segunda-feira, 11 de abril de 2016

Dinâmica da Lição 03: Obediência e Adoração (Adolescentes)


Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
- Ao preparar a aula, você precisa lembrar que seu alvo é ensinar a palavra de Deus a fim de transformar a vida dos alunos. Para isso, tenha sempre em mente o que eles precisam saber, sentir e agir.


- Este é um momento de grande importância, quando você deverá atrair a atenção e o interesse da classe para o que será ensinado.
6 - Não esqueça que ministrar uma aula não significa apenas transmitir um amontoado de informações teológicas ou conhecimentos puramente pessoais sem a interação com a classe. É importante que os alunos sejam incentivados a participar no processo de aprendizagem.
- Apresentem o título da lição: Obediência e Adoração.
– Agora, trabalhe o conteúdo da lição. – Para isso é importante que você apresente estratégias que estimule a participação dos alunos, valorize o conteúdo, reforce as aplicações e facilite a aprendizagem. Portanto, para não perder de vista o alvo da lição, use a criatividade, apresente domínio da matéria e observe se os alunos estão entendendo o assunto.
- Para concluir, utilizem a dinâmica “Adorador obediente”.


Dinâmica: Adorador obediente

Objetivo:
Reconhecer nossos erros e pedir perdão a Deus
Material didático:
- Um copo (representa a nosso vida);
- Pedras pequenas (representam nossos pecados);
- Água (representa a presença de Deus);
- Uma bacia;
- Uma pinça ou pegador de gelo.
- Uma lixeira ou saco plástico.
Atividade didática:
Apresentar um copo cheio d´água dentro de uma bacia. Explicar que Deus nos criou para vivermos exclusivamente para ele.
Deus nos salvou para nos encher de sua presença e podermos assim louvá-lo e adorá-lo, porém quando nos afastamos da presença de Deus o pecado vai entrando em nossa vida (colocar algumas pedras no copo com água) e vai ocupando o espaço da presença de Deus, assim a nossa vida entra em estado de desobediência e deixamos de sentir a presença de Deus, e assim perdemos o direito de adorar ao Senhor com perfeição
Mas como Deus não desiste de nós, nos enviou seu Filho Jesus Cristo com o poder de perdoar nossos pecados e "limpar" a nossa vida do estado de desobediência. (com o pegador ou a pinça tirar as pedras). Jesus é Deus, Ele quer e pode tirar da nossa vida tudo o que nos impede de prestarmos uma adoração perfeita ao nosso Deus. Agora que saíram os pecados (pedras que representam palavras, pensamentos, e atitudes que não agradam a Deus) o que ficou faltando? (mostrar o copo e esperar que respondam).
Pois é, como Deus nos criou para estarmos sempre cheios de Sua presença, além de tirar os pecados Jesus também quer que sejamos felizes e quer nos encher com a Sua presença e seu poder. Agora, se o nossa vida está em pecado, cheio de pedras, como podemos fazer? Como podemos tirar nossos pecados?
Sabemos que Jesus não veio para nos acusar ou condenar, Ele veio para nos salvar e nos "limpar". Precisamos confessar nossas desobediências ao Senhor Jesus.
Cometemos o pecado da desobediência  por meio de:

- Pensamentos (quando ocupamos a nossa mente com coisas que não agradam a Deus).
- Palavras (quando proferimos palavras que não são para o bem, ofensas)
- Ações (quando fazemos o mal de propósito).
- Omissões (quando deixamos de fazer o bem ou o que é correto).

Agora diga: vamos pedir perdão a Deus porque quando desobedecemos rejeitamos a Sua presença, e ficamos sem condições de prestar um louvor perfeito ao Eterno.
Agora cada um deverá escrever num papel seu desobediência, colocar numa caixa ou saco e depois colocar no lixo sem serem lidos.
Depois de feito isso, convide-os para cantar um hino de adoração a Deus a sua escolha.


Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.

Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!

Por Roberto José.

Dinâmica da Lição 03: O Dom da Palavra da Ciência (Pré-Adolescentes)


Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
- Ao preparar a aula, você precisa lembrar que seu alvo é ensinar a palavra de Deus a fim de transformar a vida dos alunos. Para isso, tenha sempre em mente o que eles precisam saber, sentir e agir.


- Este é um momento de grande importância, quando você deverá atrair a atenção e o interesse da classe para o que será ensinado.
6 - Não esqueça que ministrar uma aula não significa apenas transmitir um amontoado de informações teológicas ou conhecimentos puramente pessoais sem a interação com a classe. É importante que os alunos sejam incentivados a participar no processo de aprendizagem.
- Apresentem o título da lição: O Dom da Palavra da Ciência
- Pesquise alguns ídolos da televisão e do mundo gospel atual, faça cartazes deles e cole na sala de aula. Receba os alunos na sala já com os visuais disponível. Pergunte se eles conhecem aquelas fotos. Leve-os a tentar descobrir quem são e porque as pessoas os têm como ídolos da atualidade. Quando eles forem acertando, escreva os nomes junto da foto da pessoa. Em seguida inicie o estudo da lição.
– Agora, trabalhe o conteúdo da lição. – Para isso é importante que você apresente estratégias que estimule a participação dos alunos, valorize o conteúdo, reforce as aplicações e facilite a aprendizagem. Portanto, para não perder de vista o alvo da lição, use a criatividade, apresente domínio da matéria e observe se os alunos estão entendendo o assunto.
- Para concluir, utilize uma das dinâmica sugeridas: “Caixa da Ciência”.
 

Dinâmica: Caixa da Ciência

Objetivo:
Refletir sobre o real significado do dom da Palavra da Ciência, e estimular os alunos a buscá-lo.
Material didático:
Textos bíblicos pré-selecionados.
Papel
pincel atômico
caneta
cola
Atividade didática:
Antes da aula:
Adquira uma caixa de bombom grande (aproximadamente 400 kg). Retire os bombons da caixa e escreva em papeis pequenos a palavra CIÊNCIA, em seguida cole a palavra em todos os bombons. Escreva em um papel a palavra CIÊNCIA e cole na caixa. Coloque todos os bombons de volta na caixa e feche a caixa para ser apresentada no dia da aula.
Durante a aula:
Explique que este dom tem sido definido como sendo a revelação sobrenatural de algum fato que existe na mente de Deus, mas que o homem, devido às suas naturais limitações, não pode conhecer, a não ser que o Espírito Santo lhe revele. Através deste dom, os segredos do mais profundo do coração são revelados, enquanto que obstáculos ao desenvolvimento da Igreja são manifestos, e desmascarada toda e qualquer hipocrisia.
Divida a turma em três grupos (a dinâmica pode ser feita também se na sala só houver três alunos apenas). Entregue a cada grupo um texto de reflexão, e peça que os alunos encontrem no texto a manifestação da Palavra da Ciência. Dê aos grupos 5 minutos para fazerem as cobertas. Segue sugestão dos textos:
- 2 Rs 6.8-12: Nele a Palavra da Ciência atua na vida do profeta revelando a Eliseu a armadilha preparada pelo rei da Síria para destruir o povo de Israel, e avisa com antecipação ao monarca de Israel para que a destruição não aconteça.
- At 5.1-4: Aqui este dom atual revelando a Pedro a hipocrisia de Ananias e Safira.
- At 27.23-25: Na viagem para Roma o navio em que Paulo estava sofre um naufrágio. A Palavra da Ciência entra em ação revelando a Paulo que ninguém iria morrer, apenas o navio se perderia.
Após os 5 minutos peça para que cada grupo apresente o que descobriram no texto a respeito dom da Palavra da Ciência. Tire as dúvidas e faça os esclarecimentos que forem necessários.
Apresente agora a caixa de bombom, mostrando nela o nome CIÊNCIA. Fale que neste momento a caixa vai representar DEUS, o dono de toda ciência. Nele estão escondidas todas as ciências e todo o conhecimento. Mas diga esse conhecimento Ele não quer guardar apenas para si, mas quer compartilhar conosco parte desta ciência. Distribua agora os bombons deixando alguns na caixa. Após a distribuição diga que Deus não vai distribuir toda sua ciência a humanidade, mas parte dela sim, e cada uma de nós podemos ser participantes disso. Como? Primeiro deseje, segundo peça, busque. Veja o que diz a Bíblia: “...buscar-me-eis, e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13).


Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.

Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!

Por Roberto José

Dinâmica da Lição 03: Crendo para interpretar a Bíblia (Discipulando 2º Ciclo)


Professores e professoras observem alguns pontos importantes e valiosos para o bom crescimento e desenvolvimento de seu aluno e de sua sala:
1– Procure manter os dados pessoais de seus aluno(a)s sempre atualizados (endereço, telefone, e-mail, redes sociais, etc)
2– Antes de iniciar a aula procure se aproximar de cada aluno de sua classe:
- Cumprimente-os, abrace-os.
- Procure saber como foi a semana de cada um deles, e escute-os.
- Preste bastante atenção se há alguém que precise de algum tipo de atenção ou oração especial.
- Observe se existe algum visitante e/ ou aluno novato e faça-lhes uma apresentação muito especial para que ele sinta-se desejoso de voltar a sua sala.
3– Aconselhamos que antes da aula procure ver com seu secretário o nome dos aniversariantes para que após a aula você possa parabeniza-los, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo ou quem sabe uma simples lembrancinha.
4– Ao final da aula procure ver com o secretário de sua sala o nome das pessoas ausentes e durante a semana separe um momento onde você possa entrar em contato com ele(a), por meio de uma visita, um telefone ou rede sociais.
5– É importante que você como professor entenda a importância de cada atitude como a que recomendamos logo acima, a fim de que você possa desenvolver um vínculo afetivo com cada aluno, ele compreenderá o quanto você o ama e se importa com ele.
- Ao preparar a aula, você precisa lembrar que seu alvo é ensinar a palavra de Deus a fim de transformar a vida dos alunos. Para isso, tenha sempre em mente o que eles precisam saber, sentir e agir.


- Este é um momento de grande importância, quando você deverá atrair a atenção e o interesse da classe para o que será ensinado.
6 - Não esqueça que ministrar uma aula não significa apenas transmitir um amontoado de informações teológicas ou conhecimentos puramente pessoais sem a interação com a classe. É importante que os alunos sejam incentivados a participar no processo de aprendizagem.
- Apresentem o título da lição: Crendo para interpretar a Bíblia.
– Agora, trabalhe o conteúdo da lição. – Para isso é importante que você apresente estratégias que estimule a participação dos alunos, valorize o conteúdo, reforce as aplicações e facilite a aprendizagem. Portanto, para não perder de vista o alvo da lição, use a criatividade, apresente domínio da matéria e observe se os alunos estão entendendo o assunto.
- Para concluir, utilizem a dinâmica A interpretação Bíblica”.



Dinâmica: A interpretação Bíblica

Objetivo:
Alertar os alunos para o cuidado na interpretação do texto bíblico
Materiais didáticos:
Papeis
canetas
Atividade didática:
Entregue a cada aluno papel e caneta. Em seguida faça a seguinte pergunta: Ser você fosse o escritor da Bíblia e tivesse que criar duas regras principais para que as pessoas pudessem interpretá-la de forma correta, quais seriam essas regras? Dê aos alunos 5 minutos para escrever as regras. Logo após solicite que os alunos leiam as regras escritas.  Procure saber o porquê das regras criadas.
Após ouvir cada explicação diga que um dos maiores privilégios que Deus concedeu a seus filhos é a oportunidade de estudar a sua Palavra. A maioria dos cristãos concordará que esta afirmação é, deveras, verdadeira. Mas, muitos não se entregam com afinco ao verdadeiro estudo da Bíblia; contentam-se em receber alimento de criancinhas, alimento espiritual de segunda mão. Pouco conhecem da experiência do profeta que escreveu: “Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração...” (Jeremias 15.16).
Talvez uma das razões de tantas pessoas não tirarem proveito do estudo bíblico seja simplesmente a dificuldade que sentem em interpretá-la.
Não há livro mais perseguido pelos inimigos, nem livro mais torturado pelos amigos, que a Bíblia, devido à ignorância da sadia regra de interpretação. Isto, irmãos, não deve ser assim. Esta dádiva do céu não nos veio para que cada qual a use a seu próprio gosto, mutilando-a, tergiversando ou torcendo-a. É preciso que entendamos que para se interpretar a Bíblia existem regras, e precisamos conhece-las.
Ter o método correto de interpretação da Palavra de Deus significa a diferença entre sua correta compreensão, e heresias nas crenças e comportamento. Em assuntos espirituais, é de grande importância que tenhamos princípios sólidos de interpretação da Bíblia, ou então nos desencaminharemos mediante uma compreensão pervertida da Revelação de Deus à humanidade. Toda heresia que já causou destruição na raça humana ocorreu porque alguém interpretou a Palavra de Deus de modo errado em algum ponto, ou então, como é menos comum, agiu em consciente oposição à Verdade. Incentive-os a procurar conhecer mais dessas regras pois as apresentadas na lição são as básicas.


Professor, antes de dar esta aula pesquise com muito afinco todos os pontos abordados em seu Plano de Aula, pois não adianta falar só de achismo, ou porque conheceu este Blog e acha suficiente para dar aula. Entenda que eu não conheço a realidade social, psicológica, física e espiritual de seus alunos, por isso, tente chegar no âmago das dúvidas de seus alunos, não os faça de meros espectadores de um "show" de conhecimento, pois isso não será suficiente, o conteúdo precisa de aplicabilidade para a situação de vida de seus alunos e isso é o mais importante. Deguste à vontade o conhecimento, mas não ache que irá inculcá-lo de uma hora pra outra nos seus alunos, por isso procure ser criativo na exposição do assunto.

Desejamos que esta aula seja portadora de grandes frutos para vida de seus alunos!

Por Roberto José

terça-feira, 5 de abril de 2016

EBD - LIÇÃO 2, A NECESSIDADE UNIVERSAL DA SALVAÇÃO EM CRISTO

Pré aula_Lição 2: A necessidade universal da salvação em Cristo

(Adultos) Lição 02 - A Necessidade Universal da Salvação em Cristo


Romanos 1,18-22
Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu, dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

A Revelação Natural
“Porque do céu se manifesta a ira de Deus... ” (1.18a). Parece paradoxal que um texto que é conhecido como o Evangelho da Graça comece falando sobre a ira. De fato, muitos comentaristas bíblicos ficam chocados com o tom forte com que Paulo introduz essa seção de sua carta. Fica evidente que a expressão “ira de Deus”, tradução do grego orgé, carrega um peso de significado muito forte. Esse termo ocorre 36 vezes no Novo Testamento grego. É o mesmo vocábulo usado por João Batista para dizer que os fariseus e saduceus não escapariam da ira (orgé) vindoura (Mt 3.7). É usado também para se referir à ira (orgé) do Cordeiro em Apocalipse 6.16. Na verdade, muitos intérpretes que foram influenciados pela teologia liberal do século XIX, de cunho fortemente humanista, não conseguiam harmonizar a imagem de um Deus amoroso com a de um Deus irado. Mas a ira divina aqui é totalmente justificável à luz do capítulo 1.18-32. O pensamento do apóstolo é claro — mostrar a situação caótica, desesperadora e corrupta na qual a humanidade se encontrava e como em meio a tudo isso Deus manifestou de forma copiosa a sua graça.
"... sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça” (1.18). As palavras gregas asébeia e adikia estão bem traduzidas aqui como “impiedade” e “injustiça”. Charles Hodge, em seu comentário da Epístola aos Romanos, destaca que a primeira palavra representa a impiedade em relação a Deus, e a segunda, a injustiça praticada contra os homens. O argumento de Paulo aqui forma um contraste com aquilo que ele já havia falado em Romanos 1.16,17, em que a justiça de Deus se revela pelo evangelho. E por que Deus revela a sua justiça trazendo julgamento? Porque os homens escolheram tornar a verdade prisioneira do pecado. Paulo diz que eles “detêm a verdade em injustiça” (1.18).
"Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas...” (1.20). Paulo mostra que as obras da criação, a revelação natural de Deus, servem de parâmetro para o julgamento de Deus. Russel P. Sheed, renomado teólogo batista, destaca esse fato: “E inadmissível a desculpa humana de que entre determinados povos e nações simplesmente nunca houve qualquer oportunidade para se conhecer a mensagem salvadora. A Palavra de Deus afirma que homens ignorantes acerca da Bíblia não ficaram sem conhecimento algum de Deus (Rm 1.19). Até aos mais distantes Ele revela seus atributos, seu eterno poder e natureza divina (Rm 1.20). Ninguém poderá sustentar alguma desculpa ao chegar diante do tribunal do Rei do universo. Todos serão julgados porque os homens, voluntariamente, encobrem a verdade para praticar a injustiça (Rm 1.18). Essa ‘revelação natural’ que todos têm de Deus (isto é, a verdade encoberta) será, portanto, a base da justa condenação de todos os que não alcançaram a graça de ouvir a Palavra de Deus (‘revelação especial’). ‘Eles não têm desculpa...’ (Rm 1.21). Todavia, Deus não é injusto. Nunca condenará um homem por este não ter crido numa mensagem que não teve oportunidade de ouvir. A justiça divina será mantida. No julgamento final, a justiça divina julgará todos de acordo com a luz que Deus lhes deu: a criação e a consciência” (grifo meu).
“... para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças... ” (1.20,21). O homem pós-queda é um homem afetado pela corrupção do pecado, embora não seja um ser espiritualmente insensível. Nem tampouco é um ser que perdeu sua capacidade de escolha. O texto deixa claro que ele podia perceber por meio da revelação natural de Deus que a ordem das coisas tem um Criador. Mas não fez isso. Em seu conceituado comentário sobre Romanos, o expositor Giuseppe Barbaglio observa que “o juízo divino de condenação nada mais é que a resposta ao intencional ‘não’ por parte do homem. Paulo não se limita, porém, a esse aceno. Ao contrário, desenvolve amplamente o porquê da cólera divina (w. 19-23). Dá por sabido que os homens não só tiveram a possibilidade de conhecer o Criador, mas de fato o conheceram. Sim, porque Ele se manifestou a eles através da criação. A obra revela o seu artífice. A inteligência, partindo do mundo, chega à sua causa. A eterna força e majestade divina, de si invisíveis, tornam-se perfeitamente visíveis aos olhos da mente. No plano do conhecimento a distância é superada, o encontro acontece. Constatação positiva, sem dúvida, mas Paulo logo a transforma em acusação contra o mundo pagão. Por isso os acusados não têm desculpas ou atenuantes. Numa palavra, são culpados. Torque, embora tendo conhecimento de Deus, não lhe renderam nem louvor nem ação de graças’. O conhecimento não se converteu em reconhecimento. Teoria e práxis foram violentamente dissociadas”. De forma análoga, o expositor bíblico Dale Moody,in loco, sublinha esse fato, quando afirma: “o pecado distorce, mas não destrói a possibilidade da percepção. A mente de fato pode tornar-se réproba (1.28), mas também pode ser renovada (12.2). A mente torna possível a percepção”.
A oportunidade é dada a todos.

Romanos 1.23-32
E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém! Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; estando cheios de toda iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pai e à mãe; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.

A Lei da Semeadura e da Colheita
“E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (1.23). O apóstolo continua sua argumentação que justifica o julgamento de Deus. Em vez de glorificar a Deus, o homem se afastou ainda mais. Deus os entregou à idolatria (v. 23); imoralidade (v. 26) e animosidade (v. 30). Um abismo chama outro abismo. C. Marvin Pate observa que “entregar” (v. 24) aqui tem o sentido de “deixar as pessoas sofrerem as consequências de conseguirem o que desejam. Em outras palavras, nos tornamos semelhantes aquilo que adoramos”. Ao escolher adorar a criatura em lugar do Criador, ser o centro de si mesmos em vez de terem Deus como centro de tudo, o homem mergulhou nas profundas trevas do pecado.
“Velo que Deus os abandonou às paixões infames... ” (1.26,27). Paulo passa então a falar de comportamentos sociais que, à luz das coisas criadas, eram considerados como antinaturais. A homossexualidade, tanto masculina como feminina, é citada como exemplo desse afastamento da ordem natural (w. 26,27). Paulo, seguindo a tradição bíblica, reprova a prática homossexual (Lv 18.22). Por outro lado, a cultura greco-romana tinha como natural o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. A pederastia, relacionamento de um adulto com alguém mais jovem, era vista com normalidade tanto na Grécia antiga como em Roma. A maior parte dos Césares era homossexual. É conhecida a frase do escritor romano Suetônio dizendo que o imperador Júlio César “era o homem de toda mulher e a mulher de todo homem”. Suetônio ainda fala sobre César como sendo amante de Nicomedes: “A reputação de sodomita veio-lhe unicamente de sua estada junto a Nicomedes, mas isso bastou para desonrá-lo para sempre e expô-lo aos ultrajes de todos”. Essa prática, considerada normal para cultura greco-romana, era vista pelos judeus como uma perversão da sexualidade.
Depois da revolução sexual dos anos sessenta, o movimento em prol da homossexualidade ganhou força no mundo inteiro. Grande parte desse feito é atribuído a Alfred Charles Kinsey (1894-1956), considerado o apóstolo da perversão sexual. Kinsey popularizou seus ensinos distorcidos sobre a sexualidade humana através de seu livro O Comportamento Sexual do Macho. Após as pesquisas de Kinsey, que posteriormente ficou provado que foram todas manipuladas, a sexualidade ganhou outro rumo. Passou-se a acreditar que o homossexualismo estaria fundamentado em verdades científicas. Alguns teólogos, que creem que há pessoas que já nascem homossexuais, tentam justificar esse tipo de comportamento afirmando que a Bíblia condena as relações entre heterossexuais e homossexuais, e não a relação entre um homossexual e outro homossexual. O teólogo católico José Bortolini partilha desse entendimento: “A carta destaca algumas dessas relações pervertidas. A primeira é o homossexualismo feminino e masculino (1.26b,27). De modo geral, no mundo greco-romano daquele tempo, a prática homossexual entre pessoas heterossexuais era estimulada e inclusive vista como perfeição. Paulo certamente não tinha o conhecimento que hoje se tem a respeito de pessoas que já nascem com orientação homossexual. Ele detecta perversão entre heterossexuais que se dedicam a práticas homossexuais”. Tal explicação, adotada inclusive por muitos movimentos ditos evangélicos, não resiste aos fatos históricos nem tampouco a uma exegese do texto bíblico. Para Paulo, o homossexualismo era uma perversão sexual porque além de ser condenado na Escritura era também antinatural de acordo com Romanos 1.26,27.

Romanos 2.1-16
Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo. E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem. E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência, e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus, o qual recompensará cada um segundo as suas obras, a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, e honra, e incorrupção; mas indignação e ira aos que são contenciosos e desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; tribulação e angústia sobre toda alma do homem que faz o mal, primeiramente do judeu e também do grego; glória, porém, e honra e paz a qualquer que faz o bem, primeiramente ao judeu e também ao grego; porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados. Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei, os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os, no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.

A Revelação Especial
“Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te Condenas a ti mesmo naquilo que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo” (2.1). Há claramente uma mudança no pensamento do apóstolo a partir desse ponto. O alvo agora não é mais o mundo gentílico, mas o judaico. Nessa passagem, o apóstolo mostrará que os judeus não estão diante de Deus em melhores condições do que os gentios. Douglas Moo observa que os judeus poderiam pensar que podiam pecar sem serem punidos porque possuíam uma relação pactuai com Deus. Mas de acordo com os versículos de 6 a 11, Paulo parece ir um passo mais adiante: Os judeus não têm nenhum direito de pensar que intrinsecamente o pacto lhes concede uma situação melhor que os gentios diante de Deus.
O apóstolo mostra então as razões por que os judeus não estavam em situação melhor do que os gentios.
1. Eles praticavam aquilo que consideravam errado no comportamento gentílico (v. 1). Ao agir assim, acabavam assumindo uma atitude de hipocrisia diante da lei.
2. Achavam que por serem os guardiões da Torá estariam isentos de qualquer julgamento (v. 3).
3. Abusavam da bondade de Deus (v. 4).
4. Possuíam um coração impenitente (v. 5).
5. Ignoravam a lei da retribuição (w. 6-10).
6. Eram exclusivistas (v. 11).
7. Não conseguiam viver as exigências da lei (w. 12-14).
“Porque todos os que sem lei pecaram sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram pela lei serãojulgados” (2.12). Comentando essa passagem, Charles Swindoll argumenta sobre aqueles que querem questionar sobre o que disse Paulo em Romanos 2.12. Isso não parece justo, argumentaria alguém. Seria justo punir alguém por infringir regras as quais ele não teve a oportunidade de conhecer? É exatamente isso que Paulo defende aqui. O fato é que, embora houvesse gentios que nunca estiveram na Palestina nem tampouco chegaram a entrar em contado como o povo hebreu e nem com sua lei, é bom lembrar que todo homem carrega a imagem de Deus. Swindoll então diz acertadamente que “parte dessa imagem inclui um sentido inato de que algumas ações são boas e outras são más. No entanto, incluso nesse padrão imperfeito, ninguém vive com justiça. Ninguém jamais tem obedecido com perfeição sua própria consciência. A culpa é uma reação universal por fazer algo que a ética pessoal de alguém o proíbe. No fim dos tempos, quando se ditar o veredicto final, se terá pesado as obras de toda pessoa e serão achadas faltas. A ignorância da Lei não é desculpa. Toda pessoa será julgada de acordo com seu conhecimento do bem e do mal. E por qualquer padrão, seja a lei mosaica, seja a própria consciência do gentio, toda pessoa será achada culpada”.

Romanos 2.17-29
Eis que tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; e sabes a sua vontade, e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei; e confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, instruidor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei; tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós. Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão. Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura, a incircuncisão não será reputada como circuncisão? E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, não te julgará, porventura, a ti, que pela letra e circuncisão és transgressor da lei? Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não na letra, cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.

Espiritualidade sem Verniz
Gosto da paráfrase que F. F. Bruce, erudito em Novo Testamento, fez dessa passagem. Ela atualiza o que o texto quer dizer.
Você tem o honroso nome de judeu. Sua posse da lei dá-lhe confiança, gloria-se de que é ao Deus verdadeiro que você cultua e de que conhece a vontade dEle. Você aprova o caminho mais excelente, pois o aprendeu da lei. Considera-se mais instruído do que aqueles que são inferiores por não terem a lei. Considera-se guia de cegos e instrutor de tolos. Mas por que não dar uma sincera olhada em você mesmo? Você não tem defeitos? Você conhece a lei, mas a guarda? Você diz: “Não roubarás”. Mas não rouba nunca? Você diz: “Não adulterarás”. Mas será que cumpre sempre esse mandamento? Você detesta ídolos, mas nunca rouba templos? Você se gloria na lei, mas, de fato, sua desobediência à lei dá má fama entre os pagãos, a você e ao Deus que cultua. Ser judeu aproveitará ao homem diante de Deus somente se cumprir a lei. O judeu que quebra à lei não é melhor do que o gentio. E inversamente, o gentio que cumpre as exigências da lei é tão bom à vista de Deus como qualquer judeu que permanece na lei. Na verdade, o gentio que guarda a lei de Deus condenará o judeu que a quebra, não importa quão versado nas Escrituras esse judeu seja, não importa quão canonicamente se tenha processado a sua circuncisão. Você vê, não é questão de descendência natural e de sinal externo como a circuncisão. A palavra “judeu” significa “louvor”, e o verdadeiro judeu é o homem cuja vida é digna de louvor pelos padrões de Deus, cujo coração é puro à vista de Deus, cuja circuncisão é a circuncisão interna, do coração. Este é judeu de verdade, digo eu — homem verdadeiramente digno de louvor — e seu louvor não é matéria de aplauso humano, mas da aprovação divina.
“Eis que tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; e sabes a sua vontade, e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei” (2.17). Paulo ainda continua preparando o terreno para a exposição da doutrina da justificação pela fé da qual ele falará logo mais. Os gentios possuíam a revelação natural, bem como a lei da consciência; todavia, foram incapazes de reagir positivamente diante de Deus. Agora Paulo passará a falar dos judeus, que foram escolhidos por Deus e a quem foi dada, de forma especial, a lei. Todavia, assim como o pecado cegou os que tinham recebido a revelação natural, da mesma forma cegou os que tinham recebido a revelação especial.
Paulo havia demonstrado que os gentios estavam debaixo das densas nuvens do pecado. Antes que algum judeu legalista pudesse se gloriar de sua posição privilegiada em relação aos gentios, o apóstolo se apressa em dizer que eles não possuíam vantagem nenhuma. Se os gentios quebraram a lei natural, os judeus se demonstraram incapazes de cumprir a revelação especial, que lhes fora dada por meio da lei no Sinai. Eram, portanto, indesculpáveis.
Essa atitude legalista, em que a religião é vivida apenas de forma exterior, conduz à hipocrisia religiosa e é duramente combatida por Paulo. Aqueles que confiavam na lei como instrumento de justificação começam a perceber que as suas posturas diante da lei não os havia melhorado em nada. Paulo quer fazer com que eles vejam que esse modelo de espiritualidade estava falido justamente pelo fato de terem eles falhado em atender as exigências do preceito legal.
O legalismo foi uma ameaça para o antigo Israel; todavia, continua sendo uma ameaça hoje. A salvação pelas obras, isto é, que depende dos feitos de quem as pratica, parece ser algo atraente para muitos. A tentativa de agradar a Deus por meio dos seus próprios méritos é um perigo do qual o cristão precisa se precaver. Nessa seção das Escrituras, observamos Paulo combatendo o modelo de espiritualidade que atua somente por fora e não por dentro. Para ele, não era um judeu quem apenas possuía as marcas da circuncisão na sua carne, isto é, externamente, todavia não se encontrava marcado internamente (Rm 2.28,29). Muitos põem um verniz na sua espiritualidade e isso é tudo que conseguem viver e mostrar. Viver de aparências parece ser algo normal diante dos homens, mas não diante de Deus. Deus não possui uma vitrine, onde adorna os seus filhos para uma simples exposição. Ele os coloca no cenário da vida, na realidade nua e crua do dia a dia, para que eles possam depender dEle e assim viver sem mascaramentos.

Romanos 3.1-20
Qual é, logo, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas. Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Sempre seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso, como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras e venças quando fores julgado. E, se a nossa injustiça for a causa da justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto, trazendo ira sobre nós? (Falo como homem.) De maneira nenhuma! Doutro modo, como julgará Deus o mundo? Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que sou eu ainda julgado também como pecador? E por que não dizemos (como somos blasfemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos males, para que venham bens? A condenação desses é justa. Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma! Pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado, como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com a língua tratam enganosamente; peçonha de áspide está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenado diante de Deus. Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.

Aliança Quebrada
“Qual é, logo, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão?” (3.1). Paulo encerra seu argumento mostrando que judeus, gentios e toda a humanidade estavam debaixo do pecado. Não havia sobrado nenhum justo. Tanto gentios que viviam sem lei como os judeus que viviam debaixo da lei encontravam-se na mesma situação espiritual — afastados de Deus.
O expositor bíblico Henry Mahan observa que “no Antigo Testamento os judeus tinham grandes vantagens sobre as nações gentias. Tinham a palavra de Deus. Este término se usa quatro vezes no Novo Testamento. Em Atos 7.38 significa lei de Moisés; em Hebreus 5,12 e 1 Pedro 4.11 abarca as verdades do Evangelho. Neste versículo estão incluídas todas as Escrituras do Antigo Testamento, especialmente as que se referem ao Messias, Jesus Cristo. Enquanto os gentios precisavam descobrir Deus como podiam através da criação, consciência e providência, os judeus tinham as profecias da vinda do Messias, as figuras e tipos de seu sacrifício e expiação nas cerimônias e a promessa de redenção e perdão através da fé nEle. Em lugar de crerem nEle e confessar sua culpabilidade revelada através da lei e descansar na fé e na misericórdia de Deus e na justiça imputada, tomaram a lei, a circuncisão e as cerimônias e a herança judia e estabeleceram sua própria justiça baseada em uma imperfeita e hipócrita obediência formal. Todas as leis, rituais, moralidade, cerimônias, Escrituras e forma externa não são de valor, mas ao contrário são devastadoras, se não conduzem à pessoa de Cristo”.