Se pode-se todas as coisas, elas não estarão restritas apenas ao que se considera benéfico dentro do padrão humano. Riqueza, posses, poder... a solução de todos os problemas imediáticos [1] não são os únicos itens abarcados por "todas as coisas", mas também o sofrimento, a tristeza, a dor, a injustiça, a pobreza e tantos outros males. Paulo afirma claramente que Deus o sustentará em todas as situações, e de que ele viverá a fé cristã mesmo nas vissicitudes e reveses da vida.

Mais do que isso, ele chega a se gloriar em suas fraquezas, porque o poder de Deus se aperfeiçoa nela, a fim de que habite nele o poder de Cristo [2Co 12.9]. O que para muitos é sinal de fracasso, para Paulo é êxito, e assim deve ser para nós também. Devemos banir de nossas mentes o falso ensino de que a fé está atrelada ao sucesso, à riqueza, à cura, à prosperidade. Com isso, não quero dizer que pessoas de sucesso, ricas, saudáveis e prósperas não têm fé; mas de que o padrão bíblico de fé está muito além daquilo que temos, tocamos ou somos. Ele está no próprio Deus, o qual nos capacita a ter a fé verdadeira; não uma crença tola; não uma certeza no que é tangível apenas; não em reverter materialmente, numa contrapartida, o que cremos. Isso faz de Deus um negociante, e da fé uma mercadoria. Ao contrário, a fé sempre será uma relação de confiança em Deus por intermédio de Cristo, mas, sobretudo, uma relação de dependência, de submissão, de reverência, de temor a Deus; de reconhecimento da nossa frágil condição, de nossa miserabilidade e pecaminosidade diante dEle, o Deus santo e perfeito; da necessidade da sua graça e misericórdia, sem a qual sequer viveríamos, mas seríamos consumidos [Lm 3.22].

Portanto, não estou falando da fé como um conjunto de crenças; nem no assentimento intelectual puramente, como uma idéia ou conceito decorrente do estudo ou cultura; nem como a possibilidade do conhecimento divino a partir de evidências ou experiências emocionais e místicas; muito menos como a causa de resultados, ainda que proveitosos. A fé bíblica é a única capaz de fazer com que o homem reconheça o testemunho de Deus através das Escrituras, como o auto-testamento divino; nas certezas que somente podem ser vistas e entendidas por aqueles a quem Deus abrir os olhos para verem, e os ouvidos para ouvirem, e a dar-lhes entendimento para que creiam, se convertam e sejam salvos [Jo 12.40]. A fé é autenticada pelo próprio Deus, reveladas pelo seu Espírito, que no-la-deu para que pudéssemos conhecer o que nos é entregue gratuitamente por Ele [1Co 2.10-13]. Logo Cristo é o autor e consumador da nossa fé [Hb 12.2].

Alguém pode dizer: Precisamos dos sinais para crer, assim como Cristo deu sinais para que o povo cresse. Sim. Isso é verdade, o Senhor fez muitos sinais para que acreditassem ser ele o Cristo; "porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" [Jo 20.31]. Sem que houvesse sinais, o Evangelho não seria escrito. Sem o Evangelho, como crer? Sem a palavra, seria possível conhecer a Deus e ter vida? Há de se entender que a nossa dispensação é outra. Não mais Deus fala diretamente com o povo através dos profetas. Nem os milagres são necessários para que creiamos. O Espírito é que nos ensina, instrui e convence a partir do que está escrito: a Bíblia; porque "nós temos a mente de Cristo" [1Co 2.16]. Nada mais é preciso, ainda que Deus esteja agindo, curando, santificando, salvando, segundo a sua providência, como sempre agiu na história, governando o universo. Precisamos da Palavra, do Espírito e da mente de Cristo. Mais nada, para que a nossa fé seja autêntica.

Após a ressurreição, Cristo apareceu aos apóstolos, menos um, Tomé. Diante do relato dos demais, que viram o Senhor, ele proferiu: "Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei" [Jo 20.25]. Novamente, o Senhor encontrou os seus, e Tomé estava entre eles. Cristo lhe disse: "Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. E Tomé, respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram" [Jo 20.27-29]. Esse relato não está na Bíblia atoa, mas para que creiamos, mesmo sem os sinais, mesmo sem os milagres estrepitosos; por que a nossa própria vida já é um milagre, ainda mais se significar a eternidade ao lado do nosso Senhor. Mas nada disso acontecerá se não formos resgatados das trevas pelo seu poder.

Cristo fez inúmeros milagres, tais como ninguém mais fez e viu, mesmo assim eles foram insuficientes para salvar uma multidão de incrédulos. Mesmo vendo-os, seus corações permaneceram duros, inflexíveis, diante de tão gloriosa salvação. Por que? Primeiro, os milagres não salvam. Segundo, os milagres não nos faz crer em Cristo. Terceiro, os milagres tornam-nos inescusáveis diante de Deus. Quarto, em muitos casos, o homem busca neles a sua glória, não a de Deus. Como Paulo escreveu: "Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos" [1Co 1.22-23].

De nada adiantam os milagres e o conhecimento, sem fé. Da mesma forma, de nada adianta pregar a Cristo crucificado, sem fé. Pois ele continuará indignando os que pedem milagres e os vêem mas não foram regenerados; e continuará insensato e extravagante para os que buscam conhecimento sem serem regenerados. Porém, aos que foram, bastará a pregação do Evangelho para, crendo, mesmo não vendo, amar o Senhor, "alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas" [1Pe 1.9].

Nota: [1] imediático: aquele que é partidário do imediatismo; que cuida absorventemente do que dá vantagem imediata.

A liberdade que não se tem

Jorge Fernandes
aliberdadequenaosetem
Não sei porque, cargas d'água, decidi fazer este pequeno texto sobre o determinismo. Espero ainda realizá-lo de forma ampla, explicativa, e que possa eliminar as dúvidas dos que questionam essa doutrina. Este é apenas um resumo mal-acabado do que penso e, por isso, caso esqueça-me, reitero que o determinismo bíblico é plena e claramente verdadeiro, lógico e racional. E de que não tem nada a ver com o fatalismo filosófico ou de outras cosmovisões, como alguns insistem e não se cansam de afirmar, tal qual o operador de máquinas aperta porcas e parafusos sem ferramentas, porcas ou parafusos... atarrachando o vento.
Antecipo, primeiramente, o meu conceito de determinismo, como sendo todas as coisas, materiais e espirituais, seja a natureza, atos, vontade, pensamentos, etc, subordinados ao eterno decreto de Deus. Em linhas gerais, toda a criação está sujeita à vontade decretiva e providente de Deus. De tal forma, que se uma folha cair, é porque Deus determinou que caísse. Se não, é porque Deus determinou que não caísse. De tal forma, que se escolher um sorvete de laranja ao invés de um sorvete de coco, é porque Deus determinou até mesmo essa escolha. Seja nos eventos complexos ou nos mais insignificantes, eles somente acontecem pela vontade divina.
Sou o que se pode alcunhar de determinista absoluto ou radical; porque, por mais que leia a Escritura e raciocine sobre inúmeras questões levantadas em suas páginas, não vejo maneiras do homem se desvencilhar do controle divino; não há a menor hipótese do homem ser livre de Deus, ao ponto de fazer qualquer coisa sem que o Todo-Poderoso tivesse pensado e decidido previamente que aconteceria. Para muitos, posso ser taxado de simplista ou reducionista, mas o fato é que o controle absoluto de Deus sobre todas as coisas em nada retira de mim a responsabilidade por minhas decisões, as quais são minhas, realizadas pela minha vontade, de maneira que se não as quisesse, não aconteceriam. Porém [e há um grande porém], se Deus não as tivesse decretado, eu jamais as quereria e realizaria.
No decreto eterno encontramos a descrição de todos os eventos acontecidos, que estão a acontecer, e que acontecerão na história, os quais não podem ser anulados, revogados ou transformados, pois, infalivelmente, Deus não somente os planejou mas também sustenta-os em todas as suas nuances, detalhes, essência e realização; e, inexoravelmente, cumprir-se-ão segundo a sua vontade; como estabeleceu na eternidade, antes da fundação do mundo.
Logo, qualquer conceito de liberdade, livre-agência ou compatibilidade entre Deus e o homem é somente aparente, não existindo de fato.
Como sugestão à reflexão, a história do Faraó e o endurecimento do seu coração por Deus é o exemplo mais emblemático do tipo de determinismo a que me refiro. Ainda mais emblemáticas são as mais de sessenta profecias sobre Cristo, apenas na crucificação. E elas estavam intimimamente ligadas às ações e pensamentos humanos. Todos infalivelmente decretados e pré-ordenados sem que nenhum dos personagens envolvidos pudessem fazer o que não fizeram, ou estivessem em condição de realizar algo à margem ou alheio ao que Deus determinara. Os acontecimentos estão intrisecamente ligados à vontade divina ao ponto em que, se apenas um deles não acontecesse conforme estabelecido eternamente, a vontade divina não se cumpriria, sequer existiria como vontade soberana, e uma cadeia de fatos surpreendentes trariam desordem e caos ao mundo, e teríamos fatos imprevisíveis, acontecendo incontroláveis, significando o que muitos sequer imaginam: a indeterminação das coisas e a quebra da ordem, culminando na não-soberania de Deus. Por isso, as profecias reveladas séculos antes se cumpriram: as suas vontades estavam em completa sujeição à vontade divina, indicando que partiram da mente onisciente de Deus, e se realizaram pelo seu onipotente poder de fazer tudo o que lhe apraz.
Da mesma forma, pergunto: como ficam passagens em que Deus diz cegar o homem? Para que vendo não veja, ouvindo não ouça, e não se arrependa? Como explicar o que o Senhor disse a respeito de Betsaida e Corazim? De que "se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza" [Mt 11.21]? Ora, se em Tiro e Sidom Jesus realizasse os milagres que fizera em Corazim e Betsaida, aqueles se converteriam e, portanto, o que aconteceu é que não houve pregação naquelas regiões, Cristo não fez milagres por lá, e eles não puderam se converter, porque não estava determinado que houvesse conversões entre eles. Cristo não fez milagres mesmo sabendo que, caso vissem, se converteriam; ao passo que preferiu pregar e operar milagres em Betsaida e Corazim, sabendo que não se converteriam ainda que vissem e ouvissem. Isso não pode ser somente presciência, mas o poder de Deus de condenar tanto uma como outra cidade.
O fato é que por onde Cristo não operou milagres capazes de levá-los à conversão, mesmo considerando que eles teriam olhos para ver, nada aconteceu porque esta foi a sua vontade; e nos locais onde operou milagres, cegou-lhes os olhos a fim de não verem, fechou-lhes os ouvidos a fim de não ouvirem, para que não se convertessem. Nenhum homem irá ao inferno sem que Deus queira. Isso é fato. E nenhum homem será salvo, livrando-se do inferno sem que Deus queira. Novamente, fato.
Outro fato inquestionável é que somos livres, se assim faz-nos sentir melhor. Contudo, a nossa liberdade está acorrentada à vontade e aos desígnios divinos, aos santos, perfeitos e eternos desígnios divinos, que até mesmo são capazes de levar à crença em... algum tipo de liberdade, ou qualquer outra coisa que Deus queira que acreditemos... e que ele nos dá acreditar que temos.

Oração: Opção pelo Impossível


Luiz Fernando
opcaoO veículo dado por Deus para que o homem invada a esfera do sobrenatural é a oração. Aquilo que naturalmente é impossível ao homem, Deus faz acessível através da oração. Pela oração respiramos a atmosfera espiritual.

O próprio Senhor Jesus ensinou seus discípulos a orar e Ele mesmo orou várias vezes. O apóstolo Paulo manteve uma vida de oração e por meio dela recebeu inspiração/poder para a obra evangelizadora.

Em todos os movimentos do Espírito Santo neste mundo, houve antes, um mover da igreja no campo da oração. A oração precede o avivamento espiritual. A oração dinamiza a igreja e une seus membros. A oração transforma um ambiente estéril em um jardim cheio de vida. A oração muda o curso da história de nossas vidas, família e é através dela que o Senhor Jesus se torna participante das nossas crises.

O vigor espiritual do homem está proporcionalmente ligado ao tempo investido em oração. Não existe poder espiritual somente no ordenar sobre as coisas e situações. No mundo espiritual existe reconhecimento daqueles que têm autoridade de uma vida derramada no altar de Deus. A igreja vem perdendo seu vigor por ter abandonado a oração. O pentecostes em Atos foi precedido por oração. Avivamentos ao longo da história da igreja chegaram depois de vidas terem sido derramadas no altar através da oração.

Percebo que muitas igrejas perderam seu tonus vital porque os sermões ali pregados são sermões mortos. E. M. Bounds, em seu extraordinário livro Poder Através da Oração disse: "Homens mortos tiram de si sermões mortos e sermões mortos matam". O mais difícil na pregação não é o preparo do sermão, mas o preparo do pregador. Livros não substituem o poder do Espírito Santo. Oratória não traz Deus para o sermão, mas Deus se faz presente em um sermão através da oração.

Quando Elias, após três anos e meio de ausência, se apresentou a Israel, ele viu os resultados de sua oração feita anteriormente. Seca, mortes, um país arrasado e um rei inseguro. Agora novamente Elias ora. Permanece em oração até que uma nuvem em forma de uma mão se apresenta nos céus. Era a certeza que a chuva viria. Que oremos até que a pequena nuvem se forme e depois venha o poder de Deus sobre sua igreja. Antes das decisões, ore. Ore por sua mulher, marido, filhos, ore em qualquer situação. Se você espera pela interferência do Senhor em sua vida, clame por ela, suplique.

No sermão do monte há um texto onde o Senhor Jesus, nos incentivando a orar, diz: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente". A construção deste texto no grego quer dizer assim: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que já está lá te esperando, te recompensará publicamente". O Senhor Jesus está nos dizendo que a oração é um encontro com alguém que está nos esperando. Deus está à nossa espera aguardando nossa entrada em sua presença. Daí concluirmos que A ORAÇÃO É UMA OPÇÃO PELO IMPOSSÍVEL.

Soli Deo Gloria

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

Cristo não é Senhor dos que correm, mas dos quais se compadece

Jorge Fernandes

dos-quais-se-compadece

Há um trecho na Escritura que sempre me comoveu desde que o li, a primeira vez, logo após a minha conversão. As palavras de Jesus soavam duras demais para os meus ouvidos sensíveis e pouco acostumados com a verdade; e não considerava o caráter justo de Deus, muito menos a sua obra como eficaz, na qual ele veria o fruto do seu trabalho e se satisfaria; o que vale dizer que Cristo considerou a sua obra concluída, acabada e não por terminar, como querem alguns, ainda que inconscientemente [Is 53.11].

A maioria utiliza-no em seu caráter santificador, com perguntas do tipo: Você conhece Jesus?... Você obedece a Deus?... O seu entendimento sobre Cristo é apenas cognitivo?... Quando vai conhecê-lo em seu coração? Ou afirmações parecidas com: Você tem de viver o Evangelho... Não basta crer, pois até os demônios crêem... O seu relacionamento tem de ser pessoal com Deus. E por aí afora... [1]

Não estou dizendo que as perguntas e as afirmativas estão erradas, mas elas falham em compreender algo fundamental e que tem sido relegado a um ponto senão obscuro, ininteligível, para nós; e toda vez que o trecho é comentado ou usado, emprega-mo-lo como se destinado exclusivamente para fariseus, hereges e ímpios; porém há algo muito mais fantástico em sua sentença, algo que me emociona sobremaneira, hoje mais que ontem: o esforço pessoal é irrelevante para Deus, pois importa-lhe tão somente os eleitos, aqueles que escolheu por sua vontade. E ponto final.

Estou a defender o antinomismo? De forma alguma! Acontece que a lei não é objeto de salvação, mas o salvo tem prazer em cumpri-la[2]. Enquanto, para o ímpio, resta obedecer-lha, em seu caráter temporal, para não ser punido, sem que haja qualquer prazer em sujeitar-se. E nem mesmo a lei é o que separa eleitos de réprobos, salvos de condenados, mas a eleição eficaz de Deus, a qual determinou a condição de cada um dos seres humanos; como está escrito: “E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo... Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” [Mt 25.33, 34, 41]. Os santos não foram incluídos no Reino por um sistema de recompensa, como uma “bonificação” aos obedientes, um prêmio aos que se mantêm fiéis a Deus; mas o Reino foi criado para os eleitos, os santos, antes da fundação do mundo, como o lugar onde todos os escolhidos reinarão “com toda a sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” [Ef 1.3]. Por isso, ele nos elegeu antes da Criação, para sermos “santos e irrepreensíveis diante dele em amor” [Ef 1.4]; e “nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” [Ef 1.5-6].

A ação divina não é passiva, do tipo, Deus viu que o homem se salvaria, se santificaria, se esforçaria em entrar no Reino, aceitaria-no e, então, somente então, Deus o predestinaria e o elegeria. Mas que eleição é essa onde o eleito é quem se auto-predestina? Onde o escolhido se auto-escolhe e impõe a sua escolha por seus próprios méritos para aquele que o predestinou? O que vem primeiro, a predestinação ou o esforço do eleito em satisfazê-la, e por isso, ser predestinado? Seria o mesmo que dizer que alguém se afogou antes de entrar na água. A predestinação, por mais que se queira distorcer o seu sentido, tem somente uma definição, de acordo com o Priberam:

predestinar - (latim praedestino, -are)v. tr.1. Eleger desde a eternidade (ex.: afirmou que Deus predestina os justos).2. Destinar para grandes coisas ou para determinado fim. = eleger3. Destinar com antecedência.

Ora, predestinar é claramente a atitude de destinar antecipadamente, de previamente decidir, e não o ato de antever o que irá acontecer e então determinar que aconteça. E, então, fica a pergunta: quem garantiu que o evento aconteceria? Deus? O homem? O acaso? Forças impessoais? Ou a cooperação mútua dessas forças? O que não entendo é: se Deus viu o que iria acontecer, como algo certo, visto tê-lo previsto, por que o determinaria já que o fato é, em si mesmo, exequível em sua realização, e não dependeu da sua vontade ou decisão para ser observado? Pelo contrário, o fato previsto seria soberanamente livre, impedindo que Deus agisse para mudá-lo, ainda que não fosse do seu agrado. Isso não levaria à conclusão de que esse "Deus" antes de ser pessoal é um "Deus" impessoal? E a presdestinação, assim como a eleição, não passaria de uma piada sem graça, um xiste, que tornaria esse "Deus" num mero espectador, a endossar obrigatoriamente até mesmo o que lhe contrariaria? Em outras palavras, a sua soberania seria uma lenda, e tudo, desde a Criação, teria de ter outra explicação; tudo, na verdade, não poderia vir da vontade desse "Deus", mas de outra força, pois o que ele faz é consentir que cada evento ocorra como visto, e a sua vontade seja adequada a cada evento de tal forma que eles permaneçam imutáveis. A vontade dele se subordinaria à inexorável realização do ato antevisto. Por todos os lados, o que temos aqui não é o Deus bíblico, mas um "Deus" impotente, escravo da visão; um "Deus" transitivo quando a revelação nos apresenta o Deus intransitivo, completo e perfeito em si mesmo. Contudo, estou saindo do foco desta postagem, ainda que este seja um elemento pertinente a ela...

Voltando à vaca-fria, do ponto de vista humano, seria possível se equilibrar em uma corda-bamba, sem pára-quedas, dez mil pés de altitude, com ar rarefeito, rajadas fortes de vento, chuvas, gelo, e a gravidade puxando-o incontinênti para baixo?[3]. Como manter-se assim, por si só? Quais forças o sustentariam, impedindo-o de despencar em queda-livre? De ser tragado no espaço? Essa é a condição do homem diante do pecado e da condenação; fatalmente será sugado por eles, destruído, se Deus não agir ativamente, em todo o processo, sustentando-o na corda-bamba. Na verdade, ele nos tirou dela, e nos colocou são e salvos no chão, em terra firme, enquanto quem tomou o nosso lugar foi Cristo. E os ímpios? Os que não se esborracharam ainda no chão? Estão precipitados no ar, a espera de juntarem-se aos corpos estatelados no abismo.

Mas, esse não é o trecho em questão, que me comoveu nos últimos anos. Então, qual é?

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” [Mt 7.21]

Bem, a exigência de obediência está evidente, não é? Claro! Somente entrarão nos céus aqueles que fazem a vontade do Pai, certo? Sim. Então, onde está o problema apontado por você? De haver uma leve distorção nesse ensino? Respondendo a mim mesmo, pergunto: quem faz a vontade do Pai? Alguém, entre nós, é capaz disso? Há de se entender que a vontade divina não é uma parte, nem fração ou divisão. Não são peças de um quebra-cabeças que se vai montando; ela é pronta e acabada, não restando o que pôr ou retirar. O Senhor referiu-se a ela como “a vontade”, única, inseparável, não-repartida. Assim, quem se habilita ao Reino dos céus?

Seguindo o esquema soteriológico vigente no presente século, Cristo morreu por todos, e cabe a cada um dentre todos, alcançá-lo por seus próprios meios, como um feito, uma obra pessoal. Segundo esse mesmo sistema, o homem pode conseguir salvar-se mas pode perder-se novamente ao falhar em cumprir a vontade do Pai. Mas não bastaria uma falha para tudo ir por água abaixo? Ou seja, mesmo que Cristo tenha morrido por todos, é possível que ninguém seja salvo, pois o princípio da obediência é a vontade divina como um todo, completa, não uma partícula, não uma seção; visto a salvação vir pela fé em Cristo, mas a fé não ser suficiente, pois se tem de, ainda que seja no ato inicial, alcançá-la pelo esforço individual de aceitar aquilo que está sendo proposto.

O arrependimento não justifica o erro, nem pode anulá-lo. O arrependimento é o agradecimento por, ainda que errando, Deus nos haver perdoado; é o reconhecimento daquilo que fez ao anular a dívida que tínhamos, pelo sacrifício de Cristo na cruz. O arrependimento não pode nos livrar da condenação, por isso, Judas permaneceu condenado em seus pecados, mesmo reconhecendo seus erros. Uma dívida não pode ser paga a menos que seja quitada. Como não nos foi possível remi-la, Jesus tomou o nosso lugar e, "havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz" [Cl 2.14]; perdoando-nos todas as ofensas. Elas foram pagas de uma só vez, pela obediência completa do Filho de Deus, não sendo possível imputar a quem foi perdoado nova condenação. No tribunal de Cristo não há recursos nem apelações, dívida paga, dívida quitada, não há débitos, nem a possibilidade de serem reavidos, cobrados e pagos outra vez. Por isso, Paulo diz que é impossível ao salvo recair e ser novamente renovado para o arrependimento; se tal coisa acontecesse, "de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério" [Hb 6.6].

Voltando ao exemplo do homem em queda-livre, sem pára-quedas, o que pode ele fazer além de esperar por um milagre? Nada. É o caso do homem em relação à sua salvação. Não lhe resta nada a fazer, pois o que foi feito por Cristo é plenamente eficaz, de tal forma que nenhum acréscimo é-lhe permitido, sendo perfeito, e ao perfeito não se adiciona coisa alguma. Porque ele, e somente ele, foi capaz de satisfazer toda a vontade do Pai; de obedecê-la integralmente, sem falhas nem tropeços, equilibrando-se na corda-bamba de ponta a ponta, dominando-se a si mesmo sem inclinar-se para um lado ou outro do abismo. Por isso, tem a autoridade para responder aos réprobos: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” [Mt 7.22-23].

Há alguns aspectos a serem abordados aqui: 1) Ímpios podem ser usados por Deus para fazerem a sua obra, segundo a sua vontade, já que também são servos, como tudo o que foi criado está-lhe sujeito e a servi-lo. Portanto, haverá nessa lista de “desconhecidos do Senhor”, pastores, missionários, teólogos, e mesmo pessoas que, aos olhos humanos e carnais, eram irrepreensíveis, assim como Paulo era entre os judeus [Fp 3.6]. 2) Eles podem fazer muitas coisas, como: profetizar, expulsar demônios e outras maravilhas, mas isso não lhes assegurará a participação no Reino; evidência de que, como disse no início deste texto, Deus não se importa com o nosso esforço pessoal, o qual nada vale se não for como conseqüência dele nos conhecer, predestinar, chamar, justificar e glorificar; verbos que guardam em si ações diretas, ativas de Deus na vida daqueles que destinou a “serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” [Rm 8.29]. 3) A despeito de tudo o que fizeram, em nome de Cristo, ele lhes dirá abertamente: “Nunca vos conheci”. Essa afirmação guarda um tesouro, não para os desconhecidos, mas para os conhecidos. Dirão alguns que isso é a prova da presciência, da antevisão divina, assim como um vidente vê o futuro, apenas e tão somente, sem poder intervir nele. A palavra “conheci” procede do grego ginosko[4]indicando “ter a ver com”, “conhecer pessoalmente”. Cristo quis dizer que “não tinha nada a ver com aqueles homens”, “que nunca teve nada a ver com eles”, “que os desconhecia”, por isso deviam apartar-se dele. Fica a pergunta: se Cristo morreu por eles, como era possível que não os conhecesse e tivesse um conhecimento pessoal? Em contrapartida, aqueles que “conhece”, têm tudo a ver consigo, são-lhe íntimos, têm uma relação estreita, ao ponto do Pai vê-los por intermédio do Filho, que satisfaz a sua vontade. E a satisfez plenamente na cruz, ao morrer por aqueles que o Pai lhe deu, os quais jamais se perderão e sairão das suas mãos. Cristo morreu por suas ovelhas apenas, não por todas, e ele mesmo se encarregou de agregar as que ainda não estavam em seu aprisco... e elas ouvirão a sua voz, “e haverá um rebanho e um Pastor” [Jo 10.16]. Por isso, Cristo ainda diz: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós... Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” [Jo 15.16, 17.9].

A relação aqui é de posse; somos de Cristo, assim como somos do Pai, o mundo não é de Cristo, no sentido específico da salvação, do ato expiatório do Senhor ser objetivado aos eleitos, e não à humanidade genericamente. Somos de Cristo, pois, por nós, morreu, resgatando-nos com o seu próprio sangue [At 20.28]. A segurança do eleito está nele, o qual nos conhece, e destinou-nos infalivelmente a que o conhecêssemos. Em outras palavras, Cristo nos conhece, e não há a menor chance daqueles que conhece não o conhecê-lo. Por isso, além de revelar a qualidade moral da obediência [no que todos os cristãos concordam], a qual é o padrão para fazer parte do Reino, incontestavelmente o trecho da Escritura reivindica a salvação e a reprovaçao como escolhas diretas de Deus sobre os homens, adquirindo o sentido exato de que a verdade comunicada é esta: “assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que se compadece... Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” [Rm 9.16, 18].

O que o Paulo quer dizer com isso? Você curou? Ótimo, mas não confie na cura que fez... Profetizou? Não confie em sua profecia... Expulsou demônios? Isso não lhe garante nada... Fez milagres? Cuidado!.. Fez maravilhas? E daí?... Se Deus falou por intermédio de uma jumenta, e usou ímpios como Ciro, Balaão e Judas para realizarem feitos muito maiores do que esses; por que não pode usá-lo? E, mesmo assim, nem o animal ou aqueles homens foram salvos, antes foram condenados, “para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama” [Rm 9.11]. Logo, o que impede Deus de usá-lo na pregação, no evangelismo, no sustento ministerial, e ainda assim condená-lo?

Para concluir, mais duas colocações:

Primeira, como já disse, não estou defendendo nenhum conceito antinomiano, nem de que as exortações da Bíblia para que busquemos a Deus, obedeça-mo-lo, e sejamos santos como ele é santo, são inúteis e incapazes de serem cumpridas. Nada disso! A obediência não é um salvo-conduto para se ingressar no Reino, pelo contrário, se não houver o chamado divino, e Deus não o capacitar a realizar esses e outros feitos para a sua glória, nem mesmo a maior de todas as maravilhas o impedirá de ir para o inferno. Servir a Deus e ser-lhe obediente são consequências e não causas da salvação. O eleito, após a regeneração, deverá buscar, se esforçar, e lutar para, dia após dia, ser transformado à imagem de Cristo, não como algo intrínseco à sua natureza, mas como dádiva do Senhor pela qual somos, nos movemos e existimos. Em outras palavras, se o eleito busca, se esforça e luta para ser como o seu Senhor, é porque Deus opera nele até mesmo nos pensamentos e desejos menos evidenciáveis, de tal forma que se cumpra a promessa de Deus tê-lo elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade... para alcançar a glória de nosso Senhor Jesus Cristo [2Ts 2.13-14].

Segunda, o entendimento da soberania de Deus não é algo que pode ser mudado conforme a nossa conveniência. Algo que sempre me trouxe paz é saber que, mesmo numa eventual não-eleição [como uma hipótese], e sendo condenado ao fogo do inferno, eu daria glória a Deus, bendiria-o, e declararia a todos a sua santidade, perfeição, justiça, mesmo em meio as labaredas eternas, pois a sua vontade irretocável cumprir-se-ia soberanamente.

Com isso, não estou a duvidar da minha salvação e eleição, mas reconhecer que o Senhor permanece o que é e sempre foi, que a sua natureza não pode ser abalada em nenhum aspecto, ainda que o inferno fosse o meu destino. Não está errado reconhecer a justiça e perfeição divinas por nos salvar; mas o fato de não ser salvo, e estar destinado à condenação, não o tornaria injusto, mau ou tirano. Por ser essa a sua vontade e, portanto, santa e perfeita.Fazendo uma analogia, utilizando-me de um trecho do livro de Jó, Deus permanece Deus a despeito da minha condição e situação, pois "nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor" [Jó 2.21].

Ele entendeu isso. Cabe-nos fazer o mesmo.

Notas: [1] Este texto é a segunda parte, a continuação, ao entitulado “Deus não faz acepção de pessoas”. [2] Escrevi sobre a lei, dizendo que ela sempre tem o caráter de condenar e jamais salvar em “Lei e Graça: revelação divina”. [3] Analogias não são totalmente eficientes e confiáveis quando relacionadas ao texto bíblico, mas podem nos dar uma idéia do que ela está dizendo, facilitando o entendimento; sendo as analogias falíveis, como falível é o nosso pensamento.[4] Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, pg 398, Editora Vida Nova.

O terrível juízo de Deus!

Esli Soares

A passagem do Evangelho segundo João, cap 3:8 a 11, não mostra Jesus dizendo à mulher que ela não pecou, nem mesmo que os acusadores dela eram cruéis e pecadores, por quanto a acusavam de adultério. Cristo também não perdoou aquela mulher porque havia (eventualmente) falhas no processo de acusação, ou tampouco por falta de provas.

Também não é correto imaginar que a não condenação foi causada por ser Cristo sabedor do tamanho da pecaminosidade humana e, ao considerar o insignificante (ou quem sabe apenas comum) pecado (de adultério), conclui não ser justo punir a adúltera, visto que a triste condição da humanidade não podia (mesmo que apenas no momento) ser resolvida. Ou mesmo porque ele achava que a sentença era dura demais.
Cristo não inocentou a mulher e nem deu desculpas para seu pecado, não contemporizou ou contextualizou o caso. Não falou da carga emocional que essa mulher sofria; nem recorreu à uma sociedade dominadora e machista para lhe tirar a culpa. Não questionou a criação errada e a má educação dada por seus pais (líderes religiosos e escolas confessionais), nem mesmo a falta disso foi levantada!
Cristo não buscou refúgio em nenhum dos artifícios que conhecemos: não disse que o problema dela era sociológico – ou quem sabe, psicológico – não lhe ofereceu conforto na negação de sua atitude repugnante, não minimizou sua má conduta pelas falhas do caráter do marido ou apenas culpou sua instabilidade emocional, e nem concluiu que a pobre mulher fora enganada por um amante espertalhão.
Ele não deu um jeitinho para não parecer tão mal! Ele não se isentou da pecha de juiz e nem fugiu de dar uma opinião ou veredito! E embora soubesse claramente da maligna intenção daquele grupo, não usou deste expediente para liberar a acusada.
As palavras dele foram claras: “nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais”. Numa leitura mesmo que simples, se perceberá que o padrão de santidade exigido {por Deus} não mudou! Cristo declara aquela mulher como pecadora, e mais, pecadora da acusação levantada – ela era uma adúltera, ele sabia disso! Mas Cristo simplesmente não a condena. Não aplicar a pena que lhe era devida, pena justa – crime previsto e sentença acertada e conhecida. Não foi uma mudança de paradigma, nem mesmo um novo mandamento. Ele não burlou a Lei mosaica e nem se apoiou numa brecha legalista.
Maravilhosamente, Cristo teatraliza o perdão proposto pelo Pai ao enviar seu Filho à morte, e morte de cruz. Em escala menor Cristo demonstra a clareza do seu oficio e a grandeza de seu trabalho. Cristo amavelmente lança sobre si a culpa dessa mulher, culpa essa real! Ele toma para si a maldição da morte e a justa exigência da Lei. Ele resolve livremente conceder, antecipadamente, preciosas gotas de seu sangue redentor a essa adúltera. Num bendito escopo reduzido, mas não menos verdadeiro, do que ele fez por mim naquela Cruz! Cristo encenou ali, de forma bem menos violenta, o que estava disposto a fazer por qualquer pecador que fosse (ou que for) levado à sua presença sem disfarce ou máscara que escondesse sua condição.
Enfim, Cristo não é seduzido por nosso moralismo e nem constrangido pela nossa parca noção de justiça. Nem mesmo é subjugado por alguma façanha humana, e nem ele é oprimido pelos nossos pressupostos ou controlado pela nossa lógica. Cristo, o Senhor, demonstrou nessa passagem misericórdia não por ela simplesmente, mas por nós. Ali, num profético ato, Ele nos declarou livres da morte e nos advertiu contra o pecado.
Sejamos nós arautos dessa história! Não ofereçamos alívio ao pecador na diminuição da santidade exigida, nem falemos da isenção da culpa pelo mimetismo sócio-político, ou da negação do pecado pelo fortalecimento psicológico, nem mesmo ignoremos o confronto de Cristo e sua Lei à nossa sociedade pecaminosa e diabolicamente doente, que em nome de um amor (ultrajante) a tudo permite. Anunciemos a cura e a libertação, o perdão proposto em Cristo Jesus, pois como nos foi dito: ele foi desprezado e rejeitado por todos nós, mas certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.
Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele à iniqüidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido, contudo não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. Com julgamento opressivo ele foi levado, pois ele foi eliminado da terra dos viventes por causa da nossa transgressão. Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela nossa culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão, porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
(Is 53 e Jo 3:16 - NVI adaptada)
Por Esli Soares


Equilíbrio Cristão


Incendiário
equilibrio-cristaoUm dos elementos mais importantes na vida do cristão é o equilíbrio. Extremos são perigosos, e podem deformar completamente o cristianismo. O caminho mais curto para a heresia e a apostasia é quando uma doutrina ou prática é supervalorizada em detrimento de outras doutrinas e práticas igualmente importantes.

Vejamos alguns pontos onde o equilíbrio é fundamental:


Amor e Misericórdia x Ira e Justiça

Alguns cristãos dão tanta ênfase ao amor e à misericórdia de Deus que se esquecem completamente de Sua justiça e de Sua ira contra os pecadores. Constroem um deus estranho, que aceita tudo e não tem valores morais ou, no máximo, não os leva em consideração.

Por outro lado, também há aqueles que, buscando salvaguardar a justiça divina, terminam criando um deus tirano e impiedoso, que não demonstra bondade e compaixão alguma pelos violadores de Sua lei. Um deus que não demonstra amor, nem se apieda de Suas criaturas.

Ambos deuses acima são imagens distorcidas do Deus bíblico surgidas a partir de visões extremistas e sem discernimento. Ambas não colocaram na balança a bondade e a severidade de Deus. São leituras míopes da Escritura, desequilibradas e parciais, que não se apóiam sobre a totalidade da Revelação.

"Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado." (Romanos 11:22)

Lei x Evangelho

Outro exemplo similar é o equilíbrio que devemos ter ao pesar a Lei e o Evangelho. Qualquer desequilíbrio nesta área gerará um conceito deturpado, e corromperá tanto a Lei quanto o Evangelho. Na verdade, Lei e Evangelho são inseparáveis, estão em harmonia, e se completam mutuamente. A Lei aponta nosso pecado e nos mostra o quão condenáveis somos. Ela nos faz desesperar e, como aio, nos conduz a Cristo, por meio do Evangelho. O Evangelho, por sua vez, nos salva da condenação da Lei, por meio de Cristo, e então nos devolve novamente à Lei, para que vivamos vidas piedosas em obediência a Deus, pelo poder do Espírito.

"De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados." (Gálatas 3:24)

Fé x Obras

Equilíbrio é igualmente necessário quando falamos de fé e obras. Sabemos que a fé sem obras é morta, conforme Tiago 2:26. Por outro lado, tudo que não é da fé é pecado, conforme Romanos 14:23. Isso significa que as obras sem a fé e a fé sem as obras são igualmente erradas. De nada vale dizer que se tem muita fé, mas não exercê-la praticando boas obras. Da mesma forma, as obras que não procedem de um coração temente a Deus e que não visam Sua glória também são sem valor.

Esperança no Futuro x Ação no Presente

Podemos citar muitos outros casos em que o equilíbrio é fundamental. Um deles é a relação entre nossa esperança no futuro e nossa ação no presente. Nossos olhos devem estar voltados para Cristo e nossa reunião com Ele naquele dia glorioso do Seu retorno. Porém, não podemos fazer disso uma desculpa para relaxarmos com nossos deveres na presente era.

Intelecto x Sentimentos

Outro ponto onde muitas vezes falhamos é na relação que há entre intelecto e sentimentos, ou entre razão e emoção. Esses são dois extremos em que os cristãos costumam cair frequentemente. Há aqueles que se tornam demasiadamente intelectuais, sem afeições, puramente técnicos em sua vida cristã, como se cristianismo fosse uma teoria sem vida. Outros, por outro lado, caem num emocionalismo irracional e acabam, por causa disso, abrançando todo tipo de práticas e doutrinas ilógicas e anti-biblicas.

O cristianismo é totalmente intelectual e lógico, mas não se resume a conceitos teóricos. Ele é o poder de uma nova vida.

Machismo x
Feminismo
Este conflito é uma boa amostra dos estragos que os extremos podem causar. Tanto machistas quanto feministas erram. A esposa deve ser submissa ao seu esposo, honrá-lo e obedecê-lo, mas não em detrimento da dignidade e valor da esposa. Mulheres não são inferiores e devem ter seus direitos preservados. Ao esposo cabe amá-la e respeitá-la, proporcionando-lhe sustento, segurança, liberdade e honra.

O ponto de equilíbrio está justamente aqui, na analogia com Cristo e a Igreja:

"Portanto, assim como a Igreja é obediente a Cristo, assim também a esposa deve obedecer em tudo ao seu marido. Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela." (Efésios 5:24-25)

Santidade x Amor x Ortodoxia

Essa face tríplice da vida cristã é fundamental e deve estar muito bem equilibrada. Santidade sem amor e sem ortodoxia (crenças corretas) causa um cristianismo manco. O mesmo ocorre com amor sem santidade e sem ortodoxia, ou ortodoxia sem santidade e sem amor. Não adianta muito, por exemplo, "fazer bem ao próximo" se você tem conceitos falsos sobre Deus. Também não adianta ter conceitos corretos sobre Deus se você não O ama, nem obedece aos Seus mandamentos.

Outros exemplos

Muito mais poderia ser dito, por exemplo, a respeito da tensão entre soberania divina e responsabilidade humana, ou do tempo que devemos separar para as nossas obrigações na igreja, na família e na sociedade. Os nossos conceitos de sagrado e profano também devem ser equilibrados. Não podemos cair numa teologia de gueto, que considera sagrado apenas o que é religioso. Por outro lado, também não se pode cair no engano de achar que tudo é sagrado, inclusive o pecado.

Enfim, praticamente tudo na teologia e na prática cristã precisa ser visto e analisado com prudência e discernimento, olhando-se de forma global e abrangente, evitando os extremos e buscando o ponto de equilíbrio bíblico.

Mais exemplos poderiam ser dados, mas estes são suficientes para expor a questão.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

E Judas? Será que ele alguma vez foi um salvo?

Ednaldo Cordeiro
Sempre que transitamos nas conturbadas estradas da predestinação, nossos opositores, no sentido doutrinário, levantam a questão de Judas, o Iscariotes, afirmando que enquanto não havia traído o Mestre, era um salvo, já que andava entre eles, falava como eles, pregava como eles, e o próprio Cristo o escolhera para ser um de seus apóstolos.

Eu sei que é difícil aceitar aquilo que muitas vezes se coloca de forma clara diante de nossos olhos, devido aos nossos amados pressupostos. Lutei e ainda luto para vencer alguns que insistem em permanecer, mas prossigo conhecendo ao Senhor, moldando minha mente à Palavra. Algumas vezes me deparo com minhas limitações, e peço a Deus que me ilumine, e quase sempre Ele atende, algumas vezes me deixa de molho por um tempo, outras não se dá ao trabalho de responder.
Mas o caso de Judas é emblemático, pois aqueles que não acreditam que Deus possa reprovar alguém, condenar sem dar sequer uma chance, não aceitam que Judas tenha sido escolhido exatamente para fazer o que fez, ou seja, trair a Cristo. Alguns, inconsistentemente, afirmam que qualquer um dos discípulos poderia ter feito o mesmo.

Eu até poderia afirmar que qualquer um dos discipulos poderia ter sido o traidor, se eu não tivesse a Bíblia em mãos e se isso, a traição, ainda estivesse por acontecer. Realmente eu não sei o que acontecerá daqui a alguns segundos, que dirá dias ou anos, mas o que aconteceu e está registrado eu sei, e o que eu sei é que Judas foi o traidor porque estava destinado a isso. Inclusive, nossos opositores negam o seu próprio ensino sobre a presciência divina, ao defender a idéia de que o traidor poderia ter sido Pedro, por exemplo.
A Escritura é clara quanto a isso, Judas nunca foi um dos que teve seu nome escrito no livro da vida. Vamos ver como a Bíblia trata Judas.

Ladrão (João 12:6), e se Paulo, anos depois, ensinava que os ladrões não herdam o Reino dos Céus, 1 Co 6:10-11, quanto mais Cristo;

Um diabo (João 6:70), se o caso fosse de possessão demoníaca, Jesus poderia muito bem expulsar o “encosto” e Judas “tão bonzinho que era”, deixaria de roubar da bolsa, e jamais teria traído Jesus.

Haviam profecias de que o Messias haveria de ser traído, isso é ponto pacífico. Se haveria o ato, também devia haver o agente executor desse ato. Dizer que Deus deixou isso aberto no tempo é tolice. Na verdade, para demonstrar que Judas foi escolhido por Cristo para isso mesmo, bastaria ler os versos finais do capítulo 6 de João, onde Cristo diz “Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo.”. Cristo diz que Judas “é um diabo”, não que Judas se tornaria um após Satanás entrar nele como escreve Lucas, ou ter dado lugar como escreve o próprio João. Judas ERA um diabo.

Ainda no capítulo 6, mas agora nos vs.64-65, e fazendo uma montagem da fala de Cristo, retirando os comentários joaninos do meio da fala, e colocando-os no final, fica até mais fácil compreender: “Mas há alguns de vós que não crêem.[...] Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido, porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.”. João afirma que “desde o princípio” Cristo sabia que havia descrentes entre os discípulos, bem como também sabia quem seria o traidor, apenas os apóstolos estavam alheios a esse fato, afinal eram simples humanos limitados no tempo e no espaço, e se Cristo desde o princípio sabia quem seria o traidor, não havia a possibilidade de algum dos outros discípulos passarem na frente de Judas.

Judas estava no lugar errado, como bem nos ensina Pedro após a ascensão de Cristo. Ele diz em Atos 1:25 que Judas se desviou do caminho de Deus para ir para O SEU PRÓPRIO CAMINHO. Judas apenas seguiu seu destino.

Agora, se formos buscar oportunidades de salvação no sentido que os nossos opositores usam, Judas teve todas, ele ouviu a Palavra da boca daquele que é a Palavra, ele teve oportunidade de pregar o Evangelho, ele curou enfermos, mas a despeito de ter visto e ouvido tudo isto, o discurso de Cristo era, e ainda é, “duro” de engolir. O próprio Jesus nos adverte acerca deste tipo de pessoa em Mateus 7:21-23, onde Ele afirma que não é porque alguém diz que Jesus é Senhor de sua vida, ou porque opera sinais e maravilhas, mas continua mantendo atitudes iníquas, que está salvo. Estes não são frutos da salvação, o fruto da salvação é uma nova natureza que tem prazer em fazer a vontade do Pai. E Judas não tinha isso, apesar dos sermões de Cristo, continuava roubando, apesar dos dons de operar maravilhas, continuava sendo “um diabo”. Sendo assim, ao trair Cristo, ele estava apenas seguindo o seu próprio caminho.

Se os nossos opositores estivessem corretos, Deus não poderia condenar nenhuma das pessoas que não tiveram a “oportunidade” de ouvir o Evangelho, pois, segundo eles, seria injusto condenar sem dar a chance. Como diria o Pr. Renato Vargens, vamos combinar uma coisa, em nenhum lugar da Bíblia há este tipo de ensino, são simplesmente sofismas humanos aplicados na interpretação bíblica, ou seja, não tem nenhum valor.

Concluindo, afirmar que qualquer outro discípulo poderia ter sido o traidor, para aqueles que advogam a eleição presciente, é atirar no próprio pé. No fim das contas, a única posição que realmente podemos seguir é a de que, apesar de ter caminhado entre os salvos por mais de três anos, Judas nunca foi um deles, ele sempre foi o filho da perdição, nascido para cumprir o propósito de trair o Messias.

Fonte:
Divinitatis Doctor