segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Casamentos são construídos momento a momento

Paul Tripp
Em What Did You Expect? Paul Tripp lembra aos leitores de que a reconciliação em um casamento é um estilo de vida, não apenas uma resposta a quando as coisas vão mal:
Se você é um pecador casado a um pecador, então é muito perigoso permitir-se um descanso enquanto casal. Vocês simplesmente não viverão um dia juntos sem que algum ato de falta de consideração, interesse próprio, raiva, arrogância, autojustificação, amargura ou deslealdade surja em sua torpe cabeça. Frequentemente será benigno e brando, mas ainda estará lá.
Se vocês desejam ter um casamento que vive em unidade, compreensão e amor, precisam ter uma abordagem “pequenos momentos” em seu casamento. Deus esboçou para nós uma vida que não caminha de momentos grandes e definidores para momentos grandes e definidores. Provavelmente, vocês se lembrarão de duas ou três situações que mudaram suas vidas, e que vocês tenham passado juntos. Todos os dias, deitamos pequenos tijolos na fundação do que nossa vida será. Os tijolos das palavras, das ações, das pequenas decisões, dos pequenos pensamentos e desejos menores – todos trabalham juntos para formar o edifício funcional que é o casamento.
Portanto, você deve ver a si mesmo como um pedreiro matrimonial. Você está diariamente na tarefa de adicionar outra camada de tijolos, que determinará a forma de seu casamento nos dias, semanas e anos porvir. As coisas em um casamento vão mal progressivamente. As coisas tornam-se doces e belas progressivamente. O problema é que simplesmente não prestamos atenção e, por isso, nos permitimos a pensar, desejar, dizer e fazer coisas que não deveríamos.
Aqui estão algumas questões úteis para se considerar:
  • Você luta pelo seu jeito nas pequenas coisas ou vê isso como uma oportunidade para servir?
  • Você se permite ir para cama irritado depois de pequenas discordâncias?
  • Você sai para trabalhar dia após dia sem um momento de carinho?
  • Você se permite fazer pequenas coisas rudes, que você nunca teria feito no namoro?
  • Você ainda pede perdão nos pequenos momentos de erro?
  • Você reclama de como o outro faz coisas menores, quando isso realmente não faz alguma diferença?
  • Você toma decisões sem consulta?
  • Você investe em uma amizade íntima no seu casamento?
  • Você reclama das fraquezas do outro? Ou você as vê como uma oportunidade de encorajar?
  • Você procura pequenas oportunidades para expressar amor?
  • Você mantém um registro de erros?
  • Você regularmente expressa apreciação e respeito?
  • Você guarda pequenas feridas que antigamente vocês teriam discutido?
  • Você transforma pequenos pedidos em exigências regulares?
Vocês podem ter um bom casamento, mas precisam entender que um bom casamento não é um dom misterioso. Não, pelo contrário, é um conjunto de compromissos que é forjado em um estilo de vida momento-a-momento.
Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | Original aqui

Quando você pode ter Cristo, todo o resto é esterco!

Josemar Bessa
O  evangelho é sobre morte e não sobre fazer grandes coisas. O evangelho é sobre fazer a única coisa que vale a pena, viver para a glória de Deus. Cristo não te salva de modo que daí em diante você possa fazer grandes coisas.

Cristo morreu para que você ficasse livre de viver para você mesmo e vivesse para Ele: “Ele morreu... para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Coríntios 5:15).
O objetivo da morte de Cristo é a exaltação de Cristo. A essência do pecado é que a vida do homem não glorifica a Deus – “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” (Romanos 3:23)

Quando dizemos ao mundo que Deus tem um plano maravilhoso para sua vida e quer que ele faça grandes coisas, o que o mundo ouve é: “Deus quer que eu seja incrível e maravilhoso! Eu gosto disso, porque eu quero se incrível e maravilhoso... realmente este é um grande plano", pensam, "um casamento maravilhoso, filhos inteligentes e maravilhosos, saúde maravilhosa, emprego, empresa, dinheiro... tudo maravilhoso... eu fazendo coisas grandes...”

O Evangelho é sobre morte. Nós morremos com Cristo e fomos ressuscitados para uma nova vida, uma vida que não tem mais seus interesses nos velhos afetos e concupiscências da velha vida, coisas que na verdade se tornaram esterco perto do desfrute daquilo que realmente fomos criados para desfrutar: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo.” (Filipenses 3:8)

Isso é Evangelho! Quando você pode ter Cristo, todo o resto é esterco. Mas hoje temos um “evangelho” que joga fora Cristo e oferece pilhas de esterco do e ao mundo como resposta para os seus anseios.
Como eu disse antes, o evangelho é sobre fazer a única coisa que vale a pena, viver para a glória de Deus. Mas isso não parece grande coisa para o mundo.

“Ele morreu... para que os que vivem não vivam mais para si mesmos...” (2 Coríntios 5:15)

Esse é o plano maravilhoso do evangelho. É uma coisa tremenda perceber que quando você morreu em Cristo, você ressuscitou com Ele para viver uma vida justa. Nós já não vivemos para nós mesmos. É por isso que Paulo disse em Atos 20, “não importa o que acontece comigo, isso realmente não importa. Eu não conto nenhuma dessas coisas como preocupação, porque eu não considero a minha vida preciosa para mim mesmo. Minha vida não importa. Tudo o que importa é que eu viva o que Deus comprometeu-me a fazer. Tudo o que importa é que Cristo viva em mim." E então ele diz: "Para mim o viver é Cristo". Isso é tudo, é tudo o que importa. Sua vontade, seu propósito, seus objetivos, sua glória, sua honra, a sua verdade... nada mais, nada mais. Saulo de Tarso realmente se foi, está morto, enterrado, e Paulo é uma nova criação com uma nova direção.

Assim, viver para o ego, o “eu”,  foi perdido para sempre e o mundo todo precisava saber disso, e Deus nisso ser glorificado. Ele não estava nisso para conseguir o sucesso em alguma realização que sonhara antes de ser chamado por Cristo, prestígio, dinheiro, reconhecimento, relacionamentos...

Agora era Cristo, Cristo, Cristo... "Para mim o viver é Cristo".

Agora, isso não é verdade só sobre a “Teologia da Prosperidade” e afins. Isso toca também naqueles que parecem estar mais distantes das heresias mais óbvias de nossos dias também. A verdade bíblica precisa ser mais do que um conjunto de crenças que assumimos. Ela deve ser a lente através da qual olhamos para nós mesmos e o mundo.
Há muitos cristãos e igrejas que não negam qualquer doutrina fundamental da fé cristã (muitos infelizmente negam), mas eles ainda não tem um núcleo teológico. Eles têm, em vez disso, uma declaração de fé mofada que mal entendem e acreditam e não ousam pregar com paixão.

Eles são animados e motivados pela política, crescimento da igreja, preocupações relacionais, sociais e similares, mas o evangelho é apenas assumido. "Sim, sim, claro que acreditamos..." Suas grandes motivações podem ser compartilhadas por homens que nunca nasceram de novo, porque elas são apenas ecos deste mundo. A motivação não é a mesma de Paulo, porque a motivação de Paulo não podia ser compartilhada com o mundo, pois o mundo jamais bradaria com prazer: "Para mim o viver é Cristo e o resto é esterco”.

Um espelho não pode ser um guia! "Uma literatura que espelha a sociedade é um guia inútil para ela." (Flannery O'Connor 1925-1964) - Um espelho não pode ser um guia - Um "evangelho" que espelha a sociedade, a cultura, seus valores... é completamente inútil e não relevante, como muitos acham. O brado de Paulo não é um espelho do mundo, mas um mapa para a vida para a qual o homem foi criado:

“Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte.” (Filipenses 3:7-10)

Fonte: Josemar Bessa

Usando o Facebook para a Glória de Deus

Filipe Machado
Ao iniciar este pequeno escrito, desde já preciso estabelecer o seguinte fato: todos os cristãos são obrigados a usar o Facebook para a glória de Deus. De minha parte não há receio algum quanto ao ser possivelmente taxado de "legalista" ou "moralista", pois tenho a Escritura ao meu lado: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).
Paulo não poderia ser mais claro: os cristãos devem fazer tudo, absolutamente tudo, para a glória de Deus. Isso implica em dizer que se fizermos qualquer coisa sem visar a Sua glória, estamos em pecado - "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tg 4.17). Todavia, precisamos estabelecer alguns pontos sobre o que significa fazer tudo "tudo para glória de Deus".

Em
primeiro lugar, fazer tudo para a glória de Deus, é ter em mente que Ele é quem deve ser engrandecido e visto por todos, não nós. João o Batista nos traz cristalina evidencia deste nosso dever: "É necessário que ele cresça e que eu diminua" (Jo 3.30).
Em
segundo lugar, significa buscar fazer tudo e somente o que a Bíblia ordena que façamos. É impossível viver para a glória de Deus se tentarmos colocar nossas vontades e desejos acima da Escritura. Por meio de Moisés, o Senhor foi enfático ao afirmar: "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás" (Dt 12.32).
Em
terceiro lugar, se temos de fazer somente o que a Escritura ordena, então precisamos nos dedicar ao estudo da Lei de Deus. Paulo afirma categoricamente que a Lei de Deus é boa e necessária: "Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Rm 7.7).
Em
quarto lugar, é preciso ter o correto entendimento de que é um exercício muitas vezes doloroso, porque envolve a renúncia da carne e o matar do pecado. O apóstolo foi direto em dizer que todas as vezes, isto é, sempre, devemos trazer a morte de Cristo em nossas vidas, a fim de que morramos e Ele viva: "Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos" (2Co 4.10); "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2.20).
Desta forma, se patenteia que o cristão não deve, por exemplo, "postar", "curtir" ou "compartilhar" qualquer coisa que contenha alguma coisa contra o senhorio de Cristo. Em caso prático, significa não fazer apologia a políticos que sejam contra a Palavra de Deus; não "curtir" fotos ou qualquer fato que incentive a carne ao pecado, como fotos sensuais ou de pessoas com pouca roupa (as vestes de praia se encaixam neste ponto), libertinagem, vandalismo; igualmente não se deve promover a luxúria com "compartilhamentos" que tendem a fazer o homem e a mulher amarem mais a este mundo que ao Senhor. Você, talvez, esteja se perguntando: "Mas qual a base bíblica para afirmar tal coisa?" "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai" (Fp 4.8). Políticos contrários ao Senhor não são verdadeiros nem honestos; fotos com pessoas que mostram excessivamente seus corpos não são puras; vandalismo não é algo de boa fama; pode haver alguma virtude na luxúria?

Em grupos do Facebook, importa que não hajam discussões sobre pontos pacíficos sobre a sã doutrina, pois fazer o contrário, é contender inutilmente: "Como o soltar das águas é o início da contenda, assim, antes que sejas envolvido afasta-te da questão" (Pv 17.14). Sob hipótese alguma o crente deve xingar ou maldizer alguém. O cristão não deve ignorar as pessoas ou "detestar" outros irmãos em Cristo, pois isto é ferir o  sexto mandamento "não matarás": "Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1Jo 3.15).

Também é preciso notar que o cristão não deve usar as mídias sociais para ficar bisbilhotando a vida alheia - quem faz isso se assemelha àquela atitude de Satanás: "Então o SENHOR disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, e disse: De rodear a terra, e passear por ela" (Jó 1.7). Além disso, suscita a inveja, orgulho, maldizeres e cobiça sobre o próximo, violando o décimo mandamento: "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17).

O cristão também precisa cuidar para não passar tempo demais nas redes sociais, pois a Bíblia diz para aprendermos a aproveitar o tempo com coisas puras e necessárias: "Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor" (Ef 5.16-17). Lembre-se que na parábola dos trabalhadores da vinha, nosso Senhor Jesus Cristo assemelha o homem comum e envolto em pecado, àquele ocioso e que nada produz: "E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça" (Mt 20.3).

Use esta preciosa tecnologia para a todo o tempo falar do Senhor: "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2Tm 4.2). Note que Paulo não diz que existem tempos que não são oportunos, afinal, toda ocasião é propícia para falar e testemunhar da verdade divina. Não se esqueça de que além de estudar arduamente a sã doutrina, você precisará estar apto para defendê-la pelo poder do Senhor: "Santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (1Pe 3.15).

Tenha somente conversações santas, pois isto é agradável a Deus: "Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem" (Ef 4.29). Observe que a Bíblia é explicitamente incisiva: "mas só a que for boa para promover a edificação". Com qual intuito? "para que dê graça aos que a ouvem".

Portanto, se buscarmos pelo poder vivificador do Espírito Santo, praticar estas coisas, começaremos a entender o que é viver sob "a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2) e o mundo testificará de nosso amor por Cristo, ao ponto de dizer: "Para onde foi o teu amado, ó mais formosa entre as mulheres? Para onde se retirou o teu amado, para que o busquemos contigo?" (Ct 6.1).

Que Deus nos abençoe.

Fonte: 2Timóteo 3.16

O Funeral de Deus

Josemar Bessa
rosa-preta
Lutero conta que certa vez estava tão deprimido sob o enorme peso de todas as pressões por causa da Reforma... perseguições, sua vida sob constante risco, preocupação com sua família, preocupações com a igreja... que todos os argumentos de Kate não estavam surtindo nenhum efeito sobre ele naquele estado.

Ele diz que então Katharina, sua esposa, quando percebeu que nenhum argumento surtiu efeito, se vestiu completamente de preto. Lutero diz:

"Quando eu a vi vestida assim, perguntei:
'Você vai a um funeral?'


'Não', respondeu Katharina, 'mas uma vez que você resolveu agir como se Deus estivesse morto, eu queria acompanhá-lo no seu luto'."

Lutero diz: "Recebi o impacto das sábias palavras e atitude de Kate e compreendi a mensagem, e digo isso para minha grande vergonha. Me levantei imediatamente e completamente recuperado."

Além do Véu - A Criação e o Mundo Físico

domingo, 1 de setembro de 2013

A Cessação dos Dons Apostólicos

Nathan Busenitz
A opinião de dez líderes da história da Igreja:

1. João Crisóstomo (344–407)

A passagem inteira (falando sobre 1 Coríntios 12) é muito obscura, mas a obscuridade é produzida por nossa ignorância dos fatos referidos e por sua cessação, fatos que ocorriam, mas agora não tem mais lugar.

(Fonte: João Crisóstomo, Homilias em I Coríntios, 36.7 Crisóstomo está comentando 1 Co. 12:1-2 como introdução ao capítulo inteiro. Citado de 1-2 Coríntios in: Ancient Christian Commentary Series, 146.)

2. Agostinho (354-430)

Nos tempos antigos o Espírito Santo veio sobre os crentes e eles falaram em línguas, que não haviam aprendido, conforme o Espírito concediam que falassem. Estes foram sinais adaptados ao tempo. Pois aquilo foi o sinal do Espírito Santo em todas as línguas [idiomas] para mostrar que o Evangelho de Deus era para ser espalhado a todas as línguas sobre a terra.  Isto foi feito por um sinal, e o sinal findou.

(Fonte: Agostinho. Homilias sobre a Primeira Epístola de João, 6.10. Cf. Schaff, NPNF, First Series, 7:497-98)

3. Teodoreto de Ciro (393-466)

Em tempos antigos, aqueles que aceitaram a divina pregação e que foram batizados para a sua salvação, receberam sinais visíveis da graça do Espírito Santo trabalhando neles. Alguns falaram em línguas que eles não sabiam e que ninguém lhes havia ensinado, enquanto outros realizaram milagres ou profetizaram.  O coríntios também fizeram essas coisas, mas não usaram os dons como deveriam ter usado. Eles estavam mais interessados em se mostrar do que em usar os dons para a edificação da igreja . . . Mesmo no nosso tempo a graça é dada para aqueles que são julgados dignos do santo batismo, mas não pode assumir a mesma forma que possuía naqueles dias.

(Fonte: Teodoreto de Ciro. Comentário sobra a primeira epístola aos Coríntios, 240, 43; em referência à 1Co 12:1,7.  Citado de 1-2 Coríntios, ACCS, 117).

4. Martinho Lutero (1483-1546)
Na Igreja primitiva, o Espírito Santo foi enviado de forma visível.  Ele desceu sobre Cristo na forma de uma pomba (Mt. 3:16), e à semelhança de fogo sobre os apóstolos e outros crentes.  (Atos 2:3) Esse derramamento visível do Espírito Santo foi necessário para o estabelecimento da Igreja primitiva, como também foram necessários os milagres que acompanharam o dom do Espírito Santo. Paulo explicou o propósito destes dons miraculosos do Espírito em I Coríntios 14:22, "as línguas são um sinal, não para os que crêem, mas para os que não crêem".  Uma vez que a Igreja tinha sido estabelecida e devidamente anunciada por estes milagres, a aparência visível do Espírito Santo cessou.

(Fonte: Martinho Lutero, traduzido por Theodore Graebner [Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1949], pp  150-172. A respeito do comentário de Lutero sobre Gálatas 4:6.)

5. João Calvino (1509-1564)

Embora Cristo não declare expressamente se Ele pretende que esse dom [de milagres] seja temporário ou a permaneça perpetuamente na Igreja, é mais provável que os milagres tenham sido prometidos apenas por um tempo, para dar brilho ao evangelho enquanto ele era novo ou em estado de obscuridade.

(Fonte: João Calvino, Comentário sobre os Evangelhos Sinóticos, III:389.)

O dom de cura, como o resto dos milagres, os quais o Senhor quis que fossem trazidos à luz por um tempo, desapareceu, a fim de tornar a pregação do Evangelho maravilhosa para sempre.

(Fonte: João Calvino, Institutas da Religião Cristã, IV: 19, 18.)

6. John Owen (1616-1683)

Dons que em sua própria natureza excederam completamente o poder de todas as nossas habilidades, essa dispensação do Espírito há muito cessou e onde ela agora é simulada por alguém, pode ser justamente presumida como um delírio entusiasmado.

(Fonte: John Owen, Obras, IV:518.)

7. Thomas Watson (1620-1686)

Claro, há tanta necessidade de ordenação hoje como no tempo de Cristo e no tempo dos apóstolos, quando então havia dons extraordinários na igreja, os quais agora cessaram.

(Fonte: Thomas Watson, As Bem-Aventuranças, 140.)

8. Mattew Henry (1662-1714)

O que eram esses dons nos é largamente dito no corpo do capítulo [1 Coríntios 12], ou seja, ofícios e poderes extraordinários, concedidos a ministros e cristãos nos primeiros séculos, para a convicção dos descrentes, e propagação do evangelho.

(Fonte: Mattew Henry, Comentário Completo, em referência a 1 Coríntios 12)

O dom de línguas foi um novo produto do espírito de profecia e dado por uma razão particular, retirar o judeu e demonstrar que todas as nações podem ser conduzidas à igreja. Estes e outros sinais da profecia, começaram como sinais, e há muito cessaram e foram deixados para trás, e nós não temos nenhum incentivo para esperar um avivamento deles; mas, pelo contrário, somos direcionados para o chamado das Escrituras a mais certa palavra de profecia, mais certa que vozes dos céus, e ela nos orienta a tomar cuidado, a busca-la e se firmar nela.

(Fonte: Mattew Henry, Prefácio ao Vol IV de sua Exposição do At e NT, vii.)

9. John Gill (1697-1771)

Agora esses dons foram concedidos comumente, pelo Espírito, aos apóstolos, profetas e pastores, ou anciãos da igreja, naqueles primeiros tempos: a cópia de Alexandria, e a versão Latina da Vulgata, dizem, "por um só Espírito".
(Fonte: Comentário de John Gill de 1 Coríntios 12:9)

Não; quando estes dons estavam presentes, nem todos os possuíam.  Quando a unção com óleo, a fim de curar o doente, estava em uso, ela só foi executada pelos anciãos da igreja, e não pelos seus membros comuns, que deveriam buscar o doente nesta ocasião.

(Fonte: Comentário de John Gill de 1 Coríntios 12:30.)

10. Jonathan Edwards (1703-1758)

Nos dias de sua [Jesus] encarnação, os seus discípulos tinham uma medida dos dons miraculosos do Espírito, sendo habilitados desta forma para ensinar e fazer milagres.  Mas, depois da ressurreição e ascensão, ocorreu o mais completo e notável derramamento do Espírito em seus dons milagrosos que já existiu, começando com o dia de Pentecostes, depois da ressureição Cristo e Sua ascenção ao céu.  E, em conseqüência disto, não somente aqui e ali uma pessoa extraordinária era dotada de dons extraordinários, mas eles eram comuns na igreja, e assim continuou durante a vida dos apóstolos, ou até a morte do último deles, mesmo o apóstolo João, que viveu por cerca de cem anos desde nascimento de Cristo, de modo que os primeiros cem anos da era cristã, ou o primeiro século, foi a era dos milagres.

Mas, logo após a finalização do cânon da Escritura quando o apóstolo João escreveu o livro do Apocalipse, não muito antes de sua morte, os dons miraculosos tiveram seu fim na igreja. Pois, agora, a revelação escrita da mente e da vontade de Deus estava completa e estabelecida. Revelação na qual Deus havia perfeitamente gravado uma regra permanente e totalmente suficiente para Sua igreja em todas as eras.  Com a igreja e a nação judaica derrotadas, e a igreja cristã e a última dispensação da igreja de Deus estabelecidas, os dons miraculosos do Espírito já não eram mais necessários e, portanto, eles cessaram; pois embora eles tenham continuado na igreja por tantas eras, eles se extinguiram, e Deus fez com que fossem extintos porque já não havia ocasião favorável a eles.  E assim foi cumprido o que está dito no texto: “Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão;. Havendo ciência, desaparecerá".  E agora parece ser o fim para todos os frutos do Espírito tais como estes, e não temos mais razão de esperar que voltem.

(Fonte: Jonathan Edwards, sermão intitulado "O Espírito Santo deve ser comunicado ao Santos para sempre, In na graça da caridade, ou amor divino", em 1 Coríntios 13:8)

Os dons extraordinários foram dados para a fundação e o estabelecimento da igreja no mundo. Mas, depois que o cânon das Escrituras foi concluido e a igreja cristã foi plenamente fundada e estabelecida, os dons extraordinários cessaram.

(Fonte: Jonathan Edwards, Caridade e seus frutos, 29.)

Fonte: Cristão Reformado