domingo, 15 de novembro de 2015

Lição 8: O início do governo humano

PORTAL ESCOLA DOMINICAL
QUARTO TRIMESTRE DE 2015
ADULTOS – O COMEÇO DE TODAS AS COISAS  Estudos sobre o livro de Gênesis
COMENTARISTA : CLAUDIONOR CORREA DE ANDRADE

Lição 8: O início do governo humano

O INÍCIO DO GOVERNO HUMANO No recomeço da humanidade, Deus entregou ao homem a administração da justiça.
INTRODUÇÃO - Na sequência do estudo do livro do Gênesis, analisaremos hoje o estudo da primeira parte do capítulo 9, quando se institui a dispensação do governo humano. - No recomeço da humanidade, Deus entregou ao homem a administração da justiça.
I – O PACTO NOAICO - Deus havia destruído a humanidade com o dilúvio, mas havia poupado Noé e sua família, porque ele havia sido achado justo aos olhos do Senhor (Gn.7:1).
- Quando o Senhor autorizou Noé e sua família a sair da arca, mais de um ano depois do início do dilúvio, Noé tomou a iniciativa de adorar a Deus, sacrificando animais limpos em gratidão pelo livramento de que fora alvo (Gn.8:20). Por causa desta iniciativa, o Senhor tomou a deliberação de nunca mais destruir a Terra com um dilúvio, tendo, então, Noé se tornado uma bênção para toda a humanidade (Gn.8:21,22).
- Quando o Senhor avisou a Noé a respeito da destruição da Terra com o dilúvio, Ele já havia dito ao patriarca que se estabeleceria um pacto entre Deus e ele (Gn.6:18). - Tal afirmação divina mostra-nos que Deus tem sempre interesse em estabelecer um relacionamento com o homem, visando sempre o bem da humanidade, tendo por objetivo a salvação, o restabelecimento da comunhão perdida com a entrada do pecado no mundo.
- Ao mesmo tempo em que anunciava a destruição da geração rebelde que vivia no período antediluviano, o Senhor, ao dizer a Noé que estabeleceria com ele um pacto, estava mantendo de pé a promessa da redenção feita ao primeiro casal, como também indicando que se mudaria a dispensação, ou seja, a partir do dilúvio, Deus, no Seu imutável propósito de redimir o homem, passaria a tratar com o homem de um outro modo, de uma outra forma, de uma outra maneira.
- Cyrus Scofield (1843-1921) conceitua dispensação como “um período de tempo durante o qual o homem é provado quanto à obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus”. Diz ainda o grande divulgador do dispensacionalismo: “cada dispensação pode ser considerada uma nova prova do homem natural, e cada uma termina em juízo, evidenciando o completo fracasso do ser humano.”
- Segundo esta linha de pensamento, portanto, temos que Deus, no Seu plano para a salvação do homem, vai progressivamente Se revelando ao homem, apresentando ao homem, ao longo da história, o Seu amor e o Seu interesse em que haja o restabelecimento da comunhão perdida com o pecado.
- Esta revelação progressiva de Deus ao homem faz com que o homem, seguidamente, verifique o seu fracasso em se manter fiel a Deus, até que se encontra o ponto culminante deste processo, em que Deus Se faz homem e alcança para a humanidade a eterna redenção.
A dispensação, portanto, é uma forma de Deus administrar o Seu plano de salvação para a humanidade, dentro da Sua revelação progressiva ao homem, que encontra sua culminância no instante em que Ele mesmo Se revela aos homens na pessoa de Cristo Jesus, na “plenitude dos tempos” (Gl.4:4).
- Depois de ter decidido não mais destruir o homem com um dilúvio, o Senhor abençoou a Noé e a seus filhos, reafirmando-lhes o propósito divino para o ser humano, dado ao primeiro casal, qual seja, o propósito de frutificação, multiplicação e enchimento da terra (Gn.9:1).
- Observamos, portanto, que, embora tenha havido a modificação da dispensação, Deus continuou sendo o mesmo, pois Ele não muda (Ml.3:6; Tg.1:17), tanto que tudo quanto fez ao primeiro casal, à primeira família no Éden, também voltava a fazer para Noé e sua família, trazendo a bênção e determinando que eles frutificassem, multiplicassem e enchessem a Terra.
- Por isso, não podemos, de modo algum, querer “contextualizar” a Palavra de Deus, no sentido de entender que devam as Escrituras Sagradas adquirir novos significados e novos parâmetros por causa da “mudança dos tempos”. A Palavra de Deus não se altera por causa da passagem do tempo, pois ela permanece para sempre (I Pe.1:25).
- Noé tinha o encargo de repovoar a terra, de recomeçar a humanidade, juntamente com a sua família, e, portanto, deveria atender a todos os propósitos divinos, que permaneciam os mesmos.
- No entanto, se Deus não muda, isto não ocorre com o homem. Noé agora estava numa terra diferente, que, por causa do dilúvio, havia sofrido importantes alterações. A primeira é de que, doravante, haveria diversidade de climas, como também as estações do ano, já que a camada de águas que havia na atmosfera não mais existia, derramada que havia sido perante a superfície da Terra.
- Por isso, o Senhor indica a Noé que, doravante, por parte da criação terrena pavor e temor em relação ao homem, uma vez que o homem permaneceria tendo o domínio sobre a criação terrena (Gn.9:2). Tem-se aqui, na verdade, mais um distanciamento entre o homem e a natureza, consequência da intensificação do pecado que levara ao juízo do dilúvio. Deus deixava de agir somente pela consciência do homem, mas se estabelecia um terror e pavor das criaturas terrenas em relação ao ser humano precisamente para se dar ao homem mais um sinal, agora objetivo, de que o pecado trazia uma profunda desintegração e que, por isso, se deveria buscar ao Senhor e se aguardar a promessa da vinda da “semente da mulher” que restabeleceria esta comunhão perdida.
- Além deste pavor e temor, Deus, também, passava a autorizar o consumo de carne. O homem e outros animais (e até alguns vegetais) deixavam de ser herbívoros, para serem carnívoros ou onívoros. A partir do dilúvio, diante das mudanças climáticas, foi alterada a dieta alimentar de algumas criaturas, passando o homem a poder ingerir carne (Gn.9:3,4).
- No entanto, nesta modificação de dieta, o Senhor proibiu o consumo de sangue, onde estava a “vida” dos animais. Com efeito, vemos aqui que o sangue era o elemento que permitia a manutenção da vida nos animais, o que se demonstrou posteriormente pela ciência, que mostra ser o sangue o elemento que leva o oxigênio a todas as células do corpo, possibilitando a mantença da vida.
- Esta proibição de ingestão de sangue nada tem que ver com a consideração do sangue como “alma” do corpo, como ensinam equivocadamente as Testemunhas de Jeová. A alma do homem é imaterial e, portanto, não se confunde com o sangue. A vedação diz respeito à alimentação, não havendo, também, nesta determinação divina, qualquer proibição para a transfusão de sangue, até porque tudo quanto represente a manutenção da vida é algo que deva ser prestigiado e defendido pelos servos do Senhor.
- Além disto, a proibição do consumo do sangue era um indicador de como se daria a redenção da humanidade, pelo derramamento do sangue inocente da “semente da mulher”, que daria a sua vida pelo
homem. Desde o Éden, quando o Senhor havia derramado sangue de um animal para dar túnicas de peles ao primeiro casal (Gn.3:21), havia uma sacralidade no derramamento do sangue, o que era de pleno conhecimento de Noé, que havia sacrificado animais em gratidão ao Senhor (Gn.8:20). Era, pois, uma ação de reverência a Deus, o reconhecimento de que Deus era o dono da vida e que, portanto, não se poderia profanar este elemento representativo da vida.
- E, por falar em vida, o Senhor reafirmou o Seu senhorio sobre a vida dizendo a Noé que requereria o sangue de cada ser humano da mão de todo o animal como também da mão de todo de homem e da mão do irmão de cada um (Gn.9:5).
- O Senhor retomava aqui o gérmen que havia levado toda a humanidade à destruição, que tinha sido o homicídio praticado por Caim, oportunidade em que ele disse que não se sentia “guardador do seu irmão” (Gn.4:9), atitude que havia permitido que, ao longo dos anos, toda a terra se enchesse de violência (Gn.6:11).
- O Senhor apresenta-Se como o dono da vida, dizendo que o ser humano jamais poderia derramar o sangue de outro ser humano. Se o fizesse, o Senhor requereria este sangue da mão do homem, pois todo ser humano deveria verificar que todo homem é irmão do seu próximo.
- O Senhor ainda disse que quem derramasse o sangue do homem, pelo homem o seu sangue seria derramado, porque o homem era imagem de Deus e, portanto, não poderia qualquer ser humano ceifar a vida de outro (Gn.9:6).
- Esta passagem deste pacto que Deus estava estabelecendo com Noé, pacto que é chamado pelos estudiosos das Escrituras de “pacto noaico”, é fonte de grandes discussões, pois alguns veem aqui o estabelecimento da pena de morte, enquanto que outros veem aqui precisamente a proibição da pena de morte.
- Entendem alguns que quando o Senhor disse que quem derramasse o sangue do homem pelo homem o seu sangue seria derramado estava a permitir que o homem aplicasse a pena de morte ao homicida. Teria havido aqui a delegação ao homem da aplicação da justiça, inclusive com a morte daquele que matasse alguém.
- Outros, no entanto, veem aqui que o Senhor toma para Si a aplicação desta “pena de morte”. Ao dizer que o sangue do homicida seria derramado pelo homem, o Senhor não estaria a delegar aos homens a possibilidade de matar o homicida, mas, sim, uma vez que o homem é “imagem de Deus”, estaria dizendo que Ele próprio, dentro da lei da semeadura, Se incumbiria de aplicar a morte ao homicida, usando o ser humano para isso, mas não delegando aos homens a aplicação da pena de morte.
- Parece-nos que esta última posição é a correta, pois o Senhor diz que requereria Ele próprio o sangue do homem, ou seja, não daria ao ser humano o poder de ceifar a vida do homicida, pois o homem é “imagem de Deus”, a vida é algo dado pelo próprio Senhor (I Sm.2:6) e, deste modo, não é algo que possa ser impunemente retirado pelo homem de seu próximo. O texto é bem claro ao dizer que o homem foi feito por Deus e, portanto, só Ele pode retirar a vida de um ser humano.
- O texto mostra, ademais, que Deus, ao excluir a vida do domínio humano, estava pondo os limites daquilo que viria a ser o “governo humano”, ou seja, a delegação ao homem da administração da justiça, que será o grande diferencial desta nova dispensação. - O homem não poderia ceifar a vida do seu próximo, não lhe era isto delegado, pois o único dono da vida é o Senhor, mas deveria cumprir o propósito divino estabelecido ao ser humano, frutificando, multiplicando e povoando abundantemente a terra, multiplicando-se nela (Gn.9:7).
- A frutificação tem a ver com o estabelecimento de uma comunhão com Deus, com a construção de uma vida agradável a Deus. Trata-se de produção do fruto do Espírito (Gl.5:22), de frutos de justiça (Fp.1:11).A multiplicação tem a ver com a reprodução. A terra estava desabitada, depois da destruição de toda carne sobre a face da Terra com o dilúvio, e havia, então, a necessidade de se repovoar a Terra, terra que deveria ser abundantemente povoada. O Senhor reafirma que a humanidade deveria se dispersar por todo o planeta, algo que não tinha sido feito, ao menos em grande escala, pela geração anterior e que, apesar da ordem reafirmada, somente se daria após o término da dispensação do governo humano.
- Vemos aqui, mais uma vez, a necessidade que Deus dá a que as famílias tenham filhos, o dever da procriação, algo que tem sido profundamente negligenciado em nossos dias, onde a mentalidade de controle da natalidade, que tem raízes no “espírito do anticristo”, tem dominado inclusive a mente de muitos que cristãos se dizem ser.
- O “pacto noaico” é chamado pelos doutores da lei judeus de “os sete preceitos dos descendentes de Noé”, onde estariam as bases e os parâmetros estabelecidos por Deus a toda a humanidade, as bases da ética e da moralidade. Tanto assim é que, quando do concílio de Jerusalém, tais preceitos foram reafirmados e ditos que deveriam ser seguidos por todos os cristãos gentios (At.15:28,29).
- Este pacto, segundo estes doutores da lei, continham as mesmas disposições que Deus havia dado ao primeiro casal no Éden, com a inclusão da proibição do consumo de carne, a nos mostrar, uma vez mais, a imutabilidade da Palavra de Deus. OBS: “…Rabi Johanan respondeu: O escrito diz: ‘E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás’ [Gn.2:16,17] E [Ele] ordenou refere-se às leis sociais e, por isso, está escrito: ‘Porque Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para obrarem com justiça e juízo [Gn.18:19](…) Deus é [uma injunção] contra a idolatria, pois está escrito: ‘Não terás outros deuses diante de Mim’ [Ex.20:3] (…) Quando veio o Rabi Isaac, ele trouxe uma interpretação contrária. E ele ordenou – refere-se à idolatria. Deus [Elohim] para as leis sociais. Agora ‘Deus’ pode corretamente se referir às leis sociais, como está escrito: ‘…o dono da casa será levado diante dos juízes… (elohim) [Ex.22:8]…” (TALMUDE da Babilônia. Tratado Sanhedrin 56b. Disponível em: http://www.come-and-hear.com/sanhedrin/sanhedrin_56.html Acesso em 19 nov. 2014) (tradução nossa de texto em inglês) (destaques originais)
- Os rabinos viram em Gn.2:16,17 os preceitos morais, os elementos do mundo moral, chamados de “sete preceitos dos descendentes de Noé”, já que tudo foi repetido e reafirmado para Noé após o dilúvio. OBS: ““…Nossos mestres ensinam: sete preceitos foram ordenados aos filhos de Noé: leis sociais, para refrear da blasfêmia, idolatria, adultério, derramamento de sangue, roubo e de comer carne de um animal vivo…" (TALMUDE DA BABILÔNIA. Sanhedrin, 56a. Disponível em: http://www.come-and-hear.com/sanhedrin/sanhedrin_56.html Acesso em 04 nov. 2014) (tradução nossa de texto em inglês).
- Primeiro preceito (Avodah zarah) – Proibição da idolatria – “ordenou” ou “Deus” – Se Deus ordena, é porque Ele é o Senhor, não havendo pois outros deuses, sendo impossível se submeter a outrem que não o próprio Deus. Se Ele é “Deus”, não há outro. – Dt.6:4; Is.43:10,11. A idolatria é proibida a todas as nações, a todos os homens – Rm.1:18-23. Outras nações que não Israel foram punidas por causa de sua idolatria – Gn.11:7-9; 15:16. - Segundo preceito (Birkat Hashem) – Proibição de blasfêmia – ‘Senhor” – Se Deus é Senhor, deve ser obedecido, não pode ser contrariado, não pode ser ofendido, não pode ser menosprezado, desprezado, considerado algo vil – Lv.24:16; II Cr.32:17; Sl.14:1-3; I Pe.3:16; Ap.2:9.
- Terceiro preceito (Shefichat damim) – Proibição do assassinato – “homem” – Só Deus é o dono da vida (I Sm.2:6) e todo homem é imagem e semelhança de Deus e, portanto, só Deus pode retirar-lhe a vida (Gn.9:5,6). - Quarto preceito (Gilul arayot) – Proibição da imoralidade sexual – “dizendo” – Somente se pode comunicar e estabelecer comunhão com o cônjuge, com quem se faz um só diante de Deus (Gn.2:24). – ‘Dizendo” leva-nos a Jr.3:1,2.
- Quinto preceito (Gezel) – Proibição do roubo – “toda árvore”. Se temos de ter autorização de Deus para comer das árvores do jardim do Éden, isto é sinal de que não podemos usar das coisas sem autorização do seu dono. - Sexto preceito (Ever min ha-chai) – Proibição de comer com sangue – “comerás livremente”. Somente podemos comer daquilo que já está pronto para comer, ou seja, daquilo que já está devidamente morto, sem sangue, que representa a “vida” (Gn.9:4) - Sétimo preceito (Dinim) – Estabelecimento de leis de honestidade e justiça – “ordenou”, “Deus” – Deus quer que o homem viva de acordo com a Sua vontade e, portanto, é preciso estabelecer regras de convivência que estejam em conformidade com a vontade do Senhor e um sistema judicial que aplique a vontade do Senhor na sociedade – Ex.18:21-23; Rm.13:1-7.
- Este último preceito dá ideia propriamente do que se denomina “governo humano”. O Senhor não iria mais aplicar diretamente a justiça sobre a humanidade, pois não iria mais destruir a Terra com água, não iria mais fazer um novo dilúvio (Gn.9:9-11). Com exceção da vida, tudo o mais deveria ser tratado pelo homem, que deveria administrar a justiça, criando um sistema de leis pelos quais se disciplinaria a convivência entre os homens e o próprio relacionamento do homem com a natureza.
- Ao determinar que o homem administrasse a justiça, estava mandando que o ser humano tomasse as devidas providências para que, na sociedade, fossem observados os parâmetros estabelecidos por Deus para a convivência humana. É por isso que esta dispensação é chamada de “governo humano”, pois o Senhor mandou que o homem “governasse” as relações entre si, logicamente sob os princípios estatuídos por Deus.
- Por que o Senhor determinou que o homem passasse a administrar a justiça sobre a face da Terra? Precisamente porque não haveria mais de lançar um dilúvio sobre a Terra. Quando o Senhor viu que o homem era continuamente mau, determinou a destruição do homem pelo dilúvio. Para que isto não mais ocorresse, reconhecendo a falibilidade ínsita ao homem concebido no pecado (Sl.51:5), cuja imaginação do coração é má desde a meninice (Gn.8:21), mandou que o homem mesmo cuidasse da administração da justiça, algo que seria falível e que não traria a destruição total.
- Ao delegar a administração da justiça ao homem, o Senhor mostra toda a Sua misericórdia e graça, abstendo-se de destruir toda a carne sobre a face da Terra, abrindo um tempo para que o homem tivesse a oportunidade de servir a Deus. A partir deste pacto, Deus somente atuaria pontualmente, quando a Sua longanimidade chega ao limite, como, por exemplo, ocorreu nas cidades da planície (Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim).
- Por isso, não devemos nos surpreender com a insuficiência da chamada “justiça dos homens”, insuficiência que é cada vez maior em virtude da multiplicação do pecado (Mt.24:12). O estabelecimento do governo humano foi um ato de misericórdia e graça divinas para impedir a imediata aplicação da justiça a todos os homens, como se fez no dilúvio, para dar tempo ao homem para se arrepender, para garantir a existência da humanidade até a vinda da redenção por intermédio de Cristo Jesus.
- Neste pacto noaico, vemos o devido lugar do poder político e seu relacionamento com Deus. Ao determinar o Senhor que se deveria criar um sistema de administração da justiça pelos próprios homens, Deus estava a criar o governo, que é, assim, constituído por Deus (Cf. Rm.13:1), mas com propósitos bem determinados.
- As autoridades são constituídas por Deus com o propósito primeiro de administrar a justiça, de castigar os maus (Rm.13:3,4). É este o primeiro papel de um governo, impedir a impunidade, não permitir que as pessoas que vivam em desacordo com os princípios divinos estabelecidos para a convivência entre os homens fiquem impunes e tenham vantagem.
- Por isso, o “espírito do anticristo” tem instituído em todas as nações do mundo, neste período imediatamente anterior ao arrebatamento da Igreja, uma cultura da impunidade, uma permissividade cada vez mais crescente, fazendo com que se tenha um ambiente de grande injustiça e de vazio governamental, preparando, assim, uma sede pelo estabelecimento de um poder, que será suprida pelo Anticristo, em que, entretanto, em vez de se ter um governo consoante os parâmetros divinos, haverá a deificação do homem e a indevida assunção do lugar de Deus pelo homem.
- A correta posição do governo é a de ser “ministro de Deus”, ou seja, “servo do Senhor”, ou seja, deve tão somente implementar leis que estejam de acordo com os princípios estabelecidos por Deus, pois Deus é o Senhor, Deus é o soberano.
- O poder político foi criado para servir aos propósitos divinos, não para dominar sobre os homens como se Deus não existisse, como acontece no sistema gentílico que seria estabelecido precisamente na dispensação do governo humano, um sistema de rebeldia contra Deus e que poria fim a esta dispensação.
- Por isso, devemos, sim, obedecer às autoridades, pois quem não o faz estará a resistir ao próprio Deus (Rm.13:2), mas jamais devemos, nesta obediência, consentir com o “abuso de autoridade”, ou seja, o momento em que a autoridade deixa de servir aos propósitos divinos para querer colocar-se no lugar do próprio Deus, como, aliás, os apóstolos deixaram claro ao dizer aos membros do Sinédrio, o órgão máximo do poder político-religioso judeu nos tempos da dominação romana, que mais importava obedecer a Deus que aos homens (At.5:29).
- Deste modo, como servos de Deus, devemos, sim, obedecer às autoridades, interceder diante de Deus por elas (Cf. I Tm.2:1-3), mas, jamais poderemos compactuar com medidas delas provenientes que afrontem a Palavra de Deus, que contrariem os princípios bíblicos, devendo, neste caso, manter nossa obediência ao Senhor, nem que isto signifique uma desobediência civil, que deverá sempre se fazer mediante a resistência pacífica e a denúncia dos desmandos e desvios proferidos pelos governantes que se rebelarem contra a sã doutrina.
II – O SINAL DO PACTO NOAICO - Como demonstração de que, doravante, Deus não iria falar com o homem apenas através da consciência, mas que se incluíam agora elementos objetivos, situados fora do ser humano, como a própria administração da justiça, foi dado um sinal cósmico para este pacto, a saber, o arco-íris, “o arco do Senhor posto na nuvem” (Gn.9:13).
- Esta afirmação bíblica mostra toda a confluência e harmonia que há entre a revelação divina e a ciência. Por primeiro, fala-se em “nuvem”, uma realidade que somente exsurgiu na Terra depois do dilúvio, com o fim daquela uniformidade climática, ante a extinção daquela camada de águas que antes havia na atmosfera, pois a nuvem nada mais é que “um conjunto visível de partículas diminutas de gelo ou água em seu estado líquido ou ainda de ambos ao mesmo tempo (mistas), que se encontram em suspensão na atmosfera, após terem se condensado ou liquefeito em virtude de fenômenos atmosféricos. A nuvem pode também conter partículas de água líquida ou de gelo em maiores dimensões e partículas procedentes, por exemplo, de vapores industriais, de fumaças ou de poeiras…” (Nuvem. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuvem Acesso em 08 set. 2015).
- Bem se vê, portanto, que, após o dilúvio, passou a existir um diferente ciclo da água no planeta, com o estabelecimento das estações do ano e de um sistema de chuvas, até então inexistente sobre a face da Terra. As nuvens passaram, assim, a ser uma nova paisagem na atmosfera e, nestas nuvens, que eram decorrência do juízo divino, o Senhor estabelece um sinal para lembrar ao homem que jamais iria novamente destruir a Terra com água.
- Este sinal era o arco-íris. Mas o que é o arco-íris? “Um arco-íris (também chamado arco-celeste, arco-daaliança, arco-da-chuva, arco-da-velha) é um fenômeno óptico e meteorológico que separa a luz do sol em seu espectro (aproximadamente) contínuo quando o sol brilha sobre gotas de chuva. É um arco multicolorido com o vermelho no seu exterior e o violeta em seu interior; a ordem completa é vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil (ou índigo) e violeta” (Arco-íris. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Arco-%C3%ADris Acesso em 08 set. 2015).
- Vemos, pela própria definição científica do arco-íris, que ele somente foi possível depois do dilúvio, vez que se trata de um fenômeno óptico e meteorológico que separa a luz do sol das gotas de chuva, ou seja, algo somente possível depois da modificação relativa ao ciclo da água ocasionado pelo dilúvio, com a extinção da camada de águas que havia na parte superior da atmosfera e que mantinha a Terra sob uma uniformidade climática.
- Isto serve para mostrar, uma vez mais, que não qualquer divergência entre as Escrituras Sagradas e a ciência, pois enquanto a Bíblia revela a verdade, sendo ela própria a verdade (Jo.17:17), a ciência é um esforço humano para se descobrir a verdade através do uso da razão, dentro daquilo que Deus deu a cada ser humano (Ec.1:13) e, como a verdade é uma só, evidentemente a ciência tende a chegar à mesma conclusão da revelação.
- Por isso, não tem sentido algum o chamado “anti-intelectualismo”, que é a postura, infelizmente seguida por muitos que cristãos se dizem ser, de que o servo de Jesus Cristo não deve estudar nem se enfronhar na ciência, pois isto conduziria a um “desvio da fé”, como se a ciência se opusesse à verdade bíblica, mentira que tem sido contada ao longo dos últimos dois séculos.
- O que existe é uma “falsa ciência”, cujo objetivo não é trazer conhecimentos nem tampouco encontrar a verdade, mas, sim e tão somente, opor-se à Bíblia Sagrada, como já nos dava conta o apóstolo Paulo em I Tm.6:20, Paulo, aliás, um erudito no seu tempo.
- Como já dizia o saudoso irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu, fundador do Portal Escola Dominical, não nos impressionemos quando Bíblia e ciência divergem, pois, um dia, a ciência chegará à verdade e concluirá no mesmo sentido da revelação divina.
- Quando o homem visse o arco-íris, deveria se lembrar de que Deus havia prometido de que nunca mais destruiria a terra com água, de que havia um compromisso firmado com o homem de que, doravante, nunca mais ocorreria um dilúvio, prova de que, como já dissemos na lição anterior, o dilúvio foi universal, visto que ainda ocorrem grandes inundações sobre a face da Terra, como foi o caso do “tsunami” que abrangeu diversos países da Ásia em 2005, com mais de 200 mil mortes, mas que não abrangeram toda a Terra como ocorreu com o dilúvio presenciado por Noé e sua família.
- O arco-íris é um eloquente sinal, situado fora da consciência do homem, fora do seu interior, que está a demonstrar toda a graça e misericórdia divina. Toda vez que vemos o arco-íris, devemos nos lembrar da solene promessa de que Deus não iria destruir a humanidade com o dilúvio, apesar de o homem continuar tendo uma natureza pecaminosa, da imaginação do seu coração ser má continuamente (Gn.8:20).
- O homem não havia mudado, era incapaz de, por si só, modificar a sua maneira de ser, mas o Senhor, fiel à Sua promessa de que, da semente da mulher, viria alguém que restabeleceria esta comunhão com Ele, suportaria toda a maldade humana, toleraria a presença do pecado até a “plenitude dos tempos”, para mostrar que amava o homem e queria o seu bem.
- Deus não estaria a consentir com o pecado, mas estaria a dar uma real oportunidade de salvação ao pecador. Tanto não toleraria o pecado que determinou ao homem que elaborasse um sistema de administração da justiça, criando leis que levassem os homens, na sua convivência com o próximo, a obedecer aos preceitos estabelecidos pelo próprio Deus e constantes do “pacto noaico”, como também que respeitasse a vida do próximo, intervindo o próprio Senhor diretamente quando o postulado da defesa da vida não fosse observado.
- No entanto, mesmo diante desta maldade ínsita ao homem, o Senhor, por graça e misericórdia, Se absteria de tornar a mandar um novo dilúvio sobre a face da Terra, deixando a marca nas nuvens, o arco-íris, para que o homem, diante desta dupla face de Deus, a justiça e a misericórdia, se esforçasse para fazer a vontade divina, para cumprir os preceitos por Ele estabelecidos, confiando e esperança o cumprimento da promessa da redenção por meio da “semente da mulher”.
- O arco-íris representava a longanimidade divina, a paciência de Deus para com o homem, pois Noé não deveria se esquecer do que havia profetizado Enoque, o sétimo depois de Adão, de que todos os ímpios haveriam de ser devidamente punidos pelo Senhor no tempo oportuno (Jd.14,15), profecia, aliás, na qual o patriarca havia crido e, por isso, sido um varão reto e justo em suas gerações, o que fez com que fosse agraciado pelo Senhor com o seu livramento do dilúvio (Gn.6:8,9; 7:1).
- Deus disse que toda vez que houvesse nuvens no céu, prenunciando uma grande chuva, Ele Se lembraria do Seu concerto com a humanidade e o arco-íris apareceria como lembrança da promessa divina, como sinal de Sua fidelidade, sinal que diria que nunca mais haveria um dilúvio sobre a face da Terra.
- “…O efeito do arco-íris pode ser observado sempre que existirem gotas de água suspensas no ar e a luz do sol estiver brilhando acima do observador em uma baixa altitude ou ângulo. O mais espetacular arco-íris aparece quando metade do céu ainda está escuro com nuvens de chuva e o observador está em um local com céu claro. Outro local propício à apreciação do arco-íris é perto de cachoeiras.…” (Arco-íris. In: WIKIPÉDIA. end.cit.). Nesta descrição, vemos como o arco-íris exsurge com maior vigor quando metade do céu ainda está escuro, ou seja, quando há um quadro veemente de chuva, uma aparência de destruição pela água.
- Após o estabelecimento do pacto, é dito que Noé e sua família, cumprindo o propósito divino, fez o recomeço da vida sobre a face da Terra, buscando frutificar, multiplicar e encher a Terra como determinado, pois todas as nações existentes sobre a face da Terra descendem dos filhos de Noé, a saber: Sem, Cão e Jafé, pois, como diz Gn.9:19, “…destes se povoou toda a terra”.
- No entanto, como sói ocorrer com relação ao homem em todos os pactos firmados por Deus, não duraria muito e o homem haveria novamente de fracassar, a começar no seio da família do próprio Noé, como haveremos de ver na próxima lição.


Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco

sábado, 14 de novembro de 2015

Pré aula Lição 7 A família que sobreviveu ao dilúvio

Lição 7: A família que sobreviveu ao Dilúvio

9 DE NOVEMBRO DE 2015

Lição 7: A família que sobreviveu ao Dilúvio




Viva o seu chamado! Preciso de sua ajuda para o Projeto Avanço Missionário na cidade de Parari-PB, a cidade menos evangelizada do Estado. Vamos levar o Evangelho e ação social.
Com distribuição de Bíblias e de cestas básicas, por isso nossa insistência. Falta menos de um mês, e até o momento 4 cestas básicas foram recebidas... O Blog possui 3.272 seguidores, nossa comunidade no Face tem 1800 seguidores, são mais de 5.000 acessos  diários ao Blog... mas apenas 4 doadores... chega a ser desestimulante. Será que temos aprendido alguma coisa do Senhor na Escola Dominical? Caso se sensibilize, clique aqui e veja como ajudar.

Data: 15 de Novembro de 2015

TEXTO ÁUREO
Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu, e, para salvação da sua família, preparou a arca [...]” (Hb 11.7).[Comentário: Aqui nesta passagem, a palavra fé significa crer em coisas que são do futuro, mas certas porque Deus as tem prometido. Nada e nenhuma circunstancia havia que apontasse para uma catástrofe tão grande como o dilúvio quando Deus advertiu o justo Noé. Foi através de sua fé obediente que ele e sua família recebeu a salvação.]
VERDADE PRÁTICA
Apesar da corrupção generalizada do mundo atual, é possível manter nossa família nos padrões da Palavra de Deus.
LEITURA DIÁRIA
Segunda — Gn 6.13 - Deus anuncia a Noé, seu servo, o Dilúvio
Terça — Gn 6.14-16 - A arca de Noé como instrumento de salvação
Quarta — Gn 6.18 - A aliança de Deus com seu servo fiel, Noé
Quinta — Gn 6.19 - Arca, um lugar para a preservação da criação
Sexta — Gn 7.1-24 - O Dilúvio sobre toda a terra, pois todos pecaram
Sábado — Gn 9.1-19 - Por sua misericódia e graça, Deus prepara um novo começo
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 7.1-12.
1 — Depois, disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de mim nesta geração.
2 — De todo animal limpo tomarás para ti sete e sete: o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois: o macho e sua fêmea.
3 — Também das aves dos céus sete e sete: macho e fêmea, para se conservar em vida a semente sobre a face de toda a terra.
4 — Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda substância que fiz.
5 — E fez Noé conforme tudo o que o SENHOR lhe ordenara.
6 — E era Noé da idade de seiscentos anos, quando o dilúvio das águas veio sobre a terra.
7 — E entrou Noé, e seus filhos, e sua mulher, e as mulheres de seus filhos com ele na arca, por causa das águas do dilúvio.
8 — Dos animais limpos, e dos animais que não são limpos, e das aves, e de todo o réptil sobre a terra,
9 — entraram de dois em dois para Noé na arca, macho e fêmea, como Deus ordenara a Noé.
10 — E aconteceu que, passados sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio.
11 — No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia, se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram,
12 — e houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
HINOS SUGERIDOS
18, 38 e 210 da Harpa Cristã.
OBJETIVO GERAL
Compreender que apesar da corrupção do mundo atual é possível viver segundo os padrões bíblicos.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
  • I. Mostrar como se deu o anúncio do dilúvio;
  • II. Analisar a respeito da construção da arca;
  • III. Explicar o dilúvio;
  • IV. Saber que os contemporâneos de Noé fizeram-se surdos à proclamação do juízo divino.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
O Senhor levantou Noé, um homem justo e que buscava ter comunhão com Deus, mesmo vivendo em uma sociedade perversa, para anunciar o juízo divino em forma de dilúvio que viria sobre a terra.
Noé trabalhou na construção da arca e pregou a verdade divina durante 120 anos. Todos tiveram oportunidade e tempo para se arrependerem dos seus pecados, mas ninguém deu crédito a pregação de Noé. Somente ele, sua família e os animais foram salvos das águas do dilúvio. A arca construída por Noé é um tipo de Cristo, aquele que é o nosso único meio de Salvação. Somente Jesus pode livrar essa geração do juízo e da morte (1Pe 3.20,21), por isso, não podemos perder mais tempo e anunciar a todos os povos e nações a mensagem da salvação e o Salvador — Jesus.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Resistindo sistematicamente ao Espírito de Deus, o mundo de Lameque depravara-se irreversível e totalmente. A apostasia, agora, era universal. Adultos, jovens e crianças; todos corrompidos. Por isso, o Senhor anuncia um juízo também universal: o Dilúvio.
Em meio àquela geração, sobressai a justiça de Noé. Divinamente alertado, o patriarca constrói uma arca, na qual sobrevive, com a sua família, à grande inundação.
O mesmo desafio cabe hoje à igreja do Senhor. Se por um lado, cabe-nos proclamar o Evangelho até aos confins da Terra, por outro, devemos preservar nosso lar em meio a uma sociedade que jaz no maligno. [Comentário:Chegamos ao capítulo 6 de Gênesis e ao relato do Dilúvio Universal. Pouco o mundo sabe acerca dos relatos bíblicos, mas poucos desconhecem a história do dilúvio e de como Deus salvou a Noé e sua familía numa arca. Muitas teorias contra e a favor da veracidade do fato; alguns afirmam que foi local, outros defendem que foi universal. Um dilúvio é conhecido e retratado em diversas culturas, fora do relato bíblico do livro de Gênesis. Conforme o relato de Gênesis, essa catástrofe abrangeu se não toda a terra, engoliu toda a humanidade, isto também é o que se deduz dos relatos que são encontrados em todos os continentes e entre quase todos os povos da terra. Todos estes relatos se referem a um dilúvio destrutivo ocorrendo logo no início de suas respectivas histórias. Notávelmente parecidos, todos afirmam que somente um ou poucos indivíduos foram salvos e foram encarregados de repovoar a terra. Já é sabido que, até agora, os antropólogos já reuniram cerca de 250 a 300 dessas histórias, o que somente comprova a veracidade do relato de Gênesis. A intenção do dilúvio foi a destruição da raça humana, totalmente depravada e sem recuperação; já a arca, foi designada para salvar Noé e sua família e assegurar o cumprimento do propósito divino para a criação e da promessa de salvação de Gênesis 3.15. Apenas Noé era justo em seus dias. “Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração.” (Gn 7.1). É interessante notar que, o que Deus resolveu destruir já era fadado à destruição: os homens eram depravados e corruptos por dentro e em si mesmos; o relacionamento do homem com seu semelhante se resumia numa palavra – violência! Ainda sobre evidências do dilúvio sugiro a leitura desta reportagem da rede ABC news sobre evidências do dilúvio:http://abcnews.go.com/Technology/evidence-suggests-biblical-great-flood-noahs-time-happened/story?id=17884533; Também sobre algumas teorias de cientistas não religiosos:http://www.wnd.com/2012/06/does-science-prove-noahs-flood/]. Vamos pensar maduramente sobre a fé cristã?


PONTO CENTRAL
É possível viver de modo santo e justo, mesmo vivendo em meio a uma sociedade corrompida pelo pecado.
I. DEUS ANUNCIA O DILÚVIO
Em toda aquela geração, apenas Noé podia ser considerado justo e íntegro. Por essa razão, Deus anuncia-lhe o Dilúvio, instruindo-o a construir a arca de salvação. [Comentário: O caráter de Noé é descrito por duas palavras: justiça eintegridade (Gn 6.9).O hebraico saddiq – justiça, é uma palavra forense comumente usada com referência aos homens. Significa que eles se ajustam a um padrão. Noé se ajustou ao padrão divino e encontrou a aprovação de Deus. No entanto, apesar de haver a aprovação divina, esta não implica em perfeição por parte de Noé. Implica simplesmente em que, aquelas coisas que Deus procura num homem, estavam presentes em Noé; Ele foi um homem que guardou a Palavra de Deus, que satisfez a expectativa de Deus para o homem, enquanto que o resto da humanidade estava depravada. A segunda palavra hebraica é tamim – íntegro (completo), em Noé, não faltou nenhuma qualidade essencial].
1. O anúncio do Dilúvio. Já decidido a destruir a Terra, o Senhor acha graça em Noé (Gn 6.8). O patriarca soube como preservar moral e espiritualmente a esposa e os filhos. No entanto, pelo que inferimos do texto sagrado, nada pôde fazer aos seus irmãos e sobrinhos, pois estes também haviam se deixado corromper pelo exemplo de Lameque.
Ao justo e íntegro Noé, anuncia Deus o Dilúvio; “O fim de toda carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra” (Gn 6.13). O patriarca sabia, através da fé, que o juízo era certo. Quanto aos seus contemporâneos, preferiram ignorar a iminência do castigo divino. [Comentário: É importante salientar que não foram as obras de Noé que o preservaram do julgamento, mas a graça. “Mas Noé achou graça diante do Senhor” (Gn 6.8). Salvação é pela graça, mediante a fé, não por obras, mas para boas obras. (Ef 2.8-10). Deus revelou Seu plano de um juízo global catastrófico aproximadamente um milênio antes a Enoque, que deu a seu filho o nome de Metusalém para celebrar a memorável revelação. O nome Metusalém transmite um mau presságio e significa literalmente, “Quando ele morrer, isso será enviado”. Não é por coincidência que Metusalém morreu apenas alguns meses antes do grande Dilúvio e que sua vida seja a mais longa registrada em toda a história. A humanidade não estava apenas corrompida, mas era cheia de violência; o mundo estava pronto para o juízo (v.11). E, embora Deus tenha suspendido a execução da raça humana por muitos anos, Ele finalmente cumpriu o que havia prometido.].
2. Um juízo que parecia improvável. Se considerarmos Gênesis 2.5, concluiremos que, naquele tempo, a terra não era regada pela chuva como nos dias de hoje (Gn 2.6). Portanto, como acreditar no Dilúvio se nem chuva havia? Dessa forma, os “cientistas” da época devem ter questionado sarcasticamente a Noé. Nossa geração assim reage quanto à vinda de Cristo (2Pe 3.4). O que parece improvável, porém, está prestes a acontecer. Jesus está às portas.[Comentário: De onde vieram as águas que inundaram a terra? A Bíblia afirma que “No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram” (Gn 7.11). As fontes do grande abismo referem-se a uma espécie de sistema subterrâneo de reservatórios de água que se precipitaram sobre a superfície terrestre. Muito provavelmente como hoje vemos os geysers atuarem. Relativamente a isto, é interessante notar que, mesmo hoje, existe água suficiente debaixo da Terra para substituir a água dos oceanos mais de 10 vezes.].
SÍNTESE DO TÓPICO (I)
Deus anuncia a Noé o Dilúvio.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Em meio à iniquidade e maldade generalizada daqueles dias, Deus chamou Noé um homem que ainda buscava comunhão com Ele e que era ‘varão justo’. (1) ‘Reto em suas gerações’, equivale dizer que ele se mantinha distanciado da iniquidade moral da sociedade ao seu redor. Por ser justo e temer a Deus e resistir à opinião e conduta condenáveis do público, Noé achou favor aos olhos de Deus. (2) Essa retidão de Noé era fruto da graça de Deus nele, por meio da sua fé e do seu andar com Deus. A salvação no Novo Testamento é obtida exatamente da mesma maneira, mediante a graça e a misericórdia de Deus, recebidas pela fé, cuja eficácia conduz o crente a um esforço para andar com Deus e permanecer separado da geração ímpia ao seu redor. Hebreus 11.7 declara que Noé ‘foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé’. (3) O Novo Testamento também declara que Noé não somente era justo, como também pregador da justiça (2Pe 2.5). Nisso, ele é exemplo do que os pregadores devem ser” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.42).


II. A CONSTRUÇÃO DA ARCA
A fim de escapar ao Dilúvio, o patriarca foi orientado a construir um grande navio. Obediente, ele levou o projeto adiante.
1. A planta da arca. A salvação é pela fé, mas a fé salvadora conduz-nos às boas obras (Ef 2.8-10). Por isso Noé, movido por uma forte convicção quanto à iminência do juízo divino, pôs-se a construir o grande barco.
A planta da arca, mesmo que bastante simples, era eficaz: “Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. E desta maneira farás: de trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinquenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura. Farás na arca uma janela e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás andares baixos, segundos e terceiros” (Gn 6.14-16).
O texto sagrado nos mostra que a Arca era um enorme barco, e sem leme. A finalidade da arca não era navegar, mas flutuar durante a grande inundação. O patriarca cumpriu a vontade divina; em suas promessas, repousou. Deus é o nosso piloto. Não se aflija. Deus está no comando. [Comentário:Construída com madeira de gofer – palavra que significa "abrigar-se em" - uma madeira usada para construir. É considerada como a maior parte dos ciprestes. “De acordo com a Bíblia, a Arca de Noé era uma grande barcaça construída de madeira e impermeabilizada com betume. Suas dimensões eram aproximadamente 450 pés de comprimento, 75 pés de largura e 45 pés de altura com três andares interiores. Aparentemente, uma “janela” foi construída ao seu teto. (Gênesis 6:14-16). As dimensões da Arca tornam-a a maior embarcação marítima conhecida existente antes do século XX e suas proporções são surpreendemente semelhantes às encontradas nos grandes transatlânticos atuais”.http://www.christiananswers.net/portuguese/q-abr/abr-a001p.htmlSuas dimensões em medida padrão são de 137m de comprimento, 23m de largura e 14m de altura (no hebraico: o côvado era uma medida linear de cerca de 45 centímetros). Possuía 3 andares. Note o leitor que era uma arca, não um navio, construída para flutuar e não para navegar- não possuía leme! O criacionista holandês Johan Huibers decidiu arregaçar as mangas e construiruma réplica da arca de Noé. Ele resolveu erigir a embarcação como uma demonstração de sua fé na verdade literal da Bíblia. Com 150 côvados de comprimento, 30 de altura e 20 de largura (67,5 metros x 13,5 x 9,0), a arca tem três andares e é totalmente funcional. As madeiras empregadas foram o cedro e o pinho, uma vez que até hoje os teólogos não concluíram o que seria o gôfer, madeira utilizada na arca original (Gênesis 6:14). Aberta à visitação após dois anos de construção, deixou o público boquiaberto, apesar de ter apenas metade do comprimento da original. Huibers pretende criar um zoológico no primeiro dos três pavimentos. Leia mais e veja algumas fotos em: Johan’s Ark – Wikipedia (em inglês); Ark van Noach – Site oficial (em inglês)].
2. A construção da arca. Enquanto Noé e seus filhos construíam a arca, apregoavam o juízo divino. Por isso, ele é chamado de pregoeiro da justiça (2Pe 2.5). Assim faz a Igreja. Enquanto aguardamos a volta de Cristo, proclamemos o Evangelho e o fim de todas as coisas (1Pe 3.20). O Senhor não tarda. [Comentário: Por 120 anos (Gn 6.3) Noé esforçou-se na construção da arca enquanto pregava o juízo vindouro; 120 anos foi o prazo para que o homem abandonasse o caminho ímpio e se voltasse para Deus. Em meio à iniqüidade e maldade generalizadas daqueles dias, Deus achou em Noé um homem que ainda buscava comunhão com Ele e que era varão justo. Hebreus 11.7 declara que Noé foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé. O Novo Testamento também declara que Noé não somente era justo, como também pregador da justiça (2 Pe 2.5). Nisso, ele é exemplo do que os pregadores devem ser.].
SÍNTESE DO TÓPICO (II)
Deus dá a Noé as instruções para a construção da arca.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“A arca não continha todas as espécies de animais, mas o protótipo de cada uma delas. Uma simples junta de gado portava os genes que provêm da ampla variação dessas classes animal. O relato bíblico da criação refuta a noção de que toda a vida animal evoluiu dos antepassados unicelulares. Contudo, não questiona o relato de evolucionistas sobre a variação dentro das espécies.
Maldade e violência. Essas palavras são usadas para caracterizar os pecados que causaram o dilúvio de Gênesis. Maldade é rasah, atos criminosos que violam os direitos dos outros e tiram proveito do sofrimento deles. Violência é hamas, atos deliberadamente destrutivos que visam prejudicar outras pessoas” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.29).
III. O DILÚVIO
Concluída a arca, Noé e sua família entram na formidável embarcação. Passados sete dias, veio o Dilúvio.
1. O Dilúvio. Caiu uma chuva torrencial durante quarenta dias e quarenta noites (Gn 7.12). Oceanos, mares e rios confundem-se em ondas sucessivas, intermináveis e destruidoras. O fim de um mundo corrupto e depravado havia chegado.
Noé, porém, estava seguro. Junto a ele, a esposa, os três filhos e suas respectivas mulheres. Ao todo oito pessoas (Gn 7.7). E, para conservar a vida sobre a nova Terra, os animais: dois de cada espécie, macho e fêmea (Gn 6.19). [Comentário: Como já vimos até agora, o Dilúvio descrito no livro de Gênesis foi, sem dúvida, um evento cataclísmico histórico. Ele ficou preservado na memória de muitas culturas, mais de duzentas e cinquenta. Evidências de uma inundação global são encontradas em todos os continentes, nos desertos, nas mais altas montanhas e, até mesmo, nos oceanos.Sugiro a leitura deste artigo:http://narrativabiblica.blogspot.com.br/2012/03/evidencias-e-explicacoes-sobre-o.html].
2. O Dilúvio foi local ou Universal? Em 26 de dezembro de 2004, ocorreu um tsunami no Oceano Índico, cujo epicentro deu-se na costa da Indonésia. Apesar de local, o fenônemo foi sentido em várias partes do mundo. O que não diremos do Dilúvio? Acreditamos na universalidade da grande inundação. A narrativa bíblica é bastante clara: “E as águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu foram cobertos” (Gn 7.19). [Comentário: Encontramos narrativas de um  dilúvio ocorrido em tempos remotos em quase todas as culturas mundo a fora, algumas delas muito semelhantes com o relato de Gênesis. A história babilônica do dilúvio, descoberto em tabuletas de argila é o Épico de Gilgamesh. O mito sumério de Gilgamesh conta os feitos do rei da cidade de Uruk, Gilgamesh, que parte em uma jornada de aventuras em busca da imortalidade, nesta busca encontra as duas únicas pessoas imortais: Utanapistim e sua esposa, estes contam à Gilgamesh como conquistaram tal sorte, esta é a história do dilúvio. O casal recebeu o dom da imortalidade ao sobreviver ao dilúvio que consumiu a raça humana. Na tradição suméria, o homem foi dizimado por incomodar aos deuses. Os elementos comuns incluem a construção de um navio e tomar todos os tipos de animais na mesma. Byron Nelson, em seu livro, "The Deluge Story in Stone",tem tabuladas as características comuns das lendas, inundação de muitas culturas e os comparou com o relato bíblico.].
SÍNTESE DO TÓPICO (III)
Deus envia o Dilúvio sobre toda a terra.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“O dilúvio
Cristãos que mantêm uma ampla visão das Escrituras debatem se o dilúvio descrito em Gênesis foi uma inundação universal, que cobriu a total superfície do globo, ou uma inundação limitada, que afetou somente áreas habitadas pelo homem. Versos como ‘todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu foram cobertos’ (7.19,20) e ‘tudo que tinha fôlego de espírito de vida em seus narizes, tudo o que havia no seco, morreu’ (vv.21-23) sugerem um cataclisma mundial. Mas como seria o fato de que não há água suficiente em nosso planeta e na atmosfera para cobrir montanhas tais como o Evereste? Aqueles que mantêm a visão universal acreditam que o dilúvio modificou a face da terra, levando o leito dos mares e formar reentrâncias e empurrando montanhas para um lugar mais alto. Seja qual for a nossa visão, está claro que o relato do dilúvio estabelece uma poderosa declaração. Ele afirmava que Deus é Regente moral deste universo, que tem o poder de julgar o pecado. 2 Pedro 3 lembra-nos daqueles que escarnecem da ideia do Juízo Final que o Senhor perpetuou nos tempos de Noé para julgar os homens ímpios e violentos. O Todo-Poderoso, cujo ódio ao pecado está revelado no dilúvio, não permitirá que os pecados continuem impunes” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.29).
IV. O JUÍZO DE DEUS
Os contemporâneos de Noé tiveram mais de um século para se arrependerem e voltar para Deus. Fizeram-se, porém surdos à proclamação do juízo divino.
1. Um juízo universal. A inundação foi universal como universal foi o juízo divino sobre a Terra. O relato bíblico é impressionante e preciso: “E expirou toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado, e de feras, e de todo o réptil que rasteja sobre a terra, e de todo homem” (Gn 7.21).
Apenas Noé e a sua família, bem como os animais que se encontravam com eles na arca, foram preservados. A geração de Noé teve tempo para ouvir sua mensagem e ver a arca sendo construída, mas não deu ouvidos à pregação e ao trabalho daquele servo de Deus, e foi destruída. O pior juízo, contudo, achava-se no além. [Comentário: Gênesis 7.11 afirma que “se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram”. É aparente, a partir de Gênesis 1.6-7 e 2.6 que o ambiente pré-dilúvio era muito diferente do que o que temos hoje. Pedro também descreve a universalidade do dilúvio em 2Pe 3.6-7, onde afirma: “Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.” Nestes versos Pedro compara o julgamento “universal” vindouro ao dilúvio do tempo de Noé e afirma que o mundo que outrora existia foi inundado com água. Também, a promessa de Deus (Gn 8.21; 9.11; 15) de nunca mais mandar tal dilúvio já teria sido quebrada se se tratasse apenas de uma inundação local. Além disso, todos os homens no mundo de hoje, segundo Gênesis 9.1,19, descendem dos três filhos de Noé, e muitos escritores bíblicos posteriores aceitaram a historicidade do Dilúvio mundial (Is 54.9; 1Pe 3.20; 2Pe 2.5; Hb 11.7). Por último, o Senhor Jesus Cristo creu no Dilúvio universal e o tomou como o tipo de destruição vindoura do mundo, quando Ele retornar (Mt 24.37-39; Lc 17.26-27).].
2. O juízo divino no inferno. Não resta dúvida de que toda aquela geração pereceu e foi lançada no inferno, onde aguarda a última ressurreição, a fim de comparecer ao Juízo Final (Ap 20.11-15). Eles sabem que isso acontecerá,pois o Senhor Jesus, no interlúdio entre a sua morte e ressurreição, esteve no Hades, onde lhes proclamou a eficácia da justiça divina.
Escreve o apóstolo Pedro: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água” (1Pe 3.18-20 — ARA).
A geração de Noé recusou-se a ouvi-lo, mas viu-se obrigada a escutar o Senhor Jesus que, além de pregoeiro da justiça, apresentava-se, agora, como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Sua pregação não era redentiva, mas vindicativa. [Comentário: Há um equivoco aqui quanto ao que Jesus fez entre sua morte e ressurreição, bem como uma interpretação equivocada do texto de 1Pe 3.18-20. As Escrituras em lugar algum afirmam que Cristo desceu ao inferno; que o diabo possuía as chaves da morte e do inferno, que Jesus as tomou dele; uma segunda chance de salvação aos desobedientes após sua morte. Note, ainda, o seguinte: Inferno (o lago de fogo) é o lugar final e definitivo de julgamento para os perdidos; Hades é um lugar temporário. Então, Jesus não foi ao “Inferno – lago de fogo” porque “Inferno” é uma esfera futura que somente entrará em vigor após o Julgamento do Grande Trono Branco! (Ap 20.11-15). Entenda, ainda, que Seol (AT)/Hades(NT) é uma esfera com duas divisões (Mt 11.23; 16.18; Lc 10.15; 16.23; At 2.27:31), o território dos salvos e o dos perdidos. O território dos salvos é chamado “Paraíso” e “Seio de Abraão”. Os territórios dos salvos e dos perdidos são separados por um “grande abismo” (Lc 16.26). Quando Jesus subiu aos Céus, Ele levou consigo os ocupantes do Paraíso (os crentes)! (Ef 4.8-10). O lado perdido do Seol/Hades permaneceu intacto. Todos os mortos incrédulos para lá vão e esperam seu futuro julgamento final. Jesus foi ao Seol/Hades? Sim, de acordo com Lucas 23.43: na Cruz, anos mais tarde, Jesus disse ao ladrão ao Seu lado: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”; então, Ele removeu do Paraíso todos os justos que já haviam morrido e os levou consigo aos Céus. Infelizmente, em muitas traduções da Bíblia, os tradutores não são consistentes ou corretos quando traduzem as palavras hebraica e grega para “Seol”, “Hades” e “Geena”, onde apenas esta última corresponde à inferno, o lago de fogo. No texto de 1Pe 3.18-20 Pedro está contrastando dois estados de existência de nosso Redentor:
 a) O estado de limitação de Cristo.
    "Na carne": este estado é a natureza humana de Cristo, 1Pe 4: 1; 1 Jo 4: 2; 2Jo 7; Jo 1: 14; 1Tm 3: 16, Rm 1: 3-4. A expressão "morto na carne" faz referência quando Jesus morreu e saiu do estado de fraqueza e de limitação.
    b) O estado de não-limitação
    "Espírito vivificado". A expressão "vivificado no espírito" se refere à natureza divina de Jesus. Seu estado antes de sua encarnação. E foi neste estado que Ele pregou aos "espíritos em prisão".
    Quando o texto fala que Jesus "vivificado em espírito foi e pregou, não está se referindo a um lugar depois de sua morte, mas onde Ele estava quando havia desobedientes dos tempos de Noé" (v. 20). Foi neste espírito que Ele pregou através dos profetas.
    "Também". A palavra "também" do v. 19 mostra a ênfase do estado de limitação para o estado de não-limitação. Dito de outra forma: Cristo pregou quando estava em nosso meio, como homem (dias de Sua carne), mas também pregou como Divino (não-limitação) nos dias de Noé através dos profetas.
2) Quando Cristo pregou?
O ensino desta passagem não é o que Cristo fez entre a morte e a ressurreição, mas o que Ele fez no seu estado antes da Encarnação - estado não-limitado, no tempo de Noé, 1Pe 1: 8-12.
3) Qual o conteúdo da pregação? O que Cristo pregou?
Jesus pregou o evangelho aos contemporâneos de Noé. Espiritualmente, Cristo estava presente em Noé quando este era o "pregoeiro da justiça", 2Pe 2: 5. Em 1Pe 1: 10-11, o apóstolo mostra o evangelho sendo pregado pelos profetas. Noé certamente pregou aos seus contemporâneos o evangelho e convocou-os ao arrependimento.
4) Quem são estes "espíritos em prisão"
     a quem Cristo pregou?
A expressão "espíritos em prisão" se refere às pessoas que no tempo de Noé (noutro tempo) rejeitaram a sua pregação e que foram consideradas "espíritos em prisão", incapazes de fazer qualquer coisa que os deixassem livres. Permaneceram no cativeiro espiritual; permaneceram incrédulos quanto à mensagem pregada por Noé e na prisão de suas almas. Cristo esteve sempre presente tipologicamente no Antigo Testamento, pregando através dos profetas o Evangelho de Salvação, Rm 4: 3; Gl 16-9, 2Pe 2: 5.].
CONCLUSÃO
Os antediluvianos não deram crédito à pregação de Noé. Viviam para pecar. Sua depravação não conhecia limites. A Deus não restou alternativa senão condená-los à destruição. Nosso mundo caminha no mesmo sentido. Todavia, se formos zelosos quanto à pregação do Evangelho, levaremos muitas almas a Cristo, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.
Sua família está segura? Jesus em breve virá. [Comentário: "Noé era varão justo e reto em suas gerações; Ele andava com Deus.Esta é uma síntese sublime! Toda a vida de um homem resumida em uma pequena frase – andava com Deus! O autor da Epístola aos Hebreus escreveu: "Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu, e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé" (Hb 11.7; 2 Pe 2.5). Outra síntese memorável da vida deste homem! Profeta, pregoeiro da justiça e herdeiro da fé. Meu desejo é ser lembrado com frases sublimes e memoráveis, como estas a respeito de Noé; para isto, preciso fazer agora de minha vida um testemunho inabalável de fé, justiça e retidão! O grande ensino desta história de fé é que o que será dito de você amanhã está subordinado ao que você é e faz hoje]. “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Francisco Barbosa
Campina Grande-PB
Novembro de 2015

PARA REFLETIR
A respeito do livro de Gênesis:
O que foi o Dilúvio?
O fim de toda a carne. O juízo de Deus.
O Dilúvio foi local ou Universal? Explique.
A inundação foi universal como universal foi o juízo divino sobre a Terra. O relato bíblico é impressionante e preciso: “E expirou toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de gado, e de feras, e de todo o réptil que se roja sobre a terra, e de todo homem” (Gn 7.21).
Descreva a arca segundo a Bíblia.
A planta da arca, posto que bastante simples, era eficaz: “Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume. E desta maneira farás: de trezentos côvados o comprimento da arca, e de cinquenta côvados a sua largura, e de trinta côvados a sua altura. Farás na arca uma janela e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás andares baixos, segundos e terceiros” (Gn 6.14-16).
O que representou aos antediluvianos a construção da arca?
Representou a oportunidade de salvação, livrando aqueles que cressem do juízo divino. A arca é um tipo de Cristo.
O que fez Jesus entre a sua morte e ressurreição?
O Senhor Jesus, no interlúdio entre a sua morte e ressurreição, esteve no Hades, onde lhes proclamou a eficácia da justiça divina.
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
A família que sobreviveu ao Dilúvio

O quadro acima mostra fatos que a narrativa de Noé destaca em relação ao texto de Gênesis de 1 a 3. Em primeiro lugar, a expressão de que “andou Enoque com Deus” (Gn 5.24) e a repetição com a pessoa de Noé — “Noé andava com Deus” (Gn 6.9) — fazem eco para uma vida de justiça e se correlacionam com Adão e Eva, o primeiro casal, que andava com Deus no jardim. Neste sentido, a narrativa de Noé intensifica uma série de paralelos com a de Adão e Eva:
1) A terra se torna, de certa forma, novamente sem forma e vazia (Gn 7.17-24), como em Gênesis 1.1;
2) O restabelecimento do ciclo das estações (Gn 8.22), como em Gênesis 1.14;
3) Nova ordem para a multiplicação do gênero humano (Gn 9.6), como em Gênesis 1.27;
4) Houve, então, um novo começo (Gn 9.1), como tudo começou em Gênesis 1.1.
Entretanto, da mesma forma que Gênesis 3 narra a queda do primeiro casal, a narrativa de Noé mostra uma “queda” que envolveu a embriaguês de Noé e a maldição do filho mais novo de Cam, Canaã. Ou seja, a história de Noé repete a história do ser humano: Criação, Queda, mas promessa de Redenção. A narrativa conclui com a bênção sobre Sem, de cuja descendência virá a redenção da humanidade. A história do Dilúvio nos revela a chance que Deus deu para a humanidade, mergulhada em violência e corrupção, arrepender-se do mau caminho. Ela mostra que, para Deus, formar o homem conforme a Sua imagem e semelhança foi bom, apesar de tudo. O relato de Noé aponta para a pessoa bendita de Jesus Cristo, a grande “Arca” que deseja livrar mais uma vez a humanidade do caos existencial, do caos psicológico, espiritual, moral e ético, e de tudo o que força o ser humano a uma natureza que nada tem a ver com o que o Pai deseja a seus filhos. Como aconteceu nos dias de Noé, o caos insiste em aterrorizar nossa vida, mas “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).